7 de novembro de 2026

Vance lidera negociação para retomar acordo com o Irã

Vice-presidente dos EUA busca retomar conversas nucleares e estabelecer cessar-fogo; Trump mantém forças militares prontas para novos ataques
JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos. Foto: Gage Skidmore/Flickr

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, lidera nova tentativa de cessar-fogo e negociações com o Irã sobre programa nuclear.
Vance mantém reuniões indiretas com autoridades iranianas via Catar e Paquistão, com apoio de assessores de Trump.
Apesar das negociações, EUA mantêm pressão militar; ataque a lançador de mísseis em Qeshm foi confirmado por Trump.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, assumiu pessoalmente a condução de uma nova tentativa de negociação com o Irã para estabelecer um cessar-fogo e retomar as conversas sobre o programa nuclear iraniano.

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Segundo informações publicadas pelo portal Axios, há duas semanas Vance participa de reuniões indiretas com autoridades iranianas, por meio de mediadores do Catar e do Paquistão.

A movimentação ocorre depois de meses de conflito e do fracasso de uma tentativa anterior de entendimento entre Washington e Teerã. A iniciativa também ganha dimensão política após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato, resultado que Vance atribuiu, em parte, à guerra contra o Irã.

Fontes ouvidas pelo site norte-americano destacam que Vance tem conversado quase diariamente com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, e com o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, marechal Asim Munir. O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro e assessor do presidente Donald Trump, também participam das articulações.

As conversas incluem a possibilidade de uma reunião técnica entre representantes dos governos norte-americano e iraniano nos próximos dias. O encontro, porém, ainda não foi confirmado.

A Casa Branca não comentou a participação de Vance. Trump, por sua vez, sinalizou que pretende permitir que as negociações avancem. Questionado por jornalistas na sexta-feira sobre a mensagem que enviaria ao Irã, respondeu: “Estamos conversando com eles”.

Contudo, a disposição de Washington para negociar não significa uma suspensão da pressão militar sobre o Irã: as forças norte-americanas continuam preparadas para realizar novos ataques em um prazo relativamente curto, caso Trump determine a retomada das operações.

Na sexta-feira, os Estados Unidos atacaram um lançador de mísseis antiaéreos na ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz. Trump confirmou a operação e afirmou que o equipamento havia disparado um míssil na direção de um caça norte-americano.

Vance já havia defendido saída diplomática para o conflito

A atuação do vice-presidente retoma uma posição que ele sustentava antes mesmo do início da guerra, no fim de fevereiro: Vance era uma das vozes mais céticas dentro do círculo próximo de Trump em relação à intervenção militar e defendia uma solução diplomática.

Em abril, ele liderou a delegação norte-americana em uma reunião sobre o Irã realizada em Islamabad, no Paquistão. Também participou diretamente das negociações que resultaram em um memorando de entendimento entre os dois países, em junho.

Na sequência, Vance chefiou uma delegação dos Estados Unidos em conversas diretas com representantes iranianos na Suíça. O encontro terminou com o compromisso de Teerã de convidar inspetores das Nações Unidas para visitar suas instalações nucleares.

O entendimento, entretanto, não avançou. Pouco depois, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã retomou ataques contra embarcações, levando ao colapso do memorando.

Duas semanas atrás, Vance enviou uma carta a Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, propondo a retomada das negociações diretas. Rezaei é apontado como um dos interlocutores próximos do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.

Autoridades iranianas disseram que a comunicação abriu espaço para uma retomada do diálogo. As fontes envolvidas na mediação, contudo, descrevem o avanço das conversas como lento.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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