Curitiba não é só Moro e equipe. É pior, por Rui Daher

Curitiba não é só Moro e equipe. É pior, por Rui Daher

Esta postagem, tivesse sido publicada ontem, nada teria a ver com a data-marco do Golpe Civil-Militar de 1964. Se hoje, não estará comemorando o Dia da Mentira, aggiornata para Pós-Verdade. Se, ainda, não “subir”, só peço que não a deixem para 17 de abril, um ano do domingo de terror e farsa que iniciou o processo de impeachment de mais de 54 milhões de votos, inclusive o mais importante, o meu, inclusive na acepção popularesca paulista: “ô meu”.

Vivemos um Estado de exceção devastador das política, economia e direitos sociais. O País parece ter saído, sem retorno, dos trilhos, fato exaustivamente discutido e denunciado por quem pratica jornalismo honesto.

Mas tudo isso, por si só lamentável, piora quando se vai aos baixios das administrações municipais. Em São Paulo, inventou-se Doriana Júnior, logo catapultado a “renovação política” pelo medíocre ilusionismo publicitário; em Curitiba, foi eleito um histriônico Rafael Greca.

Mais bem-aparentado, o paulistano se faz nobre, empresarial e chique. Como Fernando Collor se fazia coronel nordestino-carioca, caçador de marajás e, claro, chique. Nós, os brasileiros, gostamos de ternos bem cortados. Eu prefiro os corpos de quem os usa bem cortados.

Mais bem titulado, ao sul, um gordinho que nos faz lembrar o excelente personagem dos postos Ipiranga, se faz tresloucado, mas sem a criatividade do comercial.

Greca é inverossímil. Como ministro do Turismo, gastou uma nota na construção de uma caravela, na data comemorativa dos 500 anos, que não flutuava. Foi acusado de afanar peças de arte sacra.

Como atual prefeito, queixa-se do rombo deixado pela administração de Gustavo Fruet, digamos, um político seis e meio. O relato que se segue é de F.C, leitor assíduo dos GGN e BRD, morador de Curitiba. 

“Verificando no Portal da Transparência da prefeitura, constatei situação muito diversa, cujos números, arredondados, cito de memória, mas podem ser conferidos no site mencionado. Em 2016, o resultado primário do tesouro municipal apontou um superávit da ordem dos R$ 690 MM e o resultado nominal mostrou R$ 140 MM. A dívida bruta era de R$ 1,09 bilhões e a líquida pouco acima dos R$ 500 MM, para uma arrecadação, no exercício fiscal, de mais R$ 7,0 bilhões. O ano de 2016 se encerrou com meio bilhão em caixa. A dívida previdenciária é negativa em mais de R$ 2,0 bilhões”.

Volto eu. Greca, além de arquiteto e urbanista, Greca é economista com ideias e métodos sempre de extração neoliberal. Todos os Estados e a Federação tiveram seus orçamentos, no ano passado, afetados pela queda na arrecadação, o que hoje permite assacar medidas federais contra os direitos sociais, emprego e renda dos trabalhadores.

Em Curitiba, não está sendo diferente. A queda de algo como 8% na receita está servindo para justificar um arrocho em despesas e investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhões, mentira depravada imposta à população da cidade.

Com exceção de uma entrevista dada por Gustavo Fruet ao Brasil 247, nada foi publicado nas folhas e telas cotidianas, “messalinas” na expressão de F.C, que continua:

“Então, lembrei de você. Como você tem muito acesso e influência, talvez, possa fazer alguma coisa para denunciar mais essa manipulação”.

Denunciado está, meu caro. Por certo, faltarão os acesso e influência. Mas, infelicidade geral, o cheiro insuportável dos gases que hoje sai do intestino político e midiático de São Paulo e Curitiba é sui generis ao da Federação de Corporações.

Nota: para perfumar com os melhores odores este post, nos vídeos (se é que desta vez fiz direito) a cantora americana, sim, pertinho de Campinas, que conheci em Piracicaba e divulguei em minha página no Facebook, a Janaína de Cássia..   

 

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