
A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, está divulgando a intenção do Governo do Estado de São Paulo em dispor ou vender áreas rurais atualmente destinadas à pesquisa científica. Segundo a agência, são 42 unidades, com área total de 16 mil hectares, sendo que 1,2 mil hectares poderiam ser disponibilizados imediatamente, representando uma captação de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão.
A fúria privatista do PSDB em geral, e do governador Alckmin em especial, não é novidade para ninguém. Agora, o alvo é o campo. Há que se lembrar que o artigo 272 da Constituição Paulista diz: “O patrimônio físico, cultural e científico dos museus, institutos e centros de pesquisa da administração direta, indireta e fundacional é inalienável e intransferível, sem audiência da comunidade científica e aprovação prévia do Poder Legislativo.”
Ou seja, nada poderia se concretizar sem ouvir-se a opinião da comunidade científica e sem a aprovação do Poder Legislativo.
Mas por que o governo Alckmin toma agora esta decisão? Na verdade, este é o segundo tempo de um jogo terrível, cuja primeira etapa foi o sucateamento de diversas instituições de pesquisa no campo. Aliás, esta é a receita do tucanato: dar uma mãozinha na degradação do patrimônio público para, depois, “justificar” a privatização.
Os exemplos são inúmeros: deficiência no planejamento, gestão pouco ágil e centralizada, baixa articulação do trabalho executado por esses institutos com os demais setores de C,T & I, e igualmente, com os órgãos de extensão rural, como a CATI – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, o que prejudica a divulgação das inovações tecnológicas junto aos agricultores.
O mais grave é que essas instituições públicas não têm orientação e nem recursos para priorizar em seus projetos, por exemplo, a agricultura familiar produtora de alimentos.
Segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2006, este setor possui 151.015 estabelecimentos rurais, representando 66% do total, embora cultive apenas 15% da área agricultável do estado. Sem esquecer que as regiões rurais com maior porcentagem de cobertura florestal coincidem com a maior presença da agricultura familiar, ou seja, existe uma relação positiva entre biodiversidade e agricultura familiar.
O mesmo Censo indica que a agricultura familiar paulista ocupava 328.177 pessoas no campo, que equivale a 16% do total de postos de trabalho na área rural, produzindo nada menos que 36% do Valor Bruto de Produção Agropecuária do estado.
A questão é que o avanço da agricultura familiar demanda forte apoio institucional e tecnológico, o que é impossível sem o suporte dos institutos de pesquisa governamentais. Com certeza isso não acontecerá com os minguados 0,58% do orçamento estadual destinado à Secretaria da Agricultura em 2014.
É indiscutível, então, a necessidade de que a pesquisa agropecuária seja valorizada e orientada para a solução de problemas sociais e ambientais. Isso é que o tucanato deveria ter anunciado; não mais um round da venda de patrimônio público para beneficiar grandes empresas privadas.
O segundo ponto a ser criticado no projeto de privatização rural tem relação com a questão agrária, propriamente dita.
O Estado de São Paulo tem um marco legal que prevê a destinação de terras públicas estaduais para assentar trabalhadores rurais. É a Lei Estadual n. 4.957, de 30 de dezembro de 1985 (ainda em vigor), que dispõe sobre os “Planos Públicos de Valorização e Aproveitamento dos Recursos Fundiários do Estado de São Paulo”.
Assim, supondo que tais terras não fossem mais necessárias à pesquisa, depois de ouvida a comunidade científica, a destinação desses recursos fundiários, por força de lei, deveria se direcionar a: “I – promover a efetiva exploração agropecuária ou florestal de terras, que se encontrem ociosas, subaproveitadas ou aproveitadas inadequadamente; II – criar oportunidades de trabalho e de progresso social e econômico a trabalhadores rurais sem terras ou com terras insuficientes para a garantia de sua subsistência. (Incisos I e II do art. 1o).
Nada disso vem sendo levado em conta. Ao arrepio da lei e da vontade das maiorias, o tucanato insiste no modelo neoliberal, que quase levou o mundo à falência completa nos últimos anos.
Renato Simões é deputado federal (PT-SP)
NNN
18 de agosto de 2014 7:13 pmFonte?
Pode-se saber de onde foi que o deputado obteve tal informação? Do contrário pode parecer fofoca, sabe como é…
PedroII
18 de agosto de 2014 9:45 pmSe a sujeira é contra a
Se a sujeira é contra a oposição sempre será fofoca!!!! Ocê num acha isso NNN??
Sônia Novaes Moraes
19 de agosto de 2014 8:52 pmPrivatização Tucana
O artigo, fonte da indignação do Deputado Renato Simões, saiu no Jornal Valor Econômico, no dia 4 de julho de 2014 pág,B12, seção AGRONEGÓCIOS – Política Agrícola: Manchete: “Governo de SP estuda reduzir área de fazendas de pesquisas” e são longas 4 colunas que comportam a reportagem feita pela jornalista Bettina Barros de São Paulo, entrevistando o Coordenador da APTA, Orlando Melo de Castro…
podem conferir o absurdo!
emerson57
18 de agosto de 2014 7:35 pm%
“a receita do tucanato: dar uma mãozinha na degradação do patrimônio público para, depois, “justificar” a privatização. “
….E para depois receber a comissão!
Giusepe
18 de agosto de 2014 9:11 pmNão dá pra entender o que
Não dá pra entender o que está acontecendo em SP, o estado mais desenvolvido e próspero da federação, continuar chancelando um governo que lhes impõem; falta dágua, as maiores tarifas de pedágio do mundo, falcatruas milionárias etc..,etc…. Alguém me ajude por favor!
Tio Almir da Bahia
19 de agosto de 2014 10:17 amElementar….
É um estado psicológico chamado da Síndrome de Estocolmo !! O sequestrado se apaixona perdidamente pelo seu sequestrador !!!
Paulo F.
19 de agosto de 2014 5:57 pmA melhor explicação!
É a melhor teoria que vi até o momento para explicar essa barafunda em que SP se encontra!
ROSALVO
18 de agosto de 2014 10:09 pmOS TUCANOS PREGAM E PRATICAM
OS TUCANOS PREGAM E PRATICAM O LIBERALISMO NA SUA PIOR VERSÃO. DESDE O GOVERNO FHC FICOU EVIDENTE A SANHA PRIVATISTA E CONTRÁRIO AO BEM PÚBLICO.
Heart
18 de agosto de 2014 10:19 pmmeus deus, esse troll aí não leu uma letra do texto
A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, está divulgando a intenção do Governo do Estado de São Paulo em dispor ou vender áreas rurais atualmente destinadas à pesquisa científica. Segundo a agência, são 42 unidades, com área total de 16 mil hectares, sendo que 1,2 mil hectares poderiam ser disponibilizados imediatamente, representando uma captação de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão.
anarquista sério
18 de agosto de 2014 11:02 pmO P S D B ‘privatiza e o Pt
O P S D B ‘privatiza e o Pt forncece ”concessão” por 250 anos .renovável por igual periodo por 50 x.
Alguém pode me explicar a diferença?
Wagner Souza
19 de agosto de 2014 1:09 amprivatizacao….
E quem vai comprar? a Monsanto, a Cargil, a Dupont?
Wendel Casemiro
19 de agosto de 2014 2:45 amque bicho é aquele?
Que inseto é aquele na primeira foto superior à esquerda?
André LB
19 de agosto de 2014 10:49 amÉ um tucanus corruptus.
É um tucanus corruptus.
vera lucia venturini
19 de agosto de 2014 12:04 pmMais que governo fdp. E ganha
Mais que governo fdp. E ganha a eleição dom 55% dos votos.
Maurilo Monteiro Terra
25 de agosto de 2014 1:08 amPrivatização tucana no Campo por Renato Simões
Concordo plenamente com o nobre Deputado Federal Renato Simões, lutador incansável pela revitalização dos 19 Instiutos de Pesquisa do estado de SP. Durante 20 anos do governo do PSDB no Estado de São Paulo, os Institutos de Pesquisa das Secretarias de Estado de Agricultura e Abastecimento, Meio Ambiente e Saúde da Administração Direta deste Estado estão sendo sucateados, conscientemente, com a ausência contínua e premeditada de recursos financeiros para contratação de novos Pesquisadores Científicos, técnicos e auxiliares de apoio à pesquisa, para investimentos, para diárias, combustíveis, etc. O novo avanço do governo Alckimin é em direção à venda de áreas agricultáveis para pesquisa do Centro de Pesquisa Central de Campinas e Polos Regionais do nosso estado, com a conivência e aproveitamento pessoal do Coordenador da APTA, Orlando Mello de Castro, “uma cobra mandada” para desempenhar o papel de executor das idéias privatizantes do Governo tucano. Infelizmente, a nossa mídia, com raras exceções, não tem dado espaço para contrapor esta empreitada de desmonte do patrimônio público. Temos que unir forças contra esta empreitada tucana, pois os Institutos de Pesquisa centenários, reconhecidos nacional e internacionalmente, como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Butantã e Instituto Florestal, não podem “morrer”. Isso seria um crime de lesa pátria. Vamos reagir administrativamente, e também pelo Ministério Público.
Obrigado, mais uma vez, Deputado Renato Simões, por defender nossos Intitutos de Pesquisa. Conte conosco.
Maurilo Monteiro Terra – Pesquisador Científico aposentado do IAC – ex-presidente da APqC e SBF.