Advogados acrescentam acusações e pedem urgência em impeachment contra Bolsonaro

José Rossini Corrêa e Thiago Aguiar afirmam que Bolsonaro vem reincidindo em crimes de responsabilidade, "sem nenhum tipo de escrúpulo ou controle"

Reprodução

Jornal GGN – A fuga do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, aos Estados Unidos e a prisão de Fabrício Queiroz na casa do advogado e amigo da família Bolsonaro passam a constar nos pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro.

É o caso dos advogados José Rossini Campos do Couto Corrêa e Thiago Santos Aguiar, que acrescentaram estes argumentos em seus pedidos já formulados no Supremo Tribunal Federal (STF). Afirmam que Bolsonaro vem reincidindo em crimes de responsabilidade, “sem nenhum tipo de escrúpulo ou controle”.

Citam como exemplo de reincidência dos crimes “a ordem de invasão de hospitais”, no caso em que o mandatário estimulou seus seguidores, nas redes sociais, a irem fiscalizar se realmente faltavam camas em hospitais, conforme se vinha noticiando; a “fuga” do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, para os Estados Unidos e a prisão de Queiroz no imóvel de propriedade do amigo de Bolsonaro.

Na solicitação, os advogados ainda pedem que a Suprema Corte obrigue o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a analisar o impeachment, de forma a evitar mais uma blindagem do Congresso nos pedidos de responsabilização contra o mandatário.

No caso específico da “fuga” de Weintraub, Corrêa e Pádua citam que o mandatário atuou em “conluio” com o ex-ministro. “Como se já não fosse o suficiente, o presidente da República cometeu outro potencial crime de responsabilidade quando simulou, com desvio de finalidade, a exoneração do então Ministro da Educação Abraham Weintraub, (…) para que este último pudesse sair do país e ingressar nos Estados Unidos usando passaporte diplomático, (…) confirmando o crime de responsabilidade quando da posterior ‘retificação’ da data da exoneração.”

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No pedido de investigação e responsabilização contra Bolsonaro, os advogados pedem a cooperação dos EUA, com o envio “urgente” das informações sobre “quaisquer contatos (formais ou informais) realizados pelo governo brasileiro (por quaisquer de seus membros da chancelaria ou de qualquer espécie)” para o ingresso do ex-ministro ao país.

O pedido original dos advogados alegava, entre outros fatos, a suposta ilegalidade da campanha “O Brasil não Pode Parar”, no qual o governo confrontava as regras sanitárias de isolamento contra o coronavírus; as manifestações do qual o mandatário participou que incluem pedidos de intervenção militar, entre outras atuações.

“Esse tipo de desprezo, verdadeiramente abjeto para com a República, tem sido ecoado nas falas, comportamentos e omissões do Presidente da República, que não ostenta as condições necessárias para a dignidade que o cargo exige, já tendo perdido de há muito, as condições de governar”, apelam.

Os advogados encaminharam o pedido ao ministro Celso de Mello, nesta quarta-feira (24), alegando, além dos fatos novos, que o Legislativo estaria cometendo “omissão” ao não avaliar a abertura de impeachment.

 

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3 comentários

  1. Paciência, paciência. Os golpistas dentro do golpe, já andam armando a tomada do poder. Tudo bem que tem mais de uma chapa. Vou colocar por ordem de “prioridades”:
    – Mourão/Globo/Moro
    – Parlamenta-jurismo (Congresso + STF + elite do judiciário)
    Qualquer uma das duas é bem aceita pela mídia corporativa, banqueiros, grande empresariado e classe política da direita ao centro.

  2. Enquanto alguns do STF se encantam e se distraem com o baixar da guarda utópico, o governo avança conquista espaço e conquista o primeiro resultado positivo no TJRJ. Estão dando asas a cobra e o retorno poderá ser fatal.

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