Lucas Nogueira Garcez, o anti-Adhemar, por André Araújo

Por André Araújo

O ANTI-ADHEMAR : PROF LUCAS NOGUEIRA GARCEZ – O Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, eleito em 1947, chega ao fim de seu mandato em 1950 com o Estado destroçado financeiramente e com pesadas denúncias de corrupção.
 
Adhemar tem ambições presidenciais e para sua sucessão precisa de um candidato de reputação ilibada e manejável para suportar sua enorme máquina política que lhe garantiria ou a volta ao Governo do Estado em 1954 ou a candidatura presidencial em 1955. Olhando em volta estava à mão o Secretário de Viação e Obras Públicas, o professor da Escola Politécnica Lucas Nogueira Garcez. De tradicional família paulista, católico de comunhão e missa, com irmãs freiras e irmão juiz, o Professor Garcez era a antítese de Adhemar em tudo. Com apoio da máquina adhemarista do Partido Social Progressista-PSP, ganhou a eleição, tendo como Vice Governador Erlindo Salzano, também indicado por Adhemar.
 
No decorrer do Governo deu-se o mantra da política brasileira, a criatura volta-se contra o criador, de uma maneira violenta.

 
Adhemar tenta mandar em Garcez mas esse logo de início não aceita e acabam rompendo com estrondo, Adhemar ameaçado de prisão pelo sucessor cai no ostracismo e perde a eleição de 1954 para Jânio Quadros, por falta de apoio de Garcez.
 
O Vice Governador Salzano escreve um nutrido livro de mais de 500 páginas fustigando o Governador com o título “O Crime Perfeito do Prof. Lucas Nogueira Garcez” onde narra com riqueza de detalhes todos os passos do rompimento do Governador com seu padrinho político, um enredo de Maquiavel, porque na superficie Garcez era gentílissimo com Adhemar e no subterrâneo o minava desde o primeiro dia de Governo, enfraquecendo a máquina política do adhemarismo. Conta inclusive uma reunião secreta de Garcez com Janio, então Prefeito de São Paulo numa garagem da Rua da Glória.
 
Garcez foi um bom governador de São Paulo, austero e operante. Catedrático de engenharia hidráulica, foi o grande impulsionador do sistema hidroelétrico paulista, um dos maiores do mundo, com 22 usinas, a maioria de grande porte.
 
Criou o DAEE – Departamento de Aguas e Energia Eletrica e a CESP-Centrais Eletricas de São Paulo. da qual cuidou como um pai até morrer em 1982, tendo sido por décadas presidente e diretor da CESP e suas subsidiáarias.
 
Criou o Parque do Ibirapuera para as fabulosas comemorações do 4º Centenário de São Paulo em 1954, um dos grandes eventos comemorativos mundiais daquele ano, que saiu na capa da revista TIME e e teve a presença de Reis e Rainhas, Chefes de Estado e delegações de todo o mundo, também criou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a OSESP.
 
Garcez era um homem modesto de postura e comportamento, abominava mordomias, toda 5ª feira jantava com a esposa dona Carmelita  em um pequeno restaurante atrás do Hotel Hilton, passava pontualmente às 19 horas no restaurante Marcel, escolhia os pratos, depois ia ao cinema em frente, no Hilton e acabado o filme voltava para o restaurante para jantar, apenas com o motorista guiando, porque Garcez não dirigia automóvel. Morava na rua Diamante na Aclimação, bairro de classe média tradicional. Conheci bem a família através de uma cunhada dele, nossa amiga de casa além do que morava na Av.Turmalina, a poucos metros da casa do governador. Garcez nunca mais voltou à politica como candidato mas era como se fosse o “dono” do sistema CESP estatal, atravessando vários governos,  lembrando Enrico Mattei, criador da ENI, a grande petroleira estatal italiana da qual foi presidente desde sua fundação até morrer.
 
Garcez foi o grande erro de cálculo de Adhemar mas este teve fôlego para ser novamente Governador de São Paulo e ser um dos três líderes civis do movimento de 1964, que depois o cassou.

3 comentários

  1. Haja religião

      Três irmãos dele seguiram vida religiosa, Maria Teresa, Matheus e a mais famosa, a arquiteta  Maria do Carmo ( Irmã Teresa do Menino Jesus, carmelita enclausurada desde os 21 anos de idade ), que veio a falecer no ano passado, pelo menos o filho dele, o Nelson,seguiu o pai, é engenheiro.

       E AA, como diria Ademar, ao lado de Leonor, e como guarda costas o “Dr. Ruy “, é “fé em Deus e pé na tabua”.

        P.S.: AA, vc. passeou na “boite voadora ” ?

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