3 de junho de 2026

A greve de fome do jogador palestino Mahmoud Sarsak

De blog O Território

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Mahmoud Sarsak, o jogador palestino à beira da morte

por Arturo Hartmann

O palestino Mahmoud Sarsak – jogador da seleção palestina – chega a seu 88o dia em greve de fome e, por todas as contas, será o prisioneiro palestino com mais dias sem comer em protesto contra a estrutura prisional da ocupação israelense. E parece estar determinado a levar o ato político às últimas consequências.

No domingo, informa a agência Maan, seu advogado, Mahmoud Jabarin, esteve com o prisioneiro e o convenceu a tomar leite até esta quinta-feira, já que sua sentença passaria por uma revisão e ele poderia ser libertado. Já naquele momento, Sarsak estava com risco de paralisia e perda de consciência, segundo depoimentos de médicos ao advogado.

Hoje, no entanto, a Addameer (Associação de apoio a Presos Palestinos) disse que não tem notícias de qualquer sessão a ocorrer hoje para a revisão do caso de Sarsak por parte da Corte Militar. O tempo está cada vez mais curto e ele pode ser a primeira fatalidade dos protestos dos prisioneiros que se iniciou no ano passado.

Sarsak protesta contra a Lei do Combatente Ilegal (aprovada em 2002), uma forma de detenção administrativa utilizada para controlar os palestinos da Faixa de Gaza. Assim, pode mantê-los presos sem acusação ou necessidade de julgamento agora que oficialmente não ocupam mais Gaza, e a detenção administrativa não poder mais ser aplicada como na Cisjordânia. Ele foi preso em 23 de agosto de 2009 quando saia de Gaza para um amistoso na Cisjordânia, no campo de refugiados de Balata, nos arredores de Nablus. Desde então, teve sua detenção prorrogada seis vezes sem saber das acusações que recaem sobre ele.

Sarsak não é o maior jogador do mundo, como algumas mensagens de apoio na internet proclamam, mas com certeza é o mais corajoso. Ele é o último dos palestinos que usam a greve de fome para denunciar a legislação prisional israelense. Já há quase um ano, centenas de presos começaram uma greve de fome coletiva, mas pararam depois do Acordo Shalit, em setembro, que libertou 4 mil palestinos. Logo em seguida, alguns foram presos novamente, a situação nas prisões não mudou e percebeu-se que Israel poderia usar a ocupação para tornar a libertação dos palestinos nula.

Surgiu então a figura de Khader Adnan, que inicou uma greve de fome e bateu às portas da morte, mas conseguiu um acordo em fevereiro com as autoridades israelenses ao chegar ao 68o dia sem comer. Ele foi libertado de sua detenção administrativa em abril. Seu relativo sucesso fez explodir a Intifada do estômago. Hana Shalabi também se aproximou da fatalidade e conseguiu um acordo em abril. Nesse momento, dezenas de palestinos começavam a passar dos 30 dias sem comer e dois mil juntaram-se ao protesto.

Foi o sinal para um acordo, dessa vez entre Israel e as lideranças da prisão, mas este foi mais um daqueles acordos do “Território”. Os palestinos comemoram uma vitória parcial – em parte temida pela própria Autoridade Palestina -, assim sobrevive a resistência, e os israelenses fingem que cumprirão alguma coisa de sua parte, desse modo escondendo o poder de controle da ocupação e falseando alguma fraqueza diante dos “parceiros que não sabem negociar”. Assim, a ocupação pode continuar.

Sarsak não foi contemplado com o acordo, já que ele não queria apenas a melhora das condições das prisões mas a sua libertação e o fim das prisões pela Lei do Combatente Ilegal. A Intifada do estômago ainda não acabou.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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