Da Folha
A crise se consumará no país vizinho se houver o esgotamento das reservas em moeda estrangeira
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
Em 23 de janeiro, o peso argentino desvalorizou-se 10% e foi a 7,75 por dólar –foi a 13 pesos no paralelo. No Brasil, falou-se em crise cambial. Será isso mesmo ou, desde a posse, em novembro, do jovem ministro da Economia, Axel Kicillof, o país está no caminho de sair da crise?
A Argentina estava ameaçada do “eterno retorno” que caracteriza o ciclo populista de expansão seguida de crise financeira. O processo começa com uma crise de balanço de pagamentos, quando credores perdem a confiança e suspendem a rolagem da dívida externa. O país deixa de honrar débitos externos.
Em seguida ocorre a apreciação cambial (poucos anos), causada em boa parte pelo uso do câmbio para segurar a inflação, até que a taxa de câmbio alcance um “piso” correspondente a um deficit em conta corrente elevado, superior ao crescimento do PIB, que implica endividamento crescente do país.
Mas todos estão felizes: assalariados, rentistas e governo –aqueles porque suas receitas aumentaram artificialmente, este porque sua popularidade aumentou.
E a felicidade torna-se ainda mais alta, pois o governo, além de incidir em deficits em conta corrente irresponsáveis, entra em deficits fiscais igualmente irresponsáveis, atendendo às demandas dos eleitores.
Mas, alcançado o piso cambial, o país entra na fase de fragilidade financeira. Não entra em crise pois os credores externos, igualmente felizes, alimentam a bolha de crédito.
Ao mesmo tempo, a inflação se acelera devido às pressões de demanda, e o Banco Central, que não pode mais segurar a inflação com “âncora cambial”, aumenta os juros para controlá-la –e também para atrair capitais que cubram o deficit em conta corrente.
Por mais alguns anos, o país vive na armadilha de juros altos e câmbio sobreapreciado, até que os credores novamente perdem a confiança, e a crise cambial se desencadeia.
Na Argentina, que não tem acesso ao crédito desde a crise financeira de 2001, a crise se consumará se houver o esgotamento das reservas em moeda estrangeira.
Entre 2003 e 2007, um peso próximo do equilíbrio competitivo (cerca de 3,7 pesos a preços de 2007) garantiu alto crescimento. Mas, a partir desse ano, a inflação se transformou em problema. O governo não resistiu ao populismo e segurou o câmbio para controlar a inflação.
Em consequência, o regime de alto crescimento acabou, enquanto o peso se valorizava e as reservas diminuíam. O resultado foi, há cerca de dois anos, a perda de confiança dos argentinos no peso e seu aumento violento no mercado paralelo. Era a crise que se delineava.
Ao chegar agora a cerca de 8 por dólar, o peso recuperou o equilíbrio competitivo, o governo diz que ele chegou ao nível desejado e, sem temer aumento do preço oficial do dólar, suspendeu restrições à compra de dólares, para reduzir o paralelo.
Se a estratégia de manter o câmbio no nível competitivo tiver sucesso, as expectativas de lucro crescerão, as empresas voltarão a investir, o superavit em conta corrente será recuperado e a Argentina sairá da crise. Mas terá ainda de resolver o problema da inflação, sem, naturalmente, recorrer ao mecanismo nefasto da âncora cambial.
Sérgio T.
27 de janeiro de 2014 10:23 amPalavrinha de Dna. Kirchner…
Todo mundo “acha” alguma coisa do seu governo, então está aqui o que acha a Dna. Kirchner!
Zanchetta
27 de janeiro de 2014 10:24 amMais um bolivariano indo pro
Mais um bolivariano indo pro brejo. Aliás, só não é bolivariano porque o herói nacional é San Martin, que era monarquista.
Motta Araujo
27 de janeiro de 2014 11:01 amBiruta de aeroporto o Bresser
Biruta de aeroporto o Bresser agora invrntou um tracinho no seu sbrenome, algo que nunca usou em sua vida anterior, não fal coisa com coisa, o seu sonho é ser consultado pelo PT, como o Delfim.
Doney
28 de janeiro de 2014 12:10 pmA raposa e as uvas
E o seu sonho, Capitão América, não é ser colunista de veja e/ou afins? Tanto e tanto defende as posições mais reacionárias possíveis, e continua convencendo as paredes do quarto e dormindo tranquilo, sabendo na verdade não era nada daquilo…
Bons tempos eram o de Menem e o de Cavallo, não é mesmo?
Aliás, é necessário ser uma mistura de um burro e um jumento pra sentir falta do cavalo.
alexis
27 de janeiro de 2014 11:36 amTodo cuidado é pouco
Sem poder captar crédito no mercado internacional desde 2001, quando deu o calote na dívida, a Argentina tem dificuldades em captar investimento estrangeiro direto para fechar a balança de pagamentos, deficitária. Somado a isso, a balança de serviços também vem fechando no vermelho, com mais dólares saindo do que entrando no país. O governo está engessado nessa área. Uma das únicas formas em que eles podem mexer para equilibrar as contas é o comércio exterior. Neste panorama, Argentina corre o risco de voltar aos braços do tio Sam (por vontade do atual Governo é que não será), daí é que as tentativas são agora para derrubar Cristina, que é exatamente o que o capital global deseja, dando um golpe fatal ao MERCOSUL.
Motta Araujo
27 de janeiro de 2014 12:22 pmQUER CAPITAL ESTRANGEIRO
QUER CAPITAL ESTRANGEIRO estatizando O CAPITAL QUE LÁ ESTÁ? E a culpa naturalmente é de Tio Sam e não das
imbecilidades que essa Madame pratica todo dia.
iron
27 de janeiro de 2014 7:32 pmA contaminação já começou.
A contaminação já começou. Dolar nas alturas para os proximos dias.
Afinal,é conveniente que a capital do Brazil seja foi Buenos Aires né .
iron
27 de janeiro de 2014 7:32 pmA contaminação já começou.
A contaminação já começou. Dolar nas alturas para os proximos dias.
Afinal,é conveniente que a capital do Brazil seja foi Buenos Aires né .