3 de junho de 2026

Argentina está entrando ou saindo da crise?, por Bresser-Pereira

Da Folha

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A crise se consumará no país vizinho se houver o esgotamento das reservas em moeda estrangeira
 
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
 
Em 23 de janeiro, o peso argentino desvalorizou-se 10% e foi a 7,75 por dólar –foi a 13 pesos no paralelo. No Brasil, falou-se em crise cambial. Será isso mesmo ou, desde a posse, em novembro, do jovem ministro da Economia, Axel Kicillof, o país está no caminho de sair da crise?
 
A Argentina estava ameaçada do “eterno retorno” que caracteriza o ciclo populista de expansão seguida de crise financeira. O processo começa com uma crise de balanço de pagamentos, quando credores perdem a confiança e suspendem a rolagem da dívida externa. O país deixa de honrar débitos externos.
 
Em seguida ocorre a apreciação cambial (poucos anos), causada em boa parte pelo uso do câmbio para segurar a inflação, até que a taxa de câmbio alcance um “piso” correspondente a um deficit em conta corrente elevado, superior ao crescimento do PIB, que implica endividamento crescente do país.

 
Mas todos estão felizes: assalariados, rentistas e governo –aqueles porque suas receitas aumentaram artificialmente, este porque sua popularidade aumentou.
 
E a felicidade torna-se ainda mais alta, pois o governo, além de incidir em deficits em conta corrente irresponsáveis, entra em deficits fiscais igualmente irresponsáveis, atendendo às demandas dos eleitores.
 
Mas, alcançado o piso cambial, o país entra na fase de fragilidade financeira. Não entra em crise pois os credores externos, igualmente felizes, alimentam a bolha de crédito.
 
Ao mesmo tempo, a inflação se acelera devido às pressões de demanda, e o Banco Central, que não pode mais segurar a inflação com “âncora cambial”, aumenta os juros para controlá-la –e também para atrair capitais que cubram o deficit em conta corrente.
 
Por mais alguns anos, o país vive na armadilha de juros altos e câmbio sobreapreciado, até que os credores novamente perdem a confiança, e a crise cambial se desencadeia.
 
Na Argentina, que não tem acesso ao crédito desde a crise financeira de 2001, a crise se consumará se houver o esgotamento das reservas em moeda estrangeira.
 
Entre 2003 e 2007, um peso próximo do equilíbrio competitivo (cerca de 3,7 pesos a preços de 2007) garantiu alto crescimento. Mas, a partir desse ano, a inflação se transformou em problema. O governo não resistiu ao populismo e segurou o câmbio para controlar a inflação.
 
Em consequência, o regime de alto crescimento acabou, enquanto o peso se valorizava e as reservas diminuíam. O resultado foi, há cerca de dois anos, a perda de confiança dos argentinos no peso e seu aumento violento no mercado paralelo. Era a crise que se delineava.
 
Ao chegar agora a cerca de 8 por dólar, o peso recuperou o equilíbrio competitivo, o governo diz que ele chegou ao nível desejado e, sem temer aumento do preço oficial do dólar, suspendeu restrições à compra de dólares, para reduzir o paralelo.
 
Se a estratégia de manter o câmbio no nível competitivo tiver sucesso, as expectativas de lucro crescerão, as empresas voltarão a investir, o superavit em conta corrente será recuperado e a Argentina sairá da crise. Mas terá ainda de resolver o problema da inflação, sem, naturalmente, recorrer ao mecanismo nefasto da âncora cambial.

Redação

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8 Comentários
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  1. Sérgio T.

    27 de janeiro de 2014 10:23 am

    Palavrinha de Dna. Kirchner…

    Todo mundo “acha” alguma coisa do seu governo, então está aqui o que acha a Dna. Kirchner!

     

  2. Zanchetta

    27 de janeiro de 2014 10:24 am

    Mais um bolivariano indo pro

    Mais um bolivariano indo pro brejo. Aliás, só não é bolivariano porque o herói nacional é San Martin, que era monarquista.

  3. Motta Araujo

    27 de janeiro de 2014 11:01 am

    Biruta de aeroporto o Bresser

    Biruta de aeroporto o Bresser agora invrntou um tracinho no seu sbrenome, algo que nunca usou em sua vida anterior, não fal coisa com coisa, o seu sonho é ser consultado pelo PT, como o Delfim.

    1. Doney

      28 de janeiro de 2014 12:10 pm

      A raposa e as uvas

      E o seu sonho, Capitão América, não é ser colunista de veja e/ou afins? Tanto e tanto defende as posições mais reacionárias possíveis, e continua convencendo as paredes do quarto e dormindo tranquilo, sabendo na verdade não era nada daquilo…

      Bons tempos eram o de Menem e o de Cavallo, não é mesmo?

      Aliás, é necessário ser uma mistura de um burro e um jumento pra sentir falta do cavalo.

       

       

       

       

  4. alexis

    27 de janeiro de 2014 11:36 am

    Todo cuidado é pouco

    Sem poder captar crédito no mercado internacional desde 2001, quando deu o calote na dívida, a Argentina tem dificuldades em captar investimento estrangeiro direto para fechar a balança de pagamentos, deficitária. Somado a isso, a balança de serviços também vem fechando no vermelho, com mais dólares saindo do que entrando no país. O governo está engessado nessa área. Uma das únicas formas em que eles podem mexer para equilibrar as contas é o comércio exterior. Neste panorama, Argentina corre o risco de voltar aos braços do tio Sam (por vontade do atual Governo é que não será), daí é que as tentativas são agora para derrubar Cristina, que é exatamente o que o capital global deseja, dando um golpe fatal ao MERCOSUL.

     

    1. Motta Araujo

      27 de janeiro de 2014 12:22 pm

      QUER CAPITAL ESTRANGEIRO

      QUER CAPITAL ESTRANGEIRO estatizando O CAPITAL QUE LÁ ESTÁ? E a culpa naturalmente é de Tio Sam e não das

      imbecilidades que essa Madame pratica todo dia.

  5. iron

    27 de janeiro de 2014 7:32 pm

    A contaminação já começou.

    A contaminação já começou. Dolar nas alturas para os proximos dias.

    Afinal,é conveniente que a capital do Brazil seja foi Buenos Aires né .

  6. iron

    27 de janeiro de 2014 7:32 pm

    A contaminação já começou.

    A contaminação já começou. Dolar nas alturas para os proximos dias.

    Afinal,é conveniente que a capital do Brazil seja foi Buenos Aires né .

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