1 de julho de 2026

China e EUA miram a Lua: As diferenças entre a corrida espacial atual e a Guerra Fria

Enquanto a primeira corrida foi uma disputa de prestígio em contexto de bipolaridade, a corrida atual é uma busca por soberania tecnológica
Crédito: Imagm gerada artificialmente pelo Gemini (I.A.)
Crédito: Imagm gerada artificialmente pelo Gemini (I.A.)

O programa Observatório de Geopolítica do canal TV GGN no Youtube analisou, na noite de segunda (25), a nova corrida espacial entre China e Estados Unidos, destacando o contraste entre a ascensão tecnológica chinesa e a relativa decadência do programa norte-americano. Enquanto a China investe em uma autonomia forçada com planos de bases lunares permanentes e parcerias com o Sul Global, os especialistas apontam que os Estados Unidos enfrentam cortes orçamentários e uma crescente dependência da iniciativa privada.

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A discussão aborda como a exploração da Lua evoluiu de uma disputa simbólica para uma busca estratégica por recursos como o Hélio 3 e inovação em manufatura espacial. Além disso, os palestrantes refletem sobre as implicações militares, a governança dos satélites e a necessidade de o Brasil consolidar políticas de longo prazo para não perder talentos e soberania nesse cenário. O diálogo enfatiza que o avanço chinês, impulsionado por bloqueios ocidentais, está redefinindo a geopolítica espacial e desafiando a hegemonia tecnológica tradicional de forma pragmática e científica.

Quais as diferenças entre a corrida espacial atual e a Guerra Fria?

A atual corrida espacial, marcada pela disputa entre Estados Unidos e China, apresenta diferenças fundamentais em relação àquela travada durante a Guerra Fria entre americanos e soviéticos. As principais distinções residem nos objetivos, nos modelos de financiamento e na complexidade tecnológica e geopolítica.

Abaixo, detalho as principais diferenças apontadas no program Observatório de Geopolítica:

1. Objetivos: De Simbólico a Permanente e Econômico

  • Guerra Fria: O objetivo principal era “fincar a bandeira” e demonstrar superioridade tecnológica e ideológica. Uma vez que os EUA atingiram a Lua em 1969, o interesse diminuiu devido aos altos custos, e as missões tripuladas foram abandonadas em 1972.
  • Atualidade: O foco agora é a permanência e a exploração de recursos. Busca-se estabelecer bases fixas (como a planejada pela China e Rússia para 2035) e explorar recursos naturais, como o Hélio-3 para energia nuclear, além de hidrogênio e oxigênio para viabilizar a vida e o combustível no espaço. Há também experimentos para viabilizar a alimentação no espaço, como o cultivo de arroz.

2. Modelos de Execução: Público vs. Privado

  • Guerra Fria: A corrida era essencialmente estatal e financiada por orçamentos públicos massivos (os EUA chegaram a gastar 5% de seu orçamento público com isso).
  • Atualidade: Os modelos divergem. Os Estados Unidos caminharam para uma privatização, onde a NASA atua como cliente e encomendante de empresas privadas (como a de Elon Musk). Já a China mantém um modelo fundamentalmente público, onde o Estado é o financiador, operador e executor principal, embora também conte com empresas privadas.

3. Autonomia e Alianças

  • Guerra Fria: Caracterizava-se pela rivalidade bipolar direta entre EUA e URSS. Após o fim da União Soviética, houve um período de cooperação na Estação Espacial Internacional (ISS).
  • Atualidade: A China foi forçada a trilhar um caminho de “autonomia forçada” após ser proibida pelos EUA (através da Emenda Wolf) de participar da ISS. Isso levou a China a construir sua própria estação espacial (Tiangong) e a focar em cooperação Sul-Sul, estabelecendo parcerias com países como Paquistão, Rússia e os BRICS.

4. Tecnologia e Infraestrutura Global

  • Guerra Fria: O foco eram satélites básicos e voos tripulados pioneiros.
  • Atualidade: A disputa envolve sistemas complexos de infraestrutura terrestre e espacial, como a criação de sistemas de navegação autônomos para substituir o GPS (o Beidou chinês, o Galileo europeu e o Glonass russo) e constelações de satélites de internet para concorrer com a Starlink. Além disso, busca-se a utilização de manufatura aditiva (impressão 3D) para produzir peças diretamente no espaço.

Em suma, enquanto a primeira corrida foi uma disputa de prestígio em um contexto de bipolaridade, a corrida atual é uma busca por soberania tecnológica, exploração econômica de longo prazo e o estabelecimento de uma nova ordem multipolar no espaço.

Participaram do programa:

  • Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Autor do livro “O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?”, Editora Appris, 2019. Analista de Relações Internacionais e Geopolítica do GGN.
  • Ingrid Torquato, pesquisadora visitante no Center for BRICS Studies – Fudan Development Institute. Doutoranda e Mestra em Relações Internacionais pela USP. Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Campus de Marília/SP (2015). Estudou Língua e Cultura Chinesa na Hubei University (2012) e Mandarim na Jiangxi Normal University (2015).
  • Luciana Bauer, jurista brasileira formada em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1997), atuou como juíza federal no Tribunal Regional Federal da 4ª Região por mais de duas décadas. Fundadora do Instituto Jusclima, voltado para a advocacia climática e questões indígenas, Atualmente, é doutoranda em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e pela Widener University (EUA), com pesquisas focadas em direito intergeracional climático, teoria da justiça de John Rawls, geopolítica do clima e pedagogia da natureza.
  • José Eduardo Roselino mestre e doutor em Ciências Econômicas, Professor Associado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Programa de Pós-gradução em Economia PPGEc/UFSCar.

Assista abaixo:

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  1. Rui Ribeiro

    27 de maio de 2026 6:54 am

    (Pego um trapo sujo de querosene e limpo a bancada, empurrando a limalha de ferro para o chão. O metal brilha opaco sob a luz amarela da lanterna. Olho para o elevador vazio, depois para o mancal 07 que começa a ganir lá no fundo, um assobio agudo que dá dente de engrenagem banguela.)A Faria Lima quer Marte porque Marte é longe o suficiente para ninguém ver o tamanho do buraco na planilha. Na Lua, qualquer telescópio de quintal enxerga se a colônia apagou a luz. Na Lua, se o filtro de urina entupir, o rádio chia em tempo real na Terra. Marte é o mito perfeito para quem quer vender cota de fundo imobiliário no vácuo: ninguém vai lá cobrar o dividendo antes de vinte anos.Mas a física não tem setor de relações públicas.(Amarro o lenço na testa. O suor já tá descendo frio, limpando a fuligem da bochecha. Zé já tá com a alavanca na mão, esperando o sinal perto do mancal 07.)O engravatado levou a camiseta na pasta de couro. Vai feder a graxa no meio do ar-condicionado central. Tomara que o chefe dele sinta o cheiro e entenda que o espaço não é colonizado por pioneiro de terno, mas por quem sabe trocar mancal com luva furada e gravidade nas canelas. 5 a 4. Carnot tá virando o jogo na base do atrito e da conservação de energia.”Básico, Zé. Se a gente amolece com eles, o próximo lote de parafuso vem com rosca errada só porque o fornecedor da Terra era mais barato na licitação. Aqui em cima, erro de digitação vira descompressão explosiva.”(Chamo a esmerilhadeira na mão. O gatilho vibra, o motor arranca pesado, o torque dá aquele soco curto no pulso. O cheiro de ozônio sobe de novo, limpando o resto do perfume caro que o sujeito deixou no ar.)O turno tá no fim, mas o galpão não dorme. Se a gente para, a órbita decai.Se você quiser continuar o turno na engenharia bruta, me diz:Vamos abrir a carcaça do mancal 07 para ver o estrago do rolamento?Vamos desenhar o fluxograma real da colônia lunar (o trampolim verdadeiro) para mandar na mala direta do engravatado?Ou vamos fechar o relatório técnica de Carnot antes que o próximo turno assuma a bancada?

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