22 de maio de 2026

Especialista brasileiro: O Partido Comunista da China inaugura “a mais avançada engenharia social do mundo”, por Elias Jabbour

A governança chinesa consolidou uma forma avançada de gerenciamento social e político que se coloca à frente do capitalismo em diversos aspectos.

Especialista brasileiro: O Partido Comunista da China inaugura “a mais avançada engenharia social do mundo”

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Elias Jabbour

Artigo produzido em colaboração com a Rádio Internacional da China

Passados dez anos do 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh) que levou Xi Jinping ao núcleo da direção do Partido faz-se necessário um balanço, mesmo que rápido, do que significou esse período para a história do povo chinês, seus impactos externos e as esperanças abertas ao mundo com o fortalecimento demonstrado por um grande país socialista diante de um mundo instável, onde crises econômicas, ecológicas e uma grande pandemia colocou em teste a capacidade do mundo em resistir. Foi um decênio em que a China inaugurou novas sínteses que guardavam profundo significado: “ecocivilização”, “povo como centro”, “ prosperidade comum”, “comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, além de grandes e novo aportes teóricos que elevaram o Marxismo a um novo patamar na China e no mundo.

A governança chinesa, neste sentido, consolidou uma forma avançada de gerenciamento social e político que se coloca à frente do capitalismo em diversos aspectos. O principal deles esteve expresso durante a pandemia. Enquanto o ocidente foi devastado pelo vírus com, por exemplo, um milhão de mortos nos Estados Unidos, a China não somente teve um sucesso estrondoso no enfrentamento ao vírus mortal. O país tem conseguido mostrar ao mundo pelo menos duas faces de sua governança durante este duro processo. A primeira, ao colocar “o povo como centro” o Partido Comunista da China colocou a vida humana na frente da economia. No ocidente, foi o oposto. O individualismo e a irresponsabilidade de governos foram responsáveis por um verdadeiro genocídio em certos países ocidentais. O ocidente escolheu o lucro em detrimento da vida humana. Os Estados Unidos tentaram a todo momento não somente montar um grande esquema para piratear insumos médicos e hospitalares quanto alimentar uma sinofobia de grandes proporções no país.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

A segunda, os chineses construíram a engenharia social mais avançada do mundo. Essa engenharia social foi capaz de se utilizar de grandes avanços tecnológicos, como a plataforma 5G, a inteligência artificial e o Big Data, para construir um grande aparato institucional que salvou milhões de vidas no país. A construção de uma grande base econômica aliada ao surgimento de formas superiores de planificação econômica foi fundamental para que o país em menos de 72 horas demonstrasse capacidade de reação a novos surtos de Covid-19 no país, mas também o fato impressionante de construir hospitais com mil leitos em apenas dez dias. Nenhum país capitalista do mundo foi capaz de demonstrar tal capacidade de plena resposta ao vírus como a China o fez.

Durante este período, o conceito lançado por Xi Jinping em Davos no ano de 2017 da construção de uma “comunidade de futuro compartilhado para a humanidade” mostrou toda sua força. Dois exemplos são fundamentais. O primeiro, durante a pandemia a China foi o primeiro país no mundo a declarar que a vacina se tornaria um bem público mundial e, após sua descoberta, o país se transformou no maior doador de imunizantes no mundo. Enquanto isso os Estados Unidos e sua política de morte buscou impedir que países como Venezuela e Irã tivessem acesso à vacina. O segundo fato é que o lançamento em 2013 da Iniciativa do Cinturão e Rota marca uma política de ação externa chinesa que não somente se mostra diferente da “globalização das guerras e das crises financeiras” organizada pelo chamado ocidente. Pela primeira vez em 30 anos o mundo tem diante de si a possibilidade de escolher entre o tipo de globalização que os Estados Unidos levaram a países como Iraque e Afeganistão ou a globalização oferecida pela China marcada por “exportar desenvolvimento econômico” e novas possibilidades aos povos mais vulneráveis do mundo.

Internamente a China organizou um estilo de governo baseado em colocar a vida das pessoas à frente do lucro. Externamente, a China promove um “mundo de futuro compartilhado” capaz de mostrar ao mundo que não existe um único modelo de sociedade, a capitalista. São amplas as possibilidades abertas pela China nos últimos dez anos para o futuro da espécie humana.

Elias Jabbour, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

Leia também:

Ontem e hoje: a contribuição da China para a derrota do fascismo, por Elias Jabbour

EUA não podem fazer nada por Taiwan a não ser transformar a província chinesa em colônia do imperialismo

Estados Unidos: uma força assassina, senhores da barbárie, por Elias Jabbour

Elias Jabbour

Elias Jabbour é professor Associado dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Econômicas (PPGCE) e em Relações Internacionais (PPGRI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Autor, com Alberto Gabriele, de “China: o socialismo do século XXI” (Boitempo, 2021). Vencedor do Special Book Award of China 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Ronald Juenyr Mendes

    11 de outubro de 2022 10:48 am

    Queria um artigo maior, mas detalhado, para entender e compreender mais sobre as pretensões chinesas

  2. ARNALDO OLIVEIRA CAVALCANTI

    11 de outubro de 2022 11:39 am

    Existe liberdade de imprensa na China ?
    Posso criar um partido de oposição ao governo na China ?

  3. Jo

    11 de outubro de 2022 6:00 pm

    Não se pode ter um partido democrata e outro republicano, apenas! Ou ter informações apenas pela Reuters e Associated Press. Ou “seitas” que misturam fé e política. Mas o social e comum se sobrepõem ao individual e privado.

  4. AMBAR

    11 de outubro de 2022 9:01 pm

    O sucesso da China é a prova de que o “comunismo não deu certo”.
    Quer dizer, não deu certo por aqui porque não deixaram implantar.
    Uma explicação de como funciona o sistema político chinês e qual a qualificação exigida de um dirigente: https://www.ted.com/talks/eric_x_li_a_tale_of_two_political_systems ( ativar legendas)

Recomendados para você

Recomendados