Diante do rápido avanço dos partidos de extrema-direita na Europa e em face às eleições para renovar o Parlamento Europeu, que ocorrerá em meados de junho, o presidente Lula usou a visita do presidente da Espanha, Pedro Sánchez, para alertar os riscos, em seu discurso oficial e também em editorial publicado no El País, nesta quarta (06).
Entre os dias 6 e 9 de junho próximos, 400 milhões de eleitores irão votar e renovar o Parlamento Europeu, a maior eleição transfonteiriça do mundo. Há a expectativa que boa parte destas cadeiras sejam ocupadas por representantes de extrema-direita, em meio ao avanço desses partidos na Europa e uma vez que, juntos, eles são a segunda maior força política de todos os países do bloco.
“Poucas vezes na história recente o apoio entre forças progressistas mundiais se fez mais necessário e urgente”, disse o presidente brasileiro a Sánchez, com a imprensa a espanhola a postos para a divulgação de suas palavras.
Ao primeiro-ministro espanhol, Lula dedicou um discurso afetuoso, lembrando-se de quando o líder o recebeu quando ele havia acabado de recuperar a liberdade, em 2021, e elogiando o seu “espírito progressista e inovador”.
E pediu o apoio do espanhol para os problemas mundiais, como a fome, crise climática, intolerâncias política e religiosa e xenofobia, mas, principalmente, para impedir “o extremismo e suas novas faces, que têm proliferado sobretudo no mundo digital”.
“Sua visita de hoje é, portanto, muito mais do que um passo para o aprofundamento das relações bilaterais. É também uma importante oportunidade de fazer avançar a luta contra o extremismo e suas novas faces, que têm proliferado sobretudo no mundo digital”, afirmou.
Lula enfatizou que “as forças democráticas precisam voltar a ser portadoras de futuro e devolver ao mundo a fé na política”, e disse a ele que caberá “a nós [os governos progressistas] provar que a democracia é o melhor caminho para o enfrentamento dos graves problemas sociais que nos afligem”.
O teor da mensagem também foi o mote do editorial publicado nesta quarta-feira (06), no El País da Espanha, justamente quando Sánchez encontra-se no Brasil.

Assinado diretamente por Lula, o presidente escreve no jornal espanhol que é “preocupante” o aumento da extrema-direita no mundo. “Poucas vezes o apoio entre as forças progressistas do mundo, como a aliança entre o Brasil e a Espanha, foram tão necessárias como agora”, disse.
Ao longo da publicação, o presidente eleva os conceitos progressistas de luta contra o armamento, a morte de inocentes em guerras, as desigualdades mudniais e a fome. E expôs os cenários atuais de crise como terrenos férteis para o avanço dos modelos da ultra-direita.
Lula alerta:
“Nas últimas décadas, um modelo econômico exclusivo concentrou os rendimentos e ampliou as disparidades. A desigualdade se transformou em terreno fértil para o extremismo. Quando a democracia falha na hora de garantir o bem-estar dos cidadãos, prosperam as figuras que vendem soluções simplistas a problemas complexos, semeando a desconfiança no processo eleitoral e nas instituições políticas.”
E continua:
“Enfrentamos um preocupante incremento da extrema direita e de suas heranças tradicionais de desgregação social: o autoritarismo, a violência, a precarização trabalhista, o negacionismo climático, o discurso do ódio, a xenofobia, o racismo e a misoginia.”
Ao concluir o editorial, o presidente brasileiro disse, assim como em seu discurso, que “é nossa responsabilidade trabalhar juntos para que a indiferencia não prevaleça sobre o humanismo, e para que as injustiças que se disseminam dentro dos países e entre eles deem lugar à solidariedade e à cooperação”.
Jose de Almeida Bispo
6 de março de 2024 8:36 pmNunca Che foi mais realista, atual que agora: Hay que endurecerse sin perder la ternura jamás!
Eles, os malucos, os irresponsaveis e os criminosos da extrema-direita estão decididos; ao centro e a esquerda é terminantemente proibido vacilar. A alternativa será mais um desastre padrão fim dos anos 30, início dos 40. Muito mais ampliado.