A Organização das Nações Unidas (ONU) soou o alarme sobre a devastadora crise instaurada em Mianmar, após a nação do sudeste asiático ser atingida por dois terremotos de magnitude 7,7 e 6,4 na última sexta-feira (28). O desastre natural deixou um rastro de destruição generalizada, impactando profundamente cerca de 20 milhões de pessoas que já se encontravam em situação de vulnerabilidade e dependentes de ajuda humanitária.
Ontem (30), o chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, que detém o poder desde o golpe de 2021, informou que o número de mortos em decorrência do sismo ultrapassava 1.700, com mais de 3.400 feridos. No entanto, a agência de notícias local Mizzima elevou o número de mortos para cerca de 3 mil, evidenciando a gravidade da situação e a dificuldade em contabilizar as vítimas, muitas ainda desaparecidas.
“As pessoas necessitam urgentemente de abrigo, assistência médica, água potável e saneamento básico. Este desastre impõe uma pressão ainda maior sobre uma população já fragilizada, que enfrenta uma crise humanitária alarmante“, declarou o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em sua conta na plataforma X (antigo Twitter).
Em resposta à emergência, o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, liberou US$ 5 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências para apoiar os esforços de ajuda em Mianmar. Já o Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) disponibilizou um montante inicial de US$ 10 milhões para auxiliar nas operações de socorro e reconstrução.
Crise humanitária agravada
O desastre ocorre no momento em que Mianmar já luta para se recuperar de uma grave crise humanitária, desencadeada por conflitos internos persistentes e eventos naturais anteriores. Desde o golpe militar de fevereiro de 2021, mais de 3 milhões de pessoas foram deslocadas devido aos confrontos entre as forças da junta militar e diversos grupos armados que disputam o controle do país.
Diante da calamidade, o Governo de Unidade Nacional, que representa a administração civil democraticamente eleita e deposta pelo golpe, fez apelo por um cessar-fogo de duas semanas para permitir a chegada de ajuda humanitária àqueles que mais necessitam. A iniciativa recebeu o apoio da ONU, que reforçou a urgência da situação.
“O recrutamento militar deve ser suspenso; os trabalhadores humanitários não podem temer a prisão e não deve haver obstáculos para que a ajuda chegue onde é mais necessária. Cada minuto conta“, enfatizou Tom Andrews, especialista independente nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar a situação em Mianmar, em publicação no X.



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