13 de junho de 2026

O fator medo nos mercados globais, por Kenneth Rogoff

Medo de novas crises paralisa realização de reformas

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Jornal GGN – A grande volatilidade do mercado financeiro no ano passado se deve a uma série de riscos e incertezas como o crescimento chinês, os bancos europeus e o excesso de petróleo. No primeiro bimestre, o pânico dos investidores estava em torno de uma recessão dos Estados Unidos – fator citado por 21% dos entrevistados em pesquisa elaborada pelo jornal norte-americano Wall Street Journal.

“Não vou negar que existem riscos. Um impacto grande o suficiente para o crescimento da China ou para o sistema financeiro da Europa certamente poderia derrubar a economia global do crescimento lento à recessão. Um pensamento ainda mais assustador é que, por esta altura no próximo ano, a presidência dos Estados Unidos pode ter se transformado em um reality show”, diz Kenneth Rogoff, professor de políticas públicas e economia da Harvard University, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Contudo, a partir de uma perspectiva macroeconômica, Rogoff diz que os fundamentos não são apenas ruins. “Os números do emprego tem sido fortes, a confiança do consumidor é sólida, e o setor de petróleo não é apenas grande o suficiente em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) para a queda dos preços para trazer a economia dos EUA de joelhos. Na verdade, o piloto mais subestimado do sentimento do mercado agora é o medo de outra crise enorme”.

O economista lembra que existem alguns paralelos entre a inquietação de hoje e sentimento do mercado na década após a Segunda Guerra Mundial. Em ambos os casos, havia uma demanda desmedida por ativos seguros.

Os mercados estavam em estado de alerta mesmo uma década após a Segunda Guerra Mundial. “As pessoas ainda se lembravam de como o mercado de ações dos EUA caiu 90% durante os primeiros anos da Grande Depressão. Na década de 1950, não era difícil imaginar que as coisas podiam dar errado novamente. Afinal de contas, o mundo tinha acabado de passar por uma série de catástrofes, incluindo duas guerras mundiais, uma epidemia de gripe global, e, claro, a própria depressão. Sessenta anos atrás, o espectro da guerra atômica também parecia muito real”, pontua Rogoff.

Por outro lado, a explicação mais convincente, porém, é que os mercados estão com medo de que, quando emergem riscos externos, políticos e legisladores serão ineficazes em confrontá-los. De todas as fraquezas reveladas pela crise financeira, a paralisia política tem sido a mais profunda.  

“Alguns dizem que os governos não fazer o suficiente para alimentar a demanda. Embora isso seja verdade, não é toda a história. O maior problema que sobrecarrega o mundo de hoje é o fracasso da maioria dos países para implementar reformas estruturais. Com o crescimento da produtividade, pelo menos temporariamente preso em baixa velocidade, e a população global em declínio a longo prazo, do lado da oferta, não falta de demanda, é a restrição real nas economias avançadas”, diz o articulista.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. altamiro souza

    12 de março de 2016 12:02 am

    a técnica do temor, do

    a técnica do temor, do medo,

    a técnica do terrorismo economico,

    ja´esta sendo usada no brasil  há um bom tempo…

    só agora observou-se que o conluio grande mídia et caterva,

    atendia a interesses internacionais poderosissimos teleguiiados pelo grande capital…

    o qual espalhou o medo pelo mundo pós 2001 – torres gemeas… 

  2. Dulcinéa

    12 de março de 2016 2:05 am

     
     
          Nunca consegui

     

     

          Nunca consegui entender e creio que vou morrer sem entender esta dualidade Política/Economia.

          Para mim, tudo é Política.  A Economia seria como a Sociologia, a Antropologia e, para ir mais longe, à Psicanálise.

          Antes da Política, só a Filosofia.

  3. Jáder Barroso Neto

    12 de março de 2016 7:58 am

    Quem vai vender o Brasil?

    A relação histórica entre uma potência militar com um país mais fraco sempre resultou em exploração: a Inglaterra protegeu a Coroa Portuguesa no Século XVIII, vendendo ferramentas e tecidos a troco do ouro e diamantes do Brasil Colônia. Isso continua ocorrendo hoje. Esse papo de “Primavera Árabe” me cheira a embuste, com matérias primas dos países “libertados” sendo pilhadas pelos invasores. Acho que o que resta de reservas mundiais de petróleo está sendo disputado a bombas. Mesmo com a possibilidade de fontes alternativas de energia, o petróleo é matéria prima para a indústria de transformação. Alguém acha que fibra de carbono é obtida em árvores? Estamos vivendo no Brasil uma guerra política para ver quem vai vender o Braasil. Nosso sistema político e judiciário sempre foram aliados na manutenção de privilégios de uma elite oportunista. Uma pesquisa genealógica demonstraria que são aparentados a maioria de seus integrantes, como eram as famílias da ARENA e PMDB na ditadura militar.

  4. paulmoura

    12 de março de 2016 11:44 am

    Ora professor

    imaginar que a demanda advém somente dos economias avançadas é uma visão tacanha de mundo.

    Deixem os países em desenvolvimento consumir que não faltará demanda.

     

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