4 de junho de 2026

Por que é indesejada uma maior presença chinesa no Mar da China?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Por Fábio de Oliveira Ribeiro

O aumento da tensão naval na Ásia se tornou um fato corriqueiro na imprensa brasileira.  Mas os analistas tendem a culpar a China e não os EUA pelo que está ocorrendo.

A marinha chinesa está crescendo. Isto é inegável. Este objetivo tem sido metodicamente perseguido pelos chineses nos últimos anos:

https://br.sputniknews.com/portuguese.ruvr.ru/2013_08_07/China-constr-i-marinha-oce-nica-0544/

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/201703077834440-china-aumenta-poderio-marinha/

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/201703137873159-china-aumenta-infantaria-naval/

Todavia, ninguém pode culpar a China por querer preservar a soberania do seu mar territorial em face da agressiva presença dos norte-americanos na Ásia. Desde que ganhou a II Guerra Mundial os norte-americanos estenderam suas fronteiras marítimas para muito além de suas águas territoriais.

Os atritos em curso eram, portanto, previsíveis. Eles são uma consequencia política da doutrina naval dos EUA que foi enunciada de maneira bem eloqüente pelo historiador militar norte-americano Bevin Alexander.

Alexander defende a retaliação preventiva ao sustentar que os EUA “…tem que impedir que qualquer outra nação construa uma grande Marinha porque o controle dos mares é imperativo para a segurança norte-americana.” (A GUERRA DO FUTURO, Bevin Alexander, editado no Brasil pela Biblioteca do Exército)  Além disto, segundo ele “…os Estados Unidos não podem permitir que outras potências conquistem o controle de matérias-primas industriais importantes ou do suprimento mundial de petróleo.” (A GUERRA DO FUTURO, Bevin Alexander, editado no Brasil pela Biblioteca do Exército).

A presença chinesa no Atlantico Norte não seria tolerada pelos EUA. Não vejo porque a China, que está se tornando a maior potência econômica do planeta, deva permitir a presença dos EUA no Mar da China. A Lei Internacional garante aos chineses o direito de tomar medidas defensivas em sua própria costa e desautoriza a evidente agressão dos norte-americanos fora das águas territoriais dos EUA.

Trump disse que os EUA devem voltar a vencer guerras. Ao endossar a doutrina naval norte-americana que contraria o espírito da Lei Internacional, os jornalistas brasileiros podem estar ajudando os norte-americanos a se afundarem de vez em mais uma guerra injusta na Ásia.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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24 Comentários
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  1. Jose mestre Carpina

    13 de março de 2017 5:34 pm

    Tá explicado o golpe e a entrega do Pré-sal..

    …e. incluindo, as cabeças pensantes da nossa deffesa marítima…

    …………………..Alexander defende a retaliação preventiva ao sustentar que os EUA “…tem que impedir que qualquer outra nação construa uma grande Marinha porque o controle dos mares é imperativo para a segurança norte-americana.” (A GUERRA DO FUTURO, Bevin Alexander, editado no Brasil pela Biblioteca do Exército)  Além disto, segundo ele “…os Estados Unidos não podem permitir que outras potências conquistem o controle de matérias-primas industriais importantes ou do suprimento mundial de petróleo.” (A GUERRA DO FUTURO, Bevin Alexander, editado no Brasil pela Biblioteca do Exército).,,,,,,,,,,,,,,,

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      13 de março de 2017 5:41 pm

      Exato. 

      Exato. 

  2. Quintela

    13 de março de 2017 7:29 pm

    Os EUA ganharam a 2ª

    Os EUA ganharam a 2ª Guerra????

    Não sabia disso! Pensei que tinha sido os russos…

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      13 de março de 2017 8:22 pm

      Na Europa os russos
      Na Europa os russos ganharam.
      No Oceano Pacífico os gringos venceram.
      Alguma dúvida, cretino?

      1. Victor Suarez

        14 de março de 2017 10:54 am

        Apesar de terem havido

        Apesar de terem havido milhões de mortes no Pacífico. 90% da guerra se travou na Europa continetal onde 20 milhões de Russos deram suas vidas para evitar o fim de sua Nação pela Alemanha. Na Rússia e Ásia se ensina nas escolas o Dia V da Vitório e não o dia D.

  3. Victor Suarez

    13 de março de 2017 7:34 pm

    A geografia explica o medo da

    A geografia explica o medo da China e a facilidade com que os EUA a estão cercando via parceiros como Japão, Coréia do Sul, Malásia, Indonésia etc. O conjunto de ilhas e bases navais americanas nelas são uma barreira quase que natural para as frotas chinesas. O artigo poderia fazer uma análise dos atuais acordos bilaterais dos EUA e da China com vistas a reforçar ou quebrar essa barreira no mar do sul da China mas também no Mar Oriental da China próximo as ilhas japonesas.

    Não há dúvida que haveria um conflito, principalmente se os EUA não recuperarem sua economia nos próximos anos e os neocons assumirem de vez o barco. Mas acho que a China se assemelha a Rússia. Num conflito direto os EUA perderiam a guerra. A derrota na Síria mostrou que a proxy-war não funcionou, ou seja pagar mercenários (criação do Estado Islâmico) não foi uma estratégia eficiente para derrubar Assad e iniciar o projeto da grande Israel.

    O problema de Trump hoje é que ele definitivamente não controla a CIA, o FBI, o CentCOM etc. Os EUA anunciaram que enviaram soldados para a Síria sem haver nenhum acordo entre Trump e Assad, numa atitude típica de autonomia do Pentágono frente ao governo eleito. A lentidão na mudança dos cargos na área militar e a demissão de Flynn mostra que a área militar, de espionagem e política internacional tem agenda própria. Trump vem sendo ameaçado por gente do próprio governo. Isso me parece mais perigoso que que o Mar do Sul da China.

  4. Cesar Ferreira

    13 de março de 2017 8:24 pm

    Não sou nada simpático aos

    Não sou nada simpático aos americanos quando o assunto é política externa. Mas convenhamos, nessa questão territorial a China está errada; é só observar o mapa para entender isso.

     

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      13 de março de 2017 10:19 pm

      Eu não vi o litoral
      Eu não vi o litoral continental dos EUA neste mapa. E voce?

      1. Cesar Ferreira

        13 de março de 2017 10:45 pm

        Também não vi o do Brasil.

        Também não vi o do Brasil. Porém, qualquer nação cuida do seu quintal zelando pelo respeito das leis internacionais no lugar que for.

        Claro, os EUA pode não ter moral para cobrar respeito a leis internacionais. Mas e daí? Vamos ficar do lado errado só pra ficar contra os EUA?

         

        1. andre simoes

          14 de março de 2017 2:22 am

          olha, geralmente são os USA

          olha, geralmente são os USA que estão errados em se tratando de politica internacional.

           

          1. Cesar Ferreira

            14 de março de 2017 3:38 pm

            Com certeza. O que não

            Com certeza. O que não significa que estão sempre errados… De qualquer forma devemos sempre analisar cada situação por nós mesmos em função dos fatos e não de haver posição favorável ou contrária de quem quer que seja.

        2. Fábio de Oliveira Ribeiro

          14 de março de 2017 9:11 am

          Você escolheu seu lado.
          Não
          Você escolheu seu lado.
          Não estranhe quando sofrer em casa as consequências da derrota dele.

          1. Cesar Ferreira

            14 de março de 2017 3:20 pm

            O meu lado é a coerência a

            O meu lado é a coerência a princípios pouco importando quem é o ator.

            Além disso “qual lado se está” não é contra argumento algum. Se você apela para isso só se mostra desqualificado para qualquer análise que preste.

            O ponto objetivo é se faz sentido os chineses exigirem direitos territoriais sobrepondo-se ao direito natural de paises limítrofes como Vietnã e Filipinas porque o lógico é respeitar os limites territoriais dos outros para que seja respeitado o seu próprio. No caso a solução que me parece razoável seria criarem na intersecção das fronteiras marítimas dos paises que margeiam o Mar da China um corredor com status de águas internacionais.

             

          2. Fábio de Oliveira Ribeiro

            14 de março de 2017 5:48 pm

            Coerência?O Mar da China não

            Coerência?

            O Mar da China não é Mar do Caribe, meu caro.

            Os gringos perderam a Guerra da Coréia, perderam a Guerra do Vietnan e perderão a Guerra no Mar da China.

            Espero que você esteja num barco gringo quando ele for afundado. Mas pessoalmente acredito que você não tem colhões para ir lá defender sua pátria gringa e enfrentar os chineses no mar deles.

             

          3. Cesar Ferreira

            14 de março de 2017 6:11 pm

            …os chineses no mar

            …os chineses no mar deles.

            Já que você é uma pessoa que abomina o imperialismo americano, assim como eu, não deveria defender a China em abocanhar o mar territorial do Vietnã e das Filipinas.

            Uma pergunta que gostaria muito que respondesse… Antes de se meter nesse assunto você tinha visto o mapa das fronteiras marítimas que postei acima ou ficou só na abstração do nome “China” na expressão “Mar da China”?

             

          4. Marcelo33

            15 de março de 2017 8:44 pm

            Os Estados Unidos tem frotas

            Os Estados Unidos tem frotas no Índico e no Atlântico Sul. Analisando a disposição das frotas americanas, a Ideia que se tem é que as àguas territorias americans são justamente toda a superfície dos oceanos. 

            Para cobrar na china neste assunto, os americanos poderiam ter, digamos uma frota no pacífico norte, uma no Atlântico, e forçando a barra um pouquinho, uma no mediterrâneo, em nome dos interesses dos parceiros da OTAN

            Quantos aos Chineses, os americanos tem que escolher se aceitam um mundo multi-polar e aceitam uma presença maior da china no mar da china (Sem necessariamente aceitar essas reinvidicações de mar territorial), ou se estão dispostos a lutar guerra em nome de um mundo unipolar.

  5. Jurandir Paulo

    13 de março de 2017 9:56 pm

    As fronteiras americanas no Pacífico

    São bem anteriores a 2a Grande Guerra. Com a derrota da Espanha em 1898 os EUA ganharam de butim Guam e Filipinas. Nesta, intalaram um terror, vide os relatos de Mark Twain. O Havaí foi tomado em 1900. E o canal do Panamá, obra inicialmente francesa, foi concluído pelos americanos uma década depois. Aquela revolta do chá passou pelo Caribe, foi até a costa do Pacífico e seguiu bem mais para Oeste. A China conhece bem toda esta História e não vai dar mole em casa. 

  6. Jorge Leite Pinto

    13 de março de 2017 10:13 pm

    Para que serve a ONU? Para

    Para que serve a ONU? Para fingir que somos civilizados?

     

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      13 de março de 2017 10:21 pm

      Desde a Guerra do Iraque
      Desde a Guerra do Iraque iniciada por Bush Jr. em 2003 a ONU só tem uma finalidade: dar emprego e renda para diplomatas que discutem temas que serão ignorados pelo Império dos olhos azuis.

  7. Zé Trindade

    14 de março de 2017 12:49 am

    O que eh isso?
    Especialistas

    O que eh isso?

    Especialistas em geopolitica se encontram do DCE?

    Perdao, mas tem gente que nao tem nocao do ridiculo. 

    E ainda se comportam como se tivessem total dominio sobre o assunto..

    Logico que numa bolha FOR eh o cara.

     

  8. jose adailton v ribeiro

    14 de março de 2017 1:40 am

    Ideologia de botequim

    A esquerda jamais irá condenar ou mesmo criticar a política externa da China e da Rússia(este país só para os nostálgicos ainda é considerado uma naçaõ de esquerda). O que esperar da direita?

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      14 de março de 2017 2:20 pm

      A China não pode defender o

      A China não pode defender o mar chinês?

      A Rússia não deve defender o petróleo russo?

      Ok. Agora a pergunta de 1 milhão de dólares:

      Quando você recebe dos EUA para defender a política externa norte-americana no Brasil?

  9. aureliojunior50

    14 de março de 2017 5:47 am

    ” 18 de setembro “

          Todos os anos nesta data as organizações militares chinesas, de todas as forças e niveis, realizam uma cerimonia até em certo sentido triste ao olhar ocidental, mesmo que militar, pois não se comemora, mas se relembra para que nunca mais  seja possivel ocorrer , na História o dia 18/09/1931 é conhecido como o ” Incidente de Mukden “, mas para os chineses, militares ou não, é classificado como o ” Dia da Humilhação”.

             Para muitos oficiais e comissários da PLA Navy ( Marinha Chinesa ), a reforma desta força, de um componente colaborativo ao exército e força aerea, para uma força estratégica de grande poder dissuasório,  capaz de projetar poder, tem seu inicio em 1996, após a 3a Crise do Estreito de Taiwan, quando o governo Clinton colocou duas TFs ( Nimitiz e Independence ) em frente ao litoral chinês, por varios dias realizando “exercicios” junto com forças taiwanesas, e o Comando do PLA ( Comite Central Militar do PCChinês ), percebeu na ocasião que não poderia constestar com meios convencionais tais forças tão próximas a seu litoral, e decidiu por em prática um plano de 25 anos, atnto para modernização de suas forças navais, como aumenta-las tanto em unidades como em “tamanho e tecnologia”, centrando seus esforços para a estratégia naval de contenção chamada  ” A2/AD” ( em português: Anti-acesso / negação de area ), hj. por exemplo nem cogita-se uma TF da US Navy ir “exercitar-se” ( mostrar “bandeira”) np estreito de Taiwan, pois seria  impraticavel e arriscado ( os incidentes de um PA americano com  SS chinêses, o ultimo em 2016, evidencia este fato ).

            Então, em poucas palavras e sem tecnicidades chatas e longas, continuando na visão A2/AD, é fundamental para a China uma projeção de força, ou mesmo apenas de controle, relativas a seus “acessos sul “, mesmo que no “frigir dos ovos” ela tenha que somente garantir a livre navegação na area, mas ao mesmo tempo delimitando que tem o “comando & controle ” livre daquelas areas, principalmente os estreitos.

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      14 de março de 2017 9:13 am

      Grato pelo comentário
      Grato pelo comentário pertinente e esclarecedor.

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