4 de junho de 2026

Roteiro árabe para Gustave Aimard

Por Camille Helena Claudel

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Roteiro árabe para Gustave Aimard

Para quem gosta de política externa, os últimos acontecimentos são uma aula da máxima: “dividir para imperar”. Muito antes do império dos césares essa ideia guiava líderes versados na arte da guerra e foi com o irônico Maquiavel que tivemos tais expedientes, usados pelos príncipes expostos. Os EUA são o aprimoramento da técnica; dividir, iludir, produzir factoides e sombras, adicionando o ensaio de Carl von Clausewitz: A Guerra (Le général de Clausewitz. Sa vie et sa théorie de la guerre) Paul Roques, e RODRIGUES, Thiago. Guerra e política nas Relações Internacionais. São Paulo: Educ, 2010.

Recentemente, uma figura encapuzada saiu de seu anonimato para as páginas dos jornais com ofensivas recentes sobre o Iraque. Depois de distribuir o caos na Síria, Abu Bakr para, mais conhecido como Califa Ibrahim, chefe do Estado Islâmico e Levante, nome que se resume na sigla ISIL ou ISIS ou (inglês, antes se chamava Estado Islâmico Iraque e Sírio e Levante). Esse grupo, há pouco mais de um mês, distribuiu na web imagens de tratores abrindo caminho na Síria rumo ao Iraque.

A Síria foi porta no surgimento desse grupo, como tal, no mundo islâmico; foram eles os elementos que desestabilizaram o país e agora se voltaram para o Iraque em uma empreitada bem sucedida. O Iraque foi um dos países a quem os EUA também prometeram a sua exportação predileta: “a democracia capitalista despersonalizada”, hábito que levaram a outros lugares do mundo no decorrer da história.

O grupo almeja a difícil tarefa de uma restauração em um estado religioso mais radical, uma teocracia que se “uniria através da violência e das armas”. O ISIL, ao adentrar no Iraque com a ajuda dos sunitas (grupo islâmico mais amplo que tem seu nome originário de um livro que seguem biografia do Profeta Maomé, SUNA) redesenha as fronteiras deixadas pelos colonizadores franceses e ingleses que dividiram toda a região em diversos estados, destruindo o Império Otomano que sonhava e mantinha toda a região unida contra os ingleses. Mas esse novo desenho pode ter a anuência dos velhos especialistas ingleses.

No filme Lawrence da Arábia você pode ver todo os desenrolar dessa história e de quebra a ação de um tipo precursor dos infiltrados de hoje, o próprio Lawrence, transformado em herói na visão de muitos pelo cinema. (Vale a pena assistir e rever).

Trailer oficial de Laurence da Arábia a seguir:

O fato é que ISIL tem crescido assustadoramente sendo um grupo, entre os chamados terroristas, com muito capital. Hoje, controla uma área que vai de Aleppo, na Síria, até a Dyala no Iraque. Muitos de seus componentes estavam na Europa, especialmente na Espanha, França e Reino unido. Eles engrossaram as fileiras desse grupo rumo a Síria com intuito de desestabilizar e derrubar o governo de Bashar al Assad.

O grupo tem uma atuação forte pelas redes sociais, porém com características mercenárias e pouco ideológicas ou mesmo religiosas. Sendo originariamente uma dissidência da al Qaeda, tem como fonte de renda as doações de muitos partidários discordantes com as políticas na Síria e Irã; saudosos de um estado islâmico mais rigoroso. Os doadores são empresários do Golfo em sua maioria sendo, o que se sabe oficialmente, entretanto, o lado mercenário se revela nas taxas cobradas pela “segurança” em especial no trajeto de cristãos, onde a promessa exige a conversão ao islamismo (alguns relatam que o Estado e Levante Islâmico tomam suas esposas e filhas e não cumprem os acordos, fazendo simples extorsão). As taxas são cobradas sobretudo nas regiões que controlam as estradas do Iraque, como um pedágio. Um negócio milionário. As últimas estimativas falaram na casa dos oito. Em ataque ao Banco Central iraquiano, há cerca de um mês, o ISIL conseguiu US$ 400 milhões. O grupo saqueia por onde passa e se torna sempre mais rico.

Outras características interessantes, que nos evocam as tristes primaveras árabes, são o uso do capuz e da internet para demonstrar ações como as publicadas na invasão da fronteira iraquiana com a Síria e declarar ideias, propagar ao grupo e conclamar no Twitter.

Recentemente o governo estadunidense declarou um ataque para evitar ou proteger cidadãos, curiosamente, fotos revelaram algo mais; existe uma base estadunidense oculta, até agora, no Iraque:

An american base in Erbil?

Mais fotos em: Rougetete

A verdadeira intenção dos EUA não seria bombardear ISIL mas, apenas proteger esta sua base secreta no Iraque.

Ataques aéreos contra Iraque não visam destruir o ISIL, mas proteger bases secretas dos EUA em Arbil, relata uma fonte próxima e esperta da comunidade muçulmana. E mais, nesta operação há uma dupla finalidade: Destruir a estabilidade dos países e o arsenal da resistência além de inspirar no ocidente uma generalizada islamofobia. Inocular ainda o vírus do sectarismo entre os muçulmanos e dividi-los. Obra dos EUA. Atrás de tudo estão os sionistas, afirma.

Parecendo corroborar suas declarações, estão os fatos e os métodos dos mercenários da ISIL.

Depois, existe a história do” Xeique do Mossad”, Shimon Elliot ou Califa Ibrahim ou ainda Abu Bakr.

O misterioso encapuzado que citamos no início, líder do Estado Islâmico e Levante. Um relatório francês, revela que o Califa é um ex- integrante do Mossad, filho de israelenses. “Não é apenas um agente do Mossad, o israelense chamado “Simon Elliott” ou “Elliott Shimon” foi treinado para chefiar a organização DAASH (ISIS/ISIL), a fim de espalhar o caos nos países árabes vizinhos de Israel” afirma o relatório.

Um outro relatório, de origem iraniana corrobora com a informação. “Abu Bakr al-Baghdadi”, filho de judeus, cumpriu serviços de inteligência e foi treinado para espionar, sendo infiltrado em um dos países árabes para avaliar a organização “DAASH”. Abu teria sido plantado para criar o caos em todo o mundo árabe e a demolição dos estados, o que aumenta as chances de controle de Israel sobre a região do Oriente Médio. Ainda, segundo a inteligência iraniana, outra fonte confirma:

Com o apoio da foto, uma mídia iraniana descobre a verdadeira identidade do Emir do DAASH, um agente sionista treinado. A inteligência iraniana descobriu a verdadeira identidade e completa do Emir do DAASH, que é conhecido sob o nome de Abu Bakr e falso: Ibrahim ibn Awad Ibn e Ibrahim Al Al Badri Arradoui Hoseini.

 Foto 3 

Foto 4 

O plano:

(…) entrar no coração militar e civil dos países que são potenciais ameaças para Israel, a fim de destruir a facilitar, posteriormente, a aquisição pelo estado sionista em toda a área do Oriente Médio, a fim de estabelecer O Grande Israel.

Em recente entrevista, Hillary Clinton critica Obama e se confraterniza com Israel.

O ISIL é coisa nossa, mas perdemos o controle” declarou. Por conta disso, Obama negocia com eles cada vez mais…

Ainda segundo minha fonte magrebina cristã, que não quis se identificar, conta:

Aquilo que é importante explicitar também é que nas entrelinhas, sei das “setas” (como ela diz “ataques”) de tantos sunitas que se dizem sunitas iraquianos, se queixa minha fonte, uma mulher de origem árabe magrebina, porém cristã, sobre a manipulação dos sunitas contra os outros grupos no Iraque.

Continua:

(…) aqui dizem que sou xiita mas ao contrário eu sou cristã

(Xiitas acreditam na adoção de certos parâmetros mais rígidos no islamismo. Esses parâmetros possibilitariam a vinda de um sucessor nascido entre os últimos descendentes d profeta Maomé. São historicamente rivais dos sunitas, exato por acreditar na vinda de um descendente do profeta que governaria o Islã. Os sunitas por sua vez crêem que esse líder estaria entre qualquer um na população islâmica).

Some-se a esse caldeirão iraquiano a questão curda com uma longa história de conflitos no país, os chamados Yazidis: minoria que segue outra religião não islâmica e está por sua vez contra a minoria sunita e jihadistas (ISIL) unidos.

Minha fonte ainda afirma:

Os sunitas, oprimidos no Iraque, Líbano e Síria são aqueles que fazem entrar os jihadistas do ISIL.

(Sunitas são minoria no Iraque e além, dos países citados também no Irã, Líbano, Síria).

ISIL é o elemento corrupto que consentiu na crise síria, continua a fonte.

Quem fala algo perde os amigos, fica isolada  eu mesma já perdi tantos, ainda aqui dizem que sou xiita, mas ao contrário eu sou cristã.  Muitos sunitas demonstram raiva, reagem, então é verdade o que têm feito.

Outro fato palpável é a proibição pelo Estado Islâmico e Levante (ISIL) cada vez maiores, entre bebidas e o fumo menos controversa ao controle das informações e as violações dos diretos humanos, entre elas uma mais forte opressão sobre as mulheres desde não sair de casa até chegar a mutilação genital, que porem não é há ligação com o islamismo, é um uso tribal africano, que remonta ao antigo Egito.

Minha fonte continua:

Muitos sunitas estão se deixando levar.

FOTO 4

Então a minoria sunita levada por um grupo armado bem mais radical e que não os representa, facilita a entrega do Iraque a interesses internacionais e privados, manipulados pelo ISIL que recebe depósitos, armas e tem forte atuação entre jovens muçulmanos atraindo-os com novos meios e certa linguagem também fornecidas, facilitadas, pelos maiores inimigos de uma estabilidade islâmica, em verdade, mas que o ISIL parece pregar. É um jogo de luz, sombras e … espelho entre esses grupos e ocultos financiadores. Como Israel é um espelho dos EUA não me deixa perplexa.

Outro aspecto é muito importante e sempre presente nesse emaranhado de eventos: os interesses ingleses na região, de longa memória, um caso à parte, estão hipocritamente atrás dos EUA, o Golfo e Israel nesse apoio maciço e intrincado ao ISIL.

A fonte continua:

Os  ingleses sempre estão por trás, sempre por trás de tudo, eles. Os “NEOCONS” − velhos colonizadores destas áreas − dividiram-nas em pequeninas fatias, bem o oposto do sonho otomano, após vence-los com a ajuda de infiltrados e promessas . Hoje, só mudaram um pouco o método.

A ISIL controla todas as riquezas do Iraque nesse momento, poços de petróleo e um providencial corredor sunita de gás qatari em andamento quase pronto para dar vazão às reservas descobertas de gás natural do Qatar de cerca de 26 trilhões de m³.

O ISIL e quem está por trás dele avança cada vez mais pela Mesopotâmia.

Mais sobre a situação dramática em que o Iraque se encontra, a partir da ascensão do ISIL:

 Suna não è sectária em geral mas o wahhabismo e o taffirismo salafita sim ao  contrário

 

se nao digo isso  muitos  sunitas se ofendem  nao são  todos sectarios e wahhabistas

 

os  sunitas do Iraque  porém nao são e explico porque  eram os homens  favoritos  de Saddam
 
por isso queria  dizer 

 

Saddam inicialmente era era um brinquedo dos estadunidenses  contra o Irã

 

Lembre aquela inutil guerra sangrenta  Iraque/Irã que  ele levou  avante?

 

e que  resultou  e na sua  rendição ?

 

Bem ,  quando Saddam foi enforcado  dos  homens

 

os  yankes os substituiram no  poder os  xiitas

 

têm entre eles  a gente do  Maliki

 

e è por isso que  os  sunitas agora  apriram  as portas a Daeesh 

 

(Daeesh= ISIS = ISIL)
 
para se  vingar e reaver o poder  perdido
 
entao agora  os papéis estao invertidos 

 

 O  homem dos EUA è aqule que os estadunidenses derrubaram 

 

no seu lugar querem o califa do Mossad

 

para  dar uma frente de guerra ao ‘Irã e a Síria de modo a ocupa-los em  uma luta inglória contra a balcanizaçao do território e a divisisão  tribal religiosa

 

se o Médio Oriente fica  dividido em pequenos estados   guerreando entre si 
Israel se torna a ‘única super potencia

 

 todo um jogo
 
Se entre nesta ótica  tudo que vc explicou se torna clarissimo “
 

questa operazione è il Sykes-Picot numero due

 

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8 Comentários
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  1. Jair Fonseca

    15 de agosto de 2014 3:39 pm

    Que ISIS ou ISIL é coisa que

    Que ISIS ou ISIL é coisa que serviria a interesses norte-americanos/europeus/israelenses é fato. Mas que seu líder seja agente judeu é a fantasia mais descabelada que já inventaram, entre tantas invencionices conspiratórias que há por aí. Não seria preciso que um agente do Mossad fizesse esse papel improvável de líder do tal Estado Islâmico (!!!!). Não faltariam árabes sunitas para isso, entre os aliados dos Estados Unidos…

  2. jns

    15 de agosto de 2014 3:44 pm

    Teoria da Conspiração?

    O líder do ISIS, al-Baghdadi, filho de judeus, é agente do Mossad

    Por Johnlee Varghese | 06 de Agosto de 2014 

    Abu Bakr al-Baghdadi made his first public appearance in Mosul

    Abu Bakr al-Baghdadi fez sua primeira aparição pública em Mosul | Tela YouTube

    O líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi tornou-se alvo de diversas teorias conspiratórias.

    Desde a denúncia do Califado Islâmico no Iraque e na Síria, várias teorias não provadas foram divulgadas. As especulações recentes asseguram que o líder do ISIS nasceu de pais judeus em Israel. 

    De acordo o Veterans Today, Al-Baghdadi é judeu e seu verdadeiro nome é Elliot Shimon. O Veterans Today vai ao ponto de afirmar que ele foi treinado e pago para posar como líder ISIS. 

    A teoria da conspiração certamente parece ter sido inspirada em alegações de que al-Baghdadi foi treinado pelo Mossad.

    Os relatos surgiram no mês passado, alegando que a prova foi vazada por Edward Snowden – que descobriu que o líder do Estado Islâmico foi treinado pelo Mossad – juntamente com as agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido.

    Várias publicações foram rápidas para divulgar a a notícia, que parece ter sido iniciada pelo Gulf Daily News.

    “Snowden disse que os serviços de inteligência dos três países, nomeadamente dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da entidade sionista, têm trabalhado em conjunto para criar uma organização terrorista que seja capaz de atrair todos os extremistas do mundo para um único local, usando uma estratégia chamada de “the hornet’s nest'”.

    Mas a autenticidade da teoria é discutível, porque os documentos de Snowden permanecem em segurança com o Washington Post e os dois jornalistas que primeiro divulgaram a história.

    Snowden tinha dito ao  The New York Times  que os segredos da NSA estão seguros e que ele havia deixado todos os documentos classificados com os dois jornalistas que conheceu em Hong Kong. 

    Biografia de al-Baghdadi

    Enquanto as teorias da conspiração em torno de al-Baghdadi continuam crescendo, o líder do ISIS continua a ser uma figura misteriosa para a maioria das pessoas.

    Com base em informações  fornecidas pelos partidários do Estado Islâmico, o nome real do líder ISIS é Abu Dua, Ibrahim bin Awad bin Ibrahim Al-Badri Al-Radawi Al-Husseini Al Samarra’i.

    Ele é conhecido como um bom pregador e tem amplo conhecimento sobre a cultura islâmica e a Sharia, al-Baghdadi é ex-professor e tem um doutoramento – ele é casado.

    https://archive.org/stream/TheBiographyOfSheikhAbuBakrAlBaghdadi/The%20biography%20of%20Sheikh%20Abu%20Bakr%20Al-Baghdadi_djvu.txt

    http://www.ibtimes.co.in/isis-leader-jew-conspiracy-theory-claims-al-baghdadi-mossad-agent-born-jewish-parents-606213

  3. W K

    15 de agosto de 2014 5:04 pm

    Se dirigentes

    pudessem ser responsabilizados pelos erros que cometem ao governar, por exemplo, respondendo a um processo num tribunal penal internacional, nem um centésimo dessas guerras existiria. 

  4. Flics

    15 de agosto de 2014 7:47 pm

    Quem é Abou Bakr al-Baghdad, o califa do Estado Islâmico?

     

    Doutor Ibrahim, Awwad Ibrahim, Abou Duaa, Al-Shabah (o Fantasma), Abou Bakr al-Baghdadi, e enfim agora Califa Ibrahim. Tantos nomes para designar um mesmo home: Ibrahim al-Badri al-Samarrai, o potente líder do Estado Islâmico (EI)

    No entanto, apesar desta variedade de pseudônimos, só foi em 29 de junho último que o chefe dijhadista de 43 anos mostrou seu rosto ao mundo inteiro, quando ele proclamou seu “califado” sobre o Iraque e a Síria, numa oração desde a grande mesquita de Mossoul, cidade caída nas mãos do EI.

    De “Doutor” à Abou Duas

    Antes, apenas duas fotos – uma em cores do FBI americano, outra em preto e branco do ministério iraquiano do interiores – permitiriam identificar aquele cuja cabeça está a preço de 10 milhões de dólares pelos Estado Unidos desde 2011. Até então, pouco informações sobre ele tinham sido filtradas. Nascido em 1971 a Samarra, no norte da capital iraquiana, Ibrahim al-Badri al-Samarrai teria estudado na Universidade Islâmica de Bagda nos anos 1990.

    Segundo una biografia difundida pelos seus seguidores, ele seria um descendente do profeta Mahomet, uma linhagem prestigiosa indispensável para pretender o título de califa. Eele teria obtido um doutorado de estudos islâmicos – daí seu título de “doutor”.

    Entrou na dijhad em 2003, após a invasão americana, e teve seu primeiro nome de guerra: Abou Duaa, num pequeno grupo armado – Jaiche al-Sunna wal Jamaa- antes de integrar os grupos d`Al-Qaida em Mesopotâmia, sobre o comando do jordaniano Abou Moussab al-Zarkaoui. Foi preso pelo americanos à Falloujah em 2004 e passa cinco anos no campo de detenção de Bucca, período no qual ele se radicaliza um pouco mais. Solto em 2009, quando da liberação de milhares de detentos antes da retirada americana, ele multiplica os atentados mortais e execuções políticas em nome da charia.

    O Novo Emir

    Nesse meio-tempo, Al-Zarkaoui, foi abatido num raide americano em 2006, e Abou Omar al-Baghdadi o sucede como chefe do Estado Islâmico do Iraque, o novo nome d`Al-Qaida em Mesopotâmia. Ele foi morto em abril de 2010 perto de Tikrit. Um mês após, Abou Duaa foi escolhido para sucede-lo. O nono “emir” prende um novo nome de guerra: Abou Bakr al-Baghdadi, referência ao primeiro califa do Islam, Abou Bakr al-Siddik, nome ao qual é incluído aquele da sua vila natal, Bagdá.

    Mas sua organização esta muito enfraquecida. Al-Boghdadi opera então uma “retirada estratégica” que permite à organização se reforçar e acumular um tesouro de guerra graças aos seqüestros e pilhagem de bancos, mas também os bens de cristãos e de chiitas. E em 2011 ele recusa fazer aliança com Al-Qaida e com o egípcio Ayman al-Zawahiri, que ficou no lugar de Ossama Ben-Laden.

     

    Ofensiva Iraquiana

    As “primaveras árabes” rebatem as cartas na região. Na metade de 2011, Al-Baghdadi envia seus homes para a Síria para combater o regime de Bachar al-Assad, mas também os opositores laicos e o “front al-Nosra”, ramo local do EIIL que aliou-se com Al-Qaida. Seu grupo junta então o “Levante” ao nome em 2013 e vira Estado Islâmico em Iraque e Levante (dai o acrônimo EIIL em português, Isis em inglês e Daech em árabe).

    À margem dessa ação na Síria, Al-Baghdad lança uma vasta ofensiva no Iraque. Partindo de Fallouja no ínicio do ano (2014), ele aliou numerosos combatentes sunnites e tomou, no começo de junho, o controle de Mossoul, depois a província de Nínive e uma parte daquela de Salaheddine, de largas porções da região de Al-Anbar e da fronteira com a Síria.

    Conquistas que lhe permitem meter a mão sobre um tesouro de guerra de meio-bilhão de dólares, uma quinzena de poços de petróleo e que fazem do Estado Islâmico o grupo terrorista mais potente do mundo, em termos de armas e financiamento. E Abou Bakr al-Baghdad, ou melhor, agora o Califa Ibrahim, o dijhadista mais perigoso e mais potente no mundo.

    http://www.20minutes.fr/monde/1428263-unpublished-abou-bakr-al-baghdadi-calife-etat-islamique

  5. Jaime

    15 de agosto de 2014 11:06 pm

    Sobriedade, equanimidade

    O que leva esse blog de um jornalista que cita os casos da Escola Base e do bar Bodega como exemplos de seu comportamento sóbrio e equânime a publicar esse tipo de artigo que não passa de teoria de conspiração e que possui 0% de chances de falar a verdade?
    O blog não precisa e nem deve ir com a manada, mas repercutir teorias de conspiração só para ser diferente, isso sim pode comprometer a reputação do blog.

  6. Frederico69

    16 de agosto de 2014 1:20 am

    então

    “Não faltariam árabes sunitas para isso, entre os aliados dos Estados Unidos…”

    parece mais fácil achar um nazisraelita disposto ferrar os árabes…

    1. Jair Fonseca

      16 de agosto de 2014 2:41 pm

      Tá, e os arábes, muçulmanos

      Tá, e os arábes, muçulmanos sunitas, não percebem que seu Califa e teólogo é judeu e está afim de ferrar com eles. Se são tão burros (e isso eles não são), merecem ser ferrados, então. No caso, são bandos de mercenários islamitas, e provavelmente há agentes americanos, ingleses ou até israelenses infiltrados, mas o chefão, eu, hem!!! É mais uma daquelas tretas da “inteligência” americana, ou do “Ocidente” que se voltará contra eles. Essa turma vem do terror da Al Qeda (já internacional), e de milícias violentas da guerra da Síria. Pra quem tiver estômago (já vou avisando!), veja-se esse vídeo de propaganda do tal “Estado Islâmico”, que é uma milícia muito organizada, bem armada e da pior espécie, ao que se sabe.

      http://www.liveleak.com/view?i=a91_1406630807

       

  7. Camille Helena Claudel

    5 de setembro de 2014 2:30 pm

    Agora …

    http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/09/pepe-escobar-esta-sentindo-o-cheiro-do.html?spref=fb http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/09/pepe-escobar-esta-sentindo-o-cheiro-do.html?spref=fb                                

    QUINTA-FEIRA, 4 DE SETEMBRO DE 2014

    Pepe Escobar — Está sentindo o cheiro do que o Califa está cozinhando?

     2/9/2014, [*] Pepe Escobar, RT − Russia Today, MoscouCan you smell what The Caliph is cooking?Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu Militante do ISIS/ISIL/EI 
    (Foto: Ahmad al-Rubaye)Semana que vem é o 13º aniversário do 11/9 (2001). E Washington voltou a bombardear… O Iraque, sim, tudo outra vez – eco sinistro do mais trágico dos desenvolvimentos do pós 11/9: Operação Choque e Pavor. Osama bin Laden, supostamente no fundo do Mar da Arábia (como reza o “noticiário” oficial), foi dado como a personificação da visão de mundo wahhabista intolerante que enlouquecera de vez. Depois seu wahhabismo casou-se com o islamismo egípcio de Sayid Qutb, personificado pelo Dr. Ayman al-Zawahiri. Qutb, morto pelo regime egípcio no final dos anos 1960s, foi o profeta rebelde de uma jihadglobal entre o Islã e o ocidente. Mas seus filhos zelosos – da corrente de Osama/al-Zawahiri à corrente do Califa Ibrahim do ISIS/ISIL/EI [Estado Islâmico do Iraque e Levante/Estado Islâmico] –foram muito além, a jihad deles tomando por alvo civis e até muçulmanos. Agora, o Califa Ibrahim manobrou Washington para pô-la de volta a bombardear o Iraque e − potencialmente − também a Síria. Obama, dando um trato no “Siriaque”. Mas, e mais crucialmente importante, e se Obama estiver cumprindo ordens da Al-Qaeda? Combinaria perfeitamente com a arapuca que Osama montou cuidadosamente – ao longo dos anos – de finalmente dar jeito de expelir os EUA do Oriente Médio, via guerra de atrito constante, fazendo sangrar lentamente o Império do Caos. Eric Margolis aludiu a essa possibilidade em “Ultraje cauteloso” (em inglês). No mínimo, os EUA e alguns aliados seletos sim andaram cumprindo ordens da Al-Qaeda – mesmo que ISIL/EI tenha-se separado da Al-Qaeda “histórica”. A “coalizão de vontades” de Obama, para dar combate ao ISIS/ISIL/EI/O Califa, inclui Grã-Bretanha, Austrália, Qatar, Arábia Saudita, Turquia, Jordânia e os Emirados Árabes Unidos. Nada menos que cinco desses sete são os que treinaram/armaram/viabilizaram as “flores do mal” de ISIS/ISIL/EI que desabrocharam na Síria. Assim sendo, não surpreende que a Rua Árabe esteja afogada em ceticismo sobre quem realmente comanda o show do ISIS/ISIL/EI. Não pode ser Abu Bakr al-Baghdadi, codinome Califa Ibrahim, sozinho. Como é que o Califa, saído do nada, atravessa o deserto com deserto completamente armado, artilharia e tudo, para capturar território maior que o da Grã-Bretanha? Entrementes, o poderoso lobby de Relações Públicas da Casa de Saud é absolutamente monolítico; o wahhabismo – que andou incendiando/financiando fanáticos em todo o mundo desde os primeiros dias da jihad antissoviética no Afeganistão – não deve de modo algum ser culpado pelo que O Califa anda aprontando. Mas foi a ideologia saudita que, em última instância, gerou o Califa Frankenstein e o pôs na liderança dos filhos enlouquecidos da “revolução” síria. Militantes do ISIS/ISIL/EI
    Foto: Ahmad al-RubayeMostre o dinheiro O ISIS/ISIL/EI é uma máquina formidável azeitada por todas as modalidades de extorsão, sequestros com pagamento de resgates, assaltos a bancos e roubos de joias e cobrança de “taxas de proteção” por onde passem. Mas o Santo Graal é, definitivamente, contrabando de petróleo. O Califa agora controla sete poços de petróleo e duas refinarias no norte do Iraque, mais seis campos de petróleo no nordeste da Síria – extraindo, com realismo, pelo menos 40 mil barris/dia. Vendem todo esse petróleo ao preço de US$ 25,ºº a um máximo de US$ 60.ºº o barril. O cru brent, para comparar, está custando hoje mais de US$100.ºº na Bolsa de Valores London ICE Futures Europe. O Califa está fazendo seus US$2 milhões por dia, tudo pago em dinheiro ou trocado por bens. Ninguém sabe quem está comprando da complexa rede de distribuição dos intermediários a serviço do Estado Islâmico, mas fato é que o petróleo flui do “Siriaque” controlado pelo Califa, para Turquia e Jordânia. Assim cheio de dinheiro, não surpreende que os exércitos do Califa estejam marchando em direção a Aleppo; estão a menos de 50 km, e podem em breve tomar algumas áreas dos subúrbios leste. O governo Obama, enquanto isso, prefere superar-se, sancionando a Rússia. Se fossem realmente sérios quando falam contra o Califa, já estariam seguindo o dinheiro, usando inteligência local para rastrear o dinheiro e descobrir onde está (e certamente não está em banco). Não. Em vez disso, a retórica do Departamento de Estado é só sobre bombardear – mais uma ironia histórica – material norte-americano que ficou para trás, deixado lá pelo exército iraquiano; mais drones; e, eventualmente, mais “coturnos em solo”. Os “sabidos sabidos” – para citar Donald “Rummy” Rumsfeld – no “debate” na Beltwayinformam que, para a CIA e o Pentágono, combater o Califa é a desculpa absolutamente perfeita para eventualmente impor “mudança de regime” nos dois países, Iraque e Síria. Washington já está ficando mudança-de-regimista em Bagdá. CIA e Pentágono estão pensando em termos de bombardeamos o Califa/Califa ataca Assad/Hezbollah se envolve/Dividir e governar cada vez mais e Mais-Caos/Bombardeamos um pouco mais/Assad cai. O problema é que não funcionará. Washington pensava – antes de o Califa capturar Mosul – que o Califa estava sob controle. Mas o homem pensa com a própria cabeça – e muito dinheiro que ainda chove vindo de poderosos apoiadores sauditas e kuwaitianos, sem contar o contrabando de petróleo. O Califa sonha com envolver-se intimamente na sucessão da Casa de Saud e talvez até fazer um lance ele mesmo, pelo poder. Sou assassino serial muito melhor que você O Estado Islâmico é produto do sinistro Tawhid & Jihad (“Monoteísmo e Guerra Santa”) liderado pelo assassino serial jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, incinerado por um míssil norte-americano em 2006. Zarqawi jurara fidelidade a Osama em 2004, e rebatizou seu grupo como Al-Qaeda no Iraque (AQI). Depois que morreu, AQI passou a ser Estado Islâmico no Iraque (ISI). Passaram-se anos para que seu sucessor, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Bakr al-Baghdadi, codinome Califa Ibrahim, convertesse o ISI em ISIL (acrescentando o Levante) e tentasse absorver a franquia síria da Al-Qaeda, Frente Al-Nusra. Al-Zawahiri, por sua vez, nunca gostou nada-nada, dessas confusões. Insistia que a Frente al-Nusra era o único assunto realmente jihadista. Al-Baghdadi ouviu a maior descompostura: lutar no Iraque, não na Síria. Movimento errado, al-Baghdadi acabou por dizer a al-Zawahiri que fosse se catar. Abu Bakr al-Baghdadi (Califa Ibrahim)E al-Zawahiri afinal “excomungou” o ISIL. Assim nasceu o mito de que o ISIS/ISIL/EI seria muito mais linha-duríssima que a Al-Qaeda – magnífico movimento de Relações Públicas assinado pelo Califa − para promover-se, ele mesmo e o carisma do seu grupo. Para a geração da Jihad multinacional Google, se o grande mufti do Egito, o grande mufti da Arábia Saudita e a Organização de Cooperação Islâmica (OCI) todas falam contra o ISIS/ISIL/EI… é porque o que realmente importa é o  ISIS/ISIL/EI. E são ricos, armados até os dentes e comandam grande território. É reduzir a pó o acordo Sykes-Picot. Assim sendo, sim, sim, o Califa está, sim, pondo em operação a arapuca de Osama – ao seu modo. Zarqawi tentou pô-la em funcionamento. E Zarqawi é o predecessor de al-Baghdadi. Mas isso é só parte da história. O caldo, mesmo, é como o Califa legitimou agora a Guerra Global ao Terror (GGT) para durar “décadas”, nas palavras do primeiro-ministro britânico David Cameron. Os infatigáveis “altos oficiais militares norte-americanos” entraram em alerta vermelho, alertando que o  ISIS/ISIL/EI em breve “ameaçará” EUA e Europa. O Califa é o neo-Osama. E isso só um ano depois de Obama – armado com sua própria linha vermelha que ele mesmo se impôs – ter estado a um passo de bombardear a Síria porque “Assad tem de sair” havia “usado gás contra seu próprio povo”. E quem conseguiu salvar Obama dessa insanidade foi ninguém menos que o presidente Vladimir Putin e o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov – agora atacados na demonização vingancista pelo Império do Caos. Hollywood não teria conseguido inventar roteiro mais forçado e mal costurado. Do fundo das vísceras de sua morada palaciana no “Siriaque”, podem-se ouvir as gargalhadas do Califa.  [*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto. Livros: − Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War,    Nimble Books, 2007. − Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge, Nimble Books, 2007. − Obama Does Globalistan,  Nimble Books, 2009. 

     

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