União Europeia suspende ajuda à Palestina após “cerco total” de Israel à Faixa de Gaza  

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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Comissário europeu condenou ataques de forças de resistência da Palestina, mas não fez menção à resposta militar desproporcional de Israel

Reunião de cúpula da União Europeia em 2022: ministros das relações exteriores se encontram agora para tratar da escalada da violência no Oriente Médio. Foto: Twitter @jorgerojas2022

A União Europeia (UE) decidiu suspender, de forma imediata, os pagamentos de ajuda ao desenvolvimento aos palestinos, anunciou nesta segunda-feira (9) o comissário europeu para Vizinhança e Alargamento, Oliver Varhelyi.

O comissário condenou os ataques de forças de resistência da Palestina, mas não fez qualquer menção à resposta militar desproporcional de Israel, nem às décadas de horror que têm sido vividas nos territórios árabes como resultado da ocupação pelas forças do governo central de Tel Aviv.

A decisão da União Europeia ocorreu poucas horas depois da Organização das Nações Unidas manifestar preocupação com o bloqueio total imposto por Israel à Faixa de Gaza, território da Palestina. A autoridade palestina informa que a população não consegue acessar serviços básicos de saúde, com risco da população ficar sem água e comida. 

“Todos os pagamentos foram suspensos de forma imediata. Todos os projetos foram colocados em revisão. Todas as propostas orçamentárias, inclusive para 2023, foram adiadas até novo aviso. Avaliação integral de todo o portfólio”, disse Varhelyi na rede social X.

Os programas de ajuda da União Europeia aos palestinos se concentram em projetos de educação e saúde. Estima-se que, entre 2021 e 2024, devam totalizar cerca de 1,2 bilhão de euros.

Conforme postagem do chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell,  em seu perfil na rede X, os ministros das Relações Exteriores do bloco europeu foram convocados para uma reunião de emergência nesta terça-feira (10) para discutir a situação em Israel e na Palestina.

Varhelyi disse que agora é necessário “abordar os fundamentos da paz, tolerância e coexistência” na região do Oriente Médio, acrescentando que “o incitamento ao ódio, à violência e à glorificação do terror envenenaram as mentes de muitas pessoas”.

ONU condena cerco

Por outro lado, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, manifestou a sua preocupação com o anúncio de Israel de implementar um cerco total à Faixa de Gaza.

“Estou profundamente angustiado com o anúncio de hoje (segunda-feira, 9) de que Israel iniciará um cerco completo à Faixa de Gaza, sem permitir a entrada de nada: sem eletricidade, sem alimentos, sem combustível”, disse Guterres sobre o conflito palestino.

Da mesma forma, o Secretário-Geral instou as partes envolvidas no conflito israelo-palestino a permitirem a entrada de ajuda humanitária urgente aos civis palestinos presos na Faixa de Gaza devido ao cerco ordenado por Tel Aviv.

O “cerco total” da Faixa de Gaza foi decretado pelo governo Benjamin Netanyahu no terceiro dia da ofensiva das forças palestinas a partir do enclave costeiro, em resposta aos incessantes ataques israelitas contra o povo palestino em seu próprio território.

“Estamos a impor um cerco total a Gaza (…) sem eletricidade, sem comida, sem água, sem gás, tudo fechado”, disse o ministro israelita dos Assuntos Militares, Yoav Gallant.

Com informações do Público, TeleSur e Valor

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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