A vitória eleitoral do presidente argentino Javier Milei no último domingo gerou euforia no mercado financeiro local, com a bolsa de valores subindo mais de 20% e os preços dos títulos com ganhos recordes, mas a cautela voltou à mesa quando o tema passou a ser o eixo dos planos governistas para reestruturar a economia e o peso argentino.
Reportagem da Bloomberg destaca que o ritmo das negociações com o peso levou a moeda ao patamar visto há duas semanas, muito por conta das dúvidas se o governo Milei manterá a banda cambial defendida nas prévias eleitorais.
A estabilidade pode ter ajudado a conter a inflação, mas a um custo muito elevado – o governo queimou parte de suas reservas e aumentou a taxa básica de juros.
Na visão de analistas, eventualmente Milei precisará aumentar sua faixa de negociação ou deixar o câmbio flutuar livremente, assim como acontece em grande parte de outros mercados.
Autoridades argentinas dão a entender que a atual política cambial não passará por mudanças, e a recuperação promete interromper (mesmo que temporariamente) a corrida que levou a uma intervenção do governo dos Estados Unidos com uma injeção de US$ 20 bilhões.
Como muitos argentinos veem a taxa cambial como artificialmente elevada, tem sido cada vez mais frequente a transferência de recursos para o dólar, prevendo que Milei adiaria qualquer movimento mais expressivo até após as eleições.
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