4 de junho de 2026

Bolsonaro não é o único responsável pelo genocídio Yanomami, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O genocídio Yanomami não teria ocorrido se o presidente da Câmara dos Deputados tivesse iniciado um só processo de Impeachment assim que assumiu o cargo
FAB - Divulgação

Bolsonaro não é o único responsável pelo genocídio Yanomami

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por Fábio de Oliveira Ribeiro

Nas últimas duas semanas, a situação jurídica do ex-presidente da república se tornou mais e mais complicada.

Existe grande possibilidade de Jair Bolsonaro ser formalmente acusado do genocídio imposto ao povo Yanomami. Ele incentivou o garimpo ilegal no território indígena e impediu a PF e o Ibama de reprimir os crimes ambientais que estavam sendo cometidos pelos garimpeiros. Não só isso, Bolsonaro parou de enviar alimentos aos indígenas e se recusou a atender todas as solicitações de ajuda humanitária que lhe foram enviadas.

Intimado pela ONU para explicar o que estava ocorrendo, o ex-presidente mentiu dizendo que estava cuidando do bem-estar dos Yanomamis. O genocídio não foi acidental nem indesejado. Bolsonaro fez o que podia e o que não devia para facilitar a extração ilegal de ouro na região e para apressar a morte de centenas, talvez milhares, de indígenas.

Esse crime em massa merece castigo. O nexo de causalidade entre o comportamento de Jair Bolsonaro e o genocídio está ficando mais e mais evidente. Todavia, existe um detalhe que está sendo omitido pela imprensa.

O genocídio Yanomami não teria ocorrido se o presidente da Câmara dos Deputados tivesse iniciado um só processo de Impeachment assim que assumiu o cargo em 2021. Mas Arthur Lira se recusou a fazer isso. Ele preferiu blindar o presidente genocida enquanto o genocídio estava em curso.

Em decorrência das ações e omissões do presidente da Câmara dos Deputados, somos obrigados a concluir que Arthur Lira pode ter criado as condições indispensáveis para que Bolsonaro concluísse com sucesso seu plano de exterminar os Yanomami ao longo de um considerável período de tempo. Seria injusto garantir automaticamente a impunidade de ambos ou de um deles.

Uma autoridade que tem poder para interromper a dinâmica genocida e não faz isso se torna responsável pelo resultado de suas opções políticas. Arthur Lira ajudou a consolidar a “banalidade do mal” que resultou na mortandade dos índios. Portanto, ele no mínimo deve ser investigado.

Há alguns dias decidi representar o presidente da Câmara dos Deputados no STF. A Pet 10996 já foi autuada e distribuída ao Ministro Ricardo Lewandowski.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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