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Procuradores da força-tarefa da Operação Zelotes, em novembro do ano passado
Jornal GGN – Réu de ação penal proposta a partir das investigações da Operação Zelotes, o advogado Eduardo Valadão prestou depoimento à Justiça afirmando que não tinha inflluência política e que também não conseguiriar influenciar parlamentares para um suposta compra de medidas provisórias.
O Ministério Público Federal sustenta que Valadão seria o braço-direito de José Ricardo da Silva, advogado denunciado como um dos responsáveis pelo lobby e corrupção para aprovar medidas provisórias. Valadão, denunciado por corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e extorsão, disse que não tinha capacidade de influenciar congressistas. “Como eu seria capaz de induzir 511 deputados e 81 senadores?”, afirmou em seu depoimento, também dizendo que “denúncia sequer atentou para como funciona o processo legislativo”.
Do Estadão
Em audiência marcada por ‘barraco’ , réu da Zelotes nega participação em ‘compra’ de MPs
Advogado Eduardo Valadão diz que não tinha influência política e nem poderia influenciar congressistas a aprovar medidas provisórias
Em depoimento prestado à Justiça, o advogado Eduardo Valadão, réu de ação penal proposta a partir de investigações da Operação Zelotes, sustentou que não tinha relacionamento com políticos que possibilitasse sua atuação em suposta “compra” de medidas provisórias. Ele falou por cerca de duas horas e meia nesta quarta-feira, 9, na 10ª Vara Federal, em Brasília.
Valadão é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como braço-direito do advogado José Ricardo da Silva, denunciado como um dos responsáveis por operar o esquema de lobby e corrupção para viabilizar a edição, pelo governo, e a aprovação, pelo Congresso, das MPs. As normas prorrogaram incentivos fiscais para montadoras de veículos instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.
Valadão foi denunciado por corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e extorsão. O MPF sustenta a acusação com base em provas como emails trocados pelo advogado, nos quais ele trata dos benefícios fiscais e de pagamentos a serem feitos pelo
lobista Mauro Marcondes Machado, que atuava em parceria com José Ricardo.
Em seu depoimento, Valadão afirmou que, se o esquema existiu, como sustenta o MPF, ele não tinha nenhuma capacidade de influenciar congressistas a tomar qualquer decisão. “Não tenho envolvimento político. Como eu seria capaz de induzir 518 deputados (são 511) e 81 senadores?”, questionou. “Quem sou eu para vender MP: ‘Tá aqui, custa tanto’. É isso que me deixa revoltado. A denúncia sequer atentou para como funciona o processo legislativo”, criticou.
Valadão explicou que trabalhava para José Ricardo como associado do escritório JR Silva Advogados, mas não tinha participação ou fazia gestões na SGR Consultoria, empresa que foi contratada pela MMC Automotores (que fabrica veículos Hyundai) para atuar em favor das MPs. Ele disse que participou de duas ou três reuniões para tratar das normas, mas sempre para discutir informações técnicas relativas à concessão dos benefícios. “A mim não me foi dado saber informações negociais. Todo contato (com terceiros) era feito pelo José Ricardo”, disse.
Sobre email trocado com José Ricardo que menciona “acerto” com parlamentares na época da discussão de uma das medidas provisórias, ele explicou que a mensagem não tem a ver com MPs, mas com pagamento de comissão por uma causa judicial indicada por congressista.
O advogado disse que a denúncia não prova os crimes a ele atribuídos, entre eles o de corromper o ex-diretor de Comunicação do Senado Fernando César Mesquita, outro réu. Nesse caso, argumentou, não ficou demonstrado que o ex-servidor praticou algum ato por sua influência. “Qual é o diretor do Senado que pode alterar o andamento de MP”, acrescentou.
O depoimento, de cerca de duas horas e meia, foi marcado por bate-boca entre advogados e o procurador da República Frederico Paiva. Os “barracos” têm marcado as audiências da Zelotes.
Nesta quarta, a defesa de Valadão o orientou a não responder perguntas do MPF. O procurador retrucou que, embora o réu tenha feito um “discurso” de que fora injustiçado ao ficar preso por algumas semanas e sofrer medidas cautelares cumpridas pela Polícia Federal, se recusava a prestar mais esclarecimentos.
O advogado de Valadão, Pedro de Almeida Castro, reclamou que o procurador constrangia o seu cliente, ao que Roberto Podval, da defesa de Mauro Marcondes, acrescentou que, por vezes, Frederico ri das explicações dadas pelos réus, o que seria uma postura inadequada. “Ninguém está aqui para ficar ouvindo risadinha de um bobo de um procurador”, protestou. “Me respeite”, rebateu Frederico.
O juiz Vallisney de Souza Oliveira apaziguou os ânimos e a sessão prosseguiu.
Ao fim da audiência, Frederico alegou que as defesas estão “ensaiadinhas” . Segundo ele, articularamse para que os réus não respondam às suas perguntas e reagem conjuntamente para evitar que se manifeste nos depoimentos. “Falam longas horas e querem que o MPF fique calado. Criam um tumulto que é proposital”, alfinetou, acrescentando: “São 15 (advogados) contra um”.
O procurador sustentou que Valadão, embora tenha participado de forma “lateral”, como um “faztudo” de José Ricardo, integrou, sim, o suposto esquema de “venda” de medidas provisórias.
O duelo entre procurador e defesas continuou após interrupção para o almoço, o que levou o juiz a avisar que poderá, eventualmente, usar seu poder de polícia e cortar microfones.
Podval pediu desculpas se exagerou em sua intervenção, mas pediu que o representante do MPF não se manifestasse com risos.
Frederico afirmou que as defesas é que, não raro, debocham de suas falas. Argumentou ainda que, diante de versões apresentadas pelos réus que não seriam “plausíveis”, algumas reações são inevitáveis: “Peço desculpas se não consigo controlar movimentos involuntários”.
nota do blog: A MMC Automores fabrica veículos da Mitsubishi, e não da Hyundai, como afirmado pela matéria do Estadão.
Vladimir
10 de março de 2016 11:19 amO que o povo quer saber é se
O que o povo quer saber é se a Gerdau,o Bradesco,a RBS e tantos outros deste porte irão ser investigados e pagar a fortuna que devem ao fisco.
Esta cortina de fumaça sobre vendas de medidas provisórias é ridícula,caso contrário,em Brasília,ninguém mais poderia adentrar ao recinto da câmara ,do senado ,do executivo e dos restaurantes,para ficar nos mais comuns, pois o público destes lugares é formado quase que somente por lobistas,alguns até eleitos (será que não se lembram daquele sujeito da Chevron,ou o nome deste não é lobista).
O país não pode sucumbir ao lobismo externo.
Todos a manifestação em defesa da democracia e contra o golpe.
Qualquer sacríficio pela democracia é pouco.
gaúcho
10 de março de 2016 11:53 amProcuradores arrogantes
Procuradores arrogantes quando são confrontados perdem a linha, Brasil o país dos concurseiros.
Marcos Antônio
10 de março de 2016 12:28 pmo Google também faz isso…
No Universo dos interesses das empresas para alcançar OBJETIVOS JUNTO AO CONGRESSO, no mínimo, é necessário APRESENTAR UM PROJETO CONTENDO GASTOS, GANHOS, RETORNO DE IMPOSTOS, VIABILIDADE ECONÔMICA E ETC…
Não seria plausível que você querendo ver uma lei aprovada, vá esperar que cada congressista saia fazendo TODAS AS AVALIAÇÕES ECONÔMICAS para tal projeto!
Se eu quero uma empresa em minha região, ao apresentar este projeto para um deputado, EU TENHO QUE DEMONSTRAR A VIABILIDADE DE TAL PROJETO!
É isso que estou entendendo…
1 – As montadoras tinham interesse em aumentar as vendas em tempos de crise!
2 – Fizeram um projeto contendo dados que desse suporte tanto aos interesses das montadoras, do governo e da população que não perderia empregos.
Não deve ser um ou dois projetos prontos que chegam as mãos de parlamentáres, devem ser aos milhares!
E LÓGICO que funcionários publicos se aproveitam da proximidade com parlamentares, deve haver uma caixinha para deixar um projeto em cima da mesa de um acessor parlamentar…
E assim como no Google, deve haver uma outra caixinha para que este projeto seja lido primeiro…
Se isso que estão falando desta MP passar, tem que fechar o congresso e colocar o PAPA para receber os projetos!
L. Souza
10 de março de 2016 12:32 pmMe lembrei dos tempos de
Me lembrei dos tempos de Escola em que um aluno ficava discutindo com outro dentro da sala de aula; quando a professora não tinha certeza de quem instigava quem, mandava os dois prá Direção.
era republicana
10 de março de 2016 12:59 pmpara não repetir-me, concordo
para não repetir-me, concordo com tudo o que o vladimiri falou.
o cara do mpf só pode estar rindo dele mesmo, da sua
ignorancia do contexto político mais abrangente..
é dono do chamado olhar polifemico…
Bobo
10 de março de 2016 1:26 pmCompra de MP? A investigação
Compra de MP? A investigação era sobre sonegação fiscal, o ministério publico livrou os sonegadores para tentar ir atras do lula e do filho do lula e pelo jeito jogou no lixo as investigações e de quebra vai liberar os sonegadores incluindo ai globo e etc.
Cristiano Marochi
10 de março de 2016 2:04 pmO advogado não apontou
O advogado não apontou absolutamente nada sobre a operação Zelotes, apenas disse que não fez aquilo de que é acusado. A única inconsistência que vi na reportagem foi o comportamento do advogado Podval. Insultou um procurador da República diante do tribunal inteiro e ficou por isso mesmo.