Brazil, o filme, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Brazil, o filme, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O clima da guerra fria rapidamente se infiltrou no cinema norte-americana. O resultado disso foi a flexibilização dos padrões morais. Esse fenômeno pode ser visto num clássico noir dos anos 1950 estrelado por Richard Widmark. Refiro-me obviamente a Pickup on South Street (1953).

Mesmo não se interessando por política e demonstrando desprezo pela bandeira dos EUA, Skip McCoy (o batedor de carteiras representado por Widmark) ajuda as autoridades a derrotar uma conspiração urdida por comunistas para entregar segredos norte-americanos à famigerada URSS. A mesma temática (a aliança entre os agentes da Lei e os criminosos) ocorre na trama do filme Black Mass (2005) estrelado por Johnny Depp. A diferença é que esse filme foi baseado na história real de um mafioso recrutado pelo FBI.

A perigosa união dos pares justiça/política, legalidade/ilegalidade e política/criminalidade, que resultaram numa modalidade de criminalidade mais ou menos legalizada (refiro-me aqui à acintosa ordem para descumprir o HC concedido a Lula que a Ajufe quer preservar impune) pode ser vista em ação no Brasil neste momento. A isenção e a credibilidade do Sistema de Justiça (Judiciário e MPF) e da polícia federal estão ficando cada vez mais comprometidos em razão de ações dúbias, ilegais e até criminosas para proteger os mafiosos que assaltaram o poder (PMDB, PSDB, DEM, etc…) e perseguir, processar e encarcerar as pessoas que foram eleitas como inimigas do Estado e, portanto, passíveis de serem eleitoralmente anuladas antes, durante ou depois das eleições (os petistas).

Não por acaso, há uma deliberada confusão entre anti-petismo e anti-comunismo que facilita não só a seletividade penal como a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros. Não conheço um só país capitalista que tenha vendido sua riqueza petrolífera a preço de banana como o Brasil está fazendo. E o pior é que tudo isso está sendo feito pelas autoridades que deveriam proteger os interesses nacionais e sob os aplausos de uma mídia que se diz brasileira enquanto aplaude a desnacionalização de todo o patrimônio que foi construído por nossos antepassados.

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Quem são os heróis da mídia? Neymar Jr.: um sonegador de impostos; os delatores da Lava Jato: criminosos que obtém lucro facilitando a perseguição de petistas com informações nem sempre verdadeiras; Pedro Parente: presidente da Petrobras que deu um prejuízo de bilhões à companhia se desfazendo de ativos da mesma a preços módicos, fazendo acordo nos EUA para indenizar norte-americanos e renunciando ao refino de petróleo no Brasil em favor dos exportadores de gasolina e óleo diesel dos EUA, etc…; Sérgio Moro: juiz que descumpre decisões judiciais como se ele mesmo fosse a única fonte legítima de legalidade e; é claro Carmem Lúcia: presidente do STF que tudo fez para manter Lula na prisão e preservou a impunidade de Sérgio Moro.

O espaço para a política encolheu. O que se expande no país é apenas a barbárie. Como se estivesse preso numa trama de filme noir dos anos 1950 o Brasil se transformou numa usina da moralidade seletiva, da ética deturbada e da ilegalidade oficial mais ou menos tolerada. Os linchamentos físicos e morais são um subproduto desejado e justificado por este clima de flexibilização dos padrões legais.

Após o golpe de 2016 a diferença entre a realidade e a ficção se tornou tênue. Mas ao contrário do cinema o final desta tragédia é imprevisível. E não poderá ser reencenado caso desagrade o respeitável público.

As empresas privadas que foram levadas a falência pela Lava Jato não irão ressurgir das cinzas. As estatais e os recursos petrolíferos entregues aos estrangeiros a preço de banana não poderão ser recuperadas sem um custo político interno e externo. Luiz Carlos Cancelier está morto. Não existe uma versão da história em que ele possa voltar a vida e viver com os familiares após aposentar tendo cumprido seu tempo de serviço na Universidade de Santa Catarina. A morte dele foi em vão? O crime cometido contra ele ficará sem punição? Quantas outras vidas irão ser destroçadas antes que o Sistema de Justiça e a polícia federal voltem a respeitar a legalidade?

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2 comentários

  1. A cada movimento do

    A cada movimento do judiciário golpista e entreguista, portas e janelas se fecham para o país e seu povo. Tenho convicção que nada voltará a ser como antes. Ou o povo toma o poder ou, usando os termos empregados peloas forças de  ocupação no Rio de Janeiro: a guerra civil terá uma estabilização dinâmica.

  2. É o fim

    Esse país está aos cacos em virtude do conluio entre notórios ladrões e o sistema de justiça que tudo faz contra a própria justiça. A saída? Não há saída! Só haverá ruínas e a Somália é o nosso não-futuro que nos aguarda em breve!

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