Em nota, ANPUH manifesta repúdio a ex-torturador que abriu processo contra jornalista Aluízio Palmar

Uma das vítimas de Ostrovski, escritor está sendo processado por ter noticiado em rede social uma manifestação de escracho contra ex-torturador

Aluízio Palmar. Imagem: arquivo pessoal

Jornal GGN – A Associação Nacional de História (ANPUH) divulgou, nesta terça-feira (3), uma nota de repúdio à impunidade do ex-tenente Mario Espedito Ostrovski. O militar aposentado abriu um processo contra o jornalista, escritor e ativista dos direitos humanos Aluízio Palmar, por repercutir crimes contra a humanidade, praticados por Ostrovski, na Ditadura Militar.

Nos anos de chumbo, Aluízio foi preso político, por se manifestar contrário ao regime autoritário da época. No cárcere, ele se somou às milhares de vítimas de torturas praticadas por agentes à mando do estado. O jornalista aponta Espedito Ostrovski entre um dos seus torturadores,

O GGN contextualiza todo esse caso na matéria “Militar apontado como torturador processa vítima alegando ‘danos morais’

Veja a seguir a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO À IMPUNIDADE E AO PROCESSO CONTRA O JORNALISTA ALUÍZIO PALMAR

O jornalista e ativista dos direitos humanos, Aluízio Palmar, está sendo processado pelo ex-tenente Mario Espedito Ostrovski. Palmar, que lutou na resistência contra a ditadura, foi preso e banido do país. Hoje ele é responsável pelo site “Documentos Revelados”, um dos maiores sites privados que disponibiliza documentos sobre a Ditadura de 1964 no Brasil e suas congêneres na América Latina. Palmar é também autor do livro “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos” (três edições), que sintetiza sua busca pelos mortos da Chacina de Medianeira (1974).

Espedito Ostrovski foi citado no livro Brasil Nunca Mais e no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade por ter praticado torturas no ano de 1969 no Primeiro Batalhão de Fronteiras, localizado em Foz do Iguaçu.

Em 2013, durante uma Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade em Foz do Iguaçu, as denúncias de torturas infligidas à presos políticos pelo tenente Espedito Ostrovski voltaram à tona quando Izabel Fávero, Aluízio Palmar, Ana Beatriz Fortes e Alberto Fávero relataram as sevícias a que foram submetidos no referido Batalhão de Fronteira do Exército. Izabel, torturada, sofreu aborto na prisão. Todos e todas sofreram sequelas físicas e emocionais que carregam até hoje.

Essas denúncias, feitas durante uma Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade, realizada no plenário da Câmara Municipal, tiveram ampla repercussão. Na ocasião, populares realizaram uma manifestação em forma de “escracho” em frente ao escritório onde Espedito trabalhava, fato que tornou-se de domínio público.

Aluízio, uma das vítimas de Ostrovski, está sendo processado por ter noticiado, na página do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu na rede social Facebook, a manifestação ocorrida em 2013. Na época, o ex-tenente foi intimado a comparecer à Audiência da CNV e se retirou do país.

Causa-nos indignação que esta denúncia em relação à prática de tortura durante a ditadura seja hoje objeto de uma ação judicial que busca responsabilizar Aluizio Palmar, que apenas publicizou uma denúncia amplamente noticiada à época. Temos clareza que isso se relaciona com a manutenção da impunidade, amplamente defendida pelo governo atual. Ao invés de cumprir as recomendações da Comissão Nacional da Verdade, o Estado vem acolhendo medidas que apagam a Ditadura e transformam os algozes em vítimas.

É por isso que repudiamos o ato de Espedito. Ao contrário de ser julgados no banco dos réus (a exemplo dos demais países que viveram as Ditaduras do Conesul), no Brasil os algozes que escaparam de ser incriminados por crimes de lesa-humanidade, agora se sentem no direito de se portar como vítimas.

Denunciamos tal arbitrariedade, ao mesmo tempo em que exigimos o cancelamento desta ação, uma vez que vítimas são os torturados – tais como Aluízio Palmar e todas as pessoas seviciadas no Batalhão de Fronteiras e em tantos outros espaços de repressão espalhados em todo o país. É necessário acabar com a impunidade no Brasil, que mantém os agentes da repressão impunes até hoje. Não podemos retroceder ainda mais e negar a verdade histórica sobre o que foi a Ditadura e o Terrorismo de Estado em nosso passado recente. Por Memória, Verdade e Justiça, manifestamos todo o nosso apoio a Aluízio Palmar.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA-ANPUH, DEZEMBRO DE 2019

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4 comentários

  1. Denuncia-se algo gravíssimo, emblemático! A completa inversão de valores, em que a parte vítima é novamente perseguida simplesmente por relatar as tiranias de que foi… vítima! Mais um tique neofascista que surgem nesses presente tão passado…

  2. Nassif: pode crer, de onde saiu esse torturador aos milhares saem outros. São os VerdeSauvas. O formigueiro é o mesmo e abundante da espécia. A escola é a mesma. A sanha assassina não se desvia nadica da linha ideológica da Arma. Portanto, não adianta concentrar todos os holofotes nessa Sauvinha. De onde ela saiu, o enxame ferve, esperando outra oportunidade de, como as tocandira e as cortadeiras, sairem a passear…

  3. Isto acontece porque após dois mandatos do Lula e praticamente dois da Dilma – que foi torturada – nunca houve nenhum interesse pela nossa mansa esquerda em mandar estes canalhas para a cadeia.Passaram a mão na cabeça dos milicos golpistas e dos torturadores.A esquerda se mija de medo dos militares.Bajulou-os pensando em ganhar sua confiança.O resultado de tudo isto é o ovo da serpente que foi gerado e estamos suportando hoje e a audácia e desplante destes torturadores que vivem de altas aposentadorias por serviços prestados à custa de nossos impostos.

    • Você está errado.

      No dia 18 de novembro de 2011 a Comissão da Verdade foi sancionado por Dilma.

      Um cronista presente naquela cerimônia, disse: — Ela teve forza e coragem para fazer o que seus antecessores não fizeram. Ausências e presenças na solenidade mostram o que a presidenta teve que enfrentar até assinar as duas leis que quebravam o sigilo de documentos oficiais e que instauraram a Comissão.

      A “empadinha” que nunca faltou nas cerimônias palacianas fez-se desejar: o presidente do Congresso, Sarney (PMDB – MA), não apareceu, amargando a derrota de sua manobra para preservar um absurdo sigilo eterno sobre os papéis públicos. Derrota compartilhada com aliado de segredos inconfessáveis, o calhorda Fernando Collor (PTB – AL), outro derrotado do dia.

      Os chefes da Marinha, Exército e Aeronáutica, na segunda fila, bocejando, tavam lá, privilégio que o presidente Lula não teve quando lançou, em agosto de 2007, o livro Direito à Memória e à Verdade, corajoso trabalho de 11 anos da Secretaria de Direitos Humanos, iniciado ainda no governo FHC. Foi um gesto de insubordinação da caserma ao documento oficial que reconhecia – pela primeiríssima vez – a violência do regime, listando os nomes de 339 assassinados e desaparecidos pela repressão militar. O mesmo gesto repetiu-se na ostentação de indiferença durante outra cerimônia que restituiu simbolicamente a presidência a João Goulart.

      No seu discurso Dilma foi clara: (…) “A verdade sobre o nosso passado é fundamental para que aqueles fatos que mancharam nossa história nunca voltem a acontecer”.

      Foi como um “tapa no pé do ouvido” do general Peri, do brigadeiro Saito e do almirante Moura Neto: ficaram sabendo pela voz autorizada da comandante-em-chefe das Forças Armadas que esse tipo de regime chama-se ditadura. Até levarem o “tapa” os três calhordas tiveram que esperar quase uma hora além do previsto. A razão do atraso foi o quebra-pau no gabinete da Dilma, quando o cerimonial avisou que um dos discursos estava reservado ao familiar de um preso torturado. Celso Amorim (ministro da Defesa) disse um categórico – Não -. Quem acabou falando foi o presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, M. A. Barbosa; (meses depois voltaríamos a encontrar esse mesmo Amorim mentindo despudoradamente à Comissão, declarando em nota oficial do seu ministério que os militares não usaram quartéis para torturar presos políticos, na ditadura. No golpe de 1964, por exemplo, era famoso o famigerado quartel da Polícia do Exército e seus soldados catarinenses, na rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro. Assim, o “melhor chanceler do mundo”, que ficara famoso por não tirar o sapato para a segurança do Bush, arregou para os milicanalhas golpistas brasileiros. Aquele episódio do sapato, reconhecido como gesto altaneiro, foi – na verdade- para não passar vexame com a meia furada e dedão de unha grande e suja, vistosamente fora, como revelou uma fonte anônima do Itamaraty. Pois é.

      Sem se intimidar com a matilha, Marco Antônio Rodrigues Barbosa atacou no seu discurso a Lei da Anistia e sua “esdrúxula figura do crime conexo de sangue”, esperteza jurídica que nivelou torturadores aos torturados, consagrando a impunidade. A Comissão investigou os abusos aos direitos humanos cometidos ao longo de 42 anos (de 1946 a 1988), outra cínica exigência dos militares para camuflar o foco da Comissão da Verdade — os 21 anos da ditadura (1964-1988). A imposição final dos militares para garantirem impunidade foi a seguinte: “As atividades da Comissão Nacional da Verdade não terão caráter jurisdicional ou persecutório”. Os covardes criminosos que comandaram e atuaram com as ferramentas do suplício do terrorismo de Estado, saíram impunes e ilesos desse confronto desigual.
      Os patriotas que sangraram nas masmorras imundas do aparato repressivo do regime imposto durante mais de duas décadas saíram destroçados, mutilados, com o estigma de “terroristas”, ironicamente outorgado pelos verdadeiros terroristas que agiram fora da lei e da civilização. Um lado pagou até com a vida. O outro escapou sem sequer passar pelo singelo constrangimento do devido processo legal.
      É dramático saber que até os meios de comunicação partícipes do golpe de 1964 não podem ser investigados pela Comissão da Verdade, proibida também de investigar os grandes grupos empresariais, a embaixada dos EUA e o Alto Comando das Forças Armadas.

      Portanto, o leitor está errado em dizer que Lula e Dilma passaram a mão na cabeça dos milicos golpistas e dos torturadores; que toda a esquerda se mija de medo dos militares; que bajulou-os pensando em ganhar sua confiança. É exatamente o contrário: o cagaço é dos generais que tudo fizeram para fugir da justiça; e a esquerda não é um bloco unitário (leve em conta que existem os infiltrados e os cavalos-tróia).
      Não podemos esquecer que o Brasil continua tomado pela mentalidade promovida nos anos da ditadura e que esta força eversiva continua ativa e com poder de ação intacto: do lado militar o Comando Supremo das Forças Armadas recebeu ordens do presidente deles (Trump), de tirar a máscara: prontamente o general de quatro rodas, Eduardo Vaselinas-Boas, revelou que ele e seus comandantes são os mesmos dick heads de 1964; do lado civil a mídia e o empresariado sempre atuando na planificação, financiamento e realização de programas para recrutamento de jovens e aliciamento de forças policiais/militares.

      Vale recordar parte do panorama brasileiro pós 1964:

      Em 1988 apareceu o Fórum da Liberdade que segundo os organizadores, foi criado para promover o debate entre diversas correntes políticas. O empresário gaúcho Jorge Merdau foi um dos cabeças do Fórum. Nas primeiras edições convidaram Lula, Dirceu e Brizola entre os debatedores, sem prejudicar sua identidade de fórum conservador; arroz de festa nesses eventos são Ronaldo Caiado e Rodrigo Constantino, foi alí que em 2006 lançaram o Instituto Millenium, principal think tank da direita, com o equino Armínio Fraga na parte de “star” da economia (teria sido o ministro da Fazenda do Aécio no caso de vitória eleitoral). Quem banca tudo isso?
      São os inimigos de sempre do Brasil, aqueles que sustentam as mesmas forças golpistas: o já citado Merdau, a editora Abril, a Pottential Seguradora, empresa do Salim Matar, dono da locadora de veículos Localiza; a Suzano, o Bank of America Merril Lynch, o grupo Évora, dos irmãos Ling: William Ling participou da fundação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em 1984, atraindo com seu papo-bosta, jovens empresários; Wilton Ling é fudedor do Instituto Liberdade (Sic) do Rio Grande do Sul; o filho, Anthony Ling, é mancomunado com os Estudantes pela Liberdade EPL, grupo que pariu o MBL do Kin Takatiguria (que o guru Olavo chama Kin Katapiroca). Esse grupo é uma versão caipira do Students for Liberty dos EUA. Existem financiadores europeus como a alemã Friederich Naumann e outras fundações dos gonoKoch. Por cima deles está a Atlas Network (Atlas Economic Research Foundation, especializada em criar organizações libertaristas no mundo; o empresário do grupo Ultra, Hélio Bostão, é um dos fudedores do Millenium, embora tenha o próprio instituto, o Misses Brasil. O Fórum conta com patrocinadores como Souza Cruz, Ypiranga e RBS (afiliada da Rede Globo) e outros.
      A efetiva rede de Think Tanks no Brasil se completa com o Instituto Ordem Livre e o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, no Rio de Janeiro, (nome que já é um programa) que nada mais é que um puxadinho do Opus Dei (Ives Gandra).
      Notem como tanto os fascistas corruptos como a extrema direita são fixados no “LIBERAL” – “LIVRE” – “LIBERDADE”. Os debates do Fórum da Liberdade são do tipo “Caminhos da Liberdade”, “Populismo maldito” e por aí vai. “The battle is not between left and right but between right and wrong “, disse certa vez um graúdo ass hole nos bastidores do fórum da liberdade.

      O casulo dos ovos de sanguessuga que renovou essa infestação no Estado brasileiro foi o Instituto Liberal, criado em 1983 por Donald Stewart Júnior, membro da seleta Mont Pélerin Society. Segundo um historiador, autor de “A ditadura dos empreiteiros, 1964-1985”, a Ecisa, Engenharia Comércio e Indústria S.A., empresa de Stewart Jr., foi uma das maiores empreiteiras durante a ditadura militar; Stewart era associado à estadunidense Léo A. Daly para construir escolas no Nordeste para a SUDENE. A partecipação dos Yankees era imposição dos financiamentos da USAID – Agência de desenvolvimento estadunidense que funciona como braço da CIA.

      ADENDO

      MONIZ BANDEIRA: “Atores profissionais muito bem pagos, atuam na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da USAID, NED, e outras entidades estadunidenses. As demonstrações de 2013 e as últimas contra Dilma, não foram espontâneas. Aqueles atores, com suporte externo, fomentam e encorajam a discriminação aguda e o ódio Interclasses, desde que um líder sindical – Lula – foi eleito presidente da República. Por trás da Lava-Jato, o objetivo foi desmoralizar a Petrobrás e as estatais, de modo a criar condições de privatizá-las”.

      Para entender o ódio do imperialismo contra o melhor presidente da República do Brasil nos últimos quinhentos anos, os males causados à sua família, a sua prisão de 500 dias, a quadrilha da Lava-Jato, o golpe contra Dilma, o aparato do crime organizado nas instituições, a fraude eleitoral que elegeu presidente um merda absoluto, um terrorista que levou um pé na bunda do Exército, parasita incompetente até para ser síndico de condomínio, é preciso voltar a 2010 e refletir no que disse um professor de Relações Internacionais da Federal do ABC:
      ”Até então, no meio da crise internacional, o Brasil era o queridinho de todo mundo. Pela primeira vez, era visto como solução, e não mais como parte do problema. Entrou para o G-20, estava à frente dos BRICS. E o que acontece em 2010? O Lula, pela primeira vez em oito anos, toma uma medida que vai diretamente contra a ganância internacional, que foi a mudança do marco regulatório de exploração do petróleo, do pré-sal. O Lula vinha fazendo o governo que havia prometido, atendendo as camadas populares sem contrariar os interesses das elites. Quando ficamos sabendo sobre os grampos telefônicos da agência de segurança dos EUA, eram grampos sobre a Dilma e a Petrobrás (Killary Clinton e o ministro da Energia estadunidense, íam diretamente ao Rio sem passar por Brasília). Lula, defendeu os interesses do Brasil (para isso fora eleito) e foi contra os interesses de mafiosos e poderosos, corruptos e corruptores internacionais.”

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