4 de junho de 2026

Funcionário da Petrobras diz ser “bode expiatório” em denúncia de contrato da UTC

 
Jornal GGN – Funcionário de carreira da Petrobras, o gerente adjunto da Instalações da subsidiária da estatal Marcos Aurélio Frontin foi apontado como o único responsável por ilegalidades em contratos com a UTC, no valor de R$ 650 milhões. Ao Estado de S. Paulo, o funcionário disse ser “bode expiatório” e acusou a gestão da BR Distribuidora pelo contrato irregular.
 
Segundo Frontin, o atual presidente da BR, José Lima de Andrade Neto, foi o responsável pela determinação do contrato, assim como a antiga diretoria. “Você acha que eu, um gerente de terceiro escalão, tinha competência para isso?”, questionou.
 
Leia a entrevista completa concedida ao Estadão:
 
O senhor foi apontado pela auditoria como único responsável pelos contratos irregulares da UTC que somam R$ 650 milhões.

Você acha que eu, um gerente de terceiro escalão, tinha competência para isso? Eu estou de bode expiatório nessa história. Foram contratações do nível de responsabilidade que transcende a minha competência. Minha competência era de R$ 300 mil. Essas contratações eram acima de R$ 100 milhões. É como querer tapar o sol com a formiga.

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Quem determinou essas contratações?

Esse nicho de competência é da diretoria. Toda diretoria, presidente, todo mundo. A escolha da empresa não fui eu que fiz, já veio pronta. Quem fazia sempre era minha gerência e esse, especificamente, não foi feito assim. Foi feito lá pelo gerente executivo, de logística, de engenharia, não sei mais quem foi na época.

Como assim veio pronta?

É uma licitação por meio da internet. Acho que somente dez empresas foram avisadas (de dezenas de um cadastro da BR). Foi um contrato um atrás do outro (todos com a UTC), não fui eu que aprovei, a palavra final não é minha. O limite de competência era de toda diretoria, inclusive do presidente da BR. Só que toda diretoria já saiu da empresa, exceto o presidente que esta lá ainda. 

 A BR diz que o presidente não teve responsabilidade.

É muito bonito, lindo. Isso é uma brincadeira, sabe, uma brincadeira. Sem ele não aprovaria. Eu sou peão. Agora eu sou responsável por isso?

O senhor não estranhou a mesma empresa contratada consecutivamente para três obras no valor de R$ 650 milhões?

Chamou a atenção de todo mundo, mas isso não era da minha competência. Eu tenho que fazer meu serviço. 

Ofereceram propina para o senhor?

Não, nada.

O senhor nunca recebeu nenhum valor?

Recebi, um chaveiro.

O senhor foi afastado por 29 dias da empresa. O que lhe informaram?

Que eu não verifiquei alguns preços unitários de uma planilha de 600 itens. Eu, sendo gerente, tendo uma amplitude de comando de 82 pessoas, eles acham que eu ia ficar vendo item a item de tudo o que é obra? Eu vi os grandes itens. E outra, contratação é preço unitário, não é global. Não precisava ver item nenhum. Eu quero esclarecer que eu sou um pintinho na história toda, não tenho nada a ver com isso.

O senhor já prestou depoimento sobre o caso na Lava Jato?

Quem quer ver isso no tribunal sou eu. O resultado da auditoria nunca me foi encaminhado. Não pude em momento algum retrucar. Estou numa situação desconfortável com meus colegas. É uma punhalada nas costas de uma empresa que dediquei mais da metade da minha vida.

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. Ivan de Union

    12 de agosto de 2015 7:36 pm

    Basta bater o olho pra saber

    Basta bater o olho pra saber que ele esta falando a verdade!

    NINGUEM da Petrobras notou isso antes?  Entao tem alguem se escondendo atraz da desgraca dele sim!!!!!!!!!!

  2. fabio GM

    12 de agosto de 2015 7:58 pm

    Corda

    A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

  3. maria rodriguesm

    12 de agosto de 2015 8:48 pm

    Do que sabemos, todos os

    Do que sabemos, todos os funcionários da Petrobrás são concursados e qualificados, até porque são concursos muito difíceis. Jogar quase um milhão de profissionais, que dão a vida pela Empresa na lama imunda que apenas alguns criou e dela se beneficiou, é, de fato, motivo para muita indignação. Eu, particularmente, conheço alguns funcionários da Estatal inconformados com o modo com que se joga contra essa empresa desde o início das investigações. E não é pra menos.

  4. assim falou golbery

    13 de agosto de 2015 3:23 pm

    Durante a Gloriosa, essa,

    Durante a Gloriosa, essa, assim como em todda estatal, ninguém gastav R$ 1,00 se não huouvesse uma assembleia com todos autorizando. Não tinhba como ninguém roubar e até o porteiro  podia vigiar o seu patrimônio

  5. assim falou golbery

    13 de agosto de 2015 5:27 pm

    Pleo que entendi, havia um

    Pleo que entendi, havia um limite e a turma de FHC entregou em condições de que roubar qualquer bilhãozinho estouraria o limite. Pobre petismo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    =============

    http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/a-corrupcao-esta-longe-do-volume-morto-diz-procurador/

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