16 de outubro de 2026

Desmatamento na Amazônia e no Cerrado atinge menor nível histórico, aponta Inpe

Resultado foi associado à ampliação de ações de fiscalização do IBAMA, além do fortalecimento de políticas públicas de proteção ambiental
Foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

Desmatamento na Amazônia caiu 41,8% e no Cerrado 23,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo o Inpe.
Pará lidera desmatamento na Amazônia com 1.130 km², seguido por Mato Grosso e Amazonas, que juntos somam 75% da área.
Redução é atribuída ao fortalecimento da fiscalização e políticas públicas, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu aos menores níveis das respectivas séries históricas no período entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na Amazônia, foram desmatados 3.335 km², uma redução de 41,8% em relação ao ciclo anterior. No Cerrado, a área de vegetação nativa destruída foi de 5.516,69 km², queda de 23,8%.

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Os números fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema responsável pelo cálculo oficial das taxas de desmatamento no país. Os dados foram apresentados pelo governo federal em evento no Palácio do Planalto, em Brasília.

Na Amazônia, a área desmatada atingiu o menor patamar desde o início da série histórica, em 1988. No período anterior, o levantamento havia registrado 5.731 km² de destruição da floresta. No Cerrado, cuja série começou em 2001, o total caiu de 7.235,27 km² para 5.516,69 km².

A redução também é expressiva quando comparada aos índices registrados nos últimos anos. Na Amazônia, o desmatamento recuou 71,2% em relação a 2022, quando alcançou 11.594 km². No Cerrado, a queda foi de 48,4% em comparação com 2023, ano em que a área desmatada chegou a 11.012 km².

Segundo André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o resultado está associado ao fortalecimento das políticas públicas de proteção ambiental.

O secretário afirmou que o governo está ampliando as ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reforçando o quadro de servidores e os recursos destinados ao controle do desmatamento, com uso de tecnologia e inteligência.

Fiscalização e políticas ambientais

A redução do desmatamento acompanha a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Criada em 2004, a iniciativa reúne ações de diferentes ministérios e contribuiu para a diminuição da destruição florestal registrada entre 2004 e 2014. Planos semelhantes também foram desenvolvidos para outros biomas, incluindo o Cerrado.

Entre as medidas adotadas estão os embargos remotos, que permitem identificar áreas desmatadas ilegalmente por imagens de satélite e impedir sua utilização sem a necessidade de uma operação presencial. Os proprietários ficam sujeitos a restrições de uso e de comercialização da produção nessas áreas.

O aumento das autuações do Ibama, a atuação dos governos estaduais e a utilização de informações sobre desmatamento na concessão de crédito rural também fazem parte das estratégias de controle. Com isso, propriedades que apresentam irregularidades ambientais podem enfrentar dificuldades para obter financiamento.

Claudio Almeida, coordenador do Programa BiomasBR, atribui os resultados ao monitoramento preciso e à rapidez na identificação das áreas desmatadas, que permitem direcionar as ações de fiscalização e avaliar a eficácia das políticas públicas.

Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, os números demonstram que o desenvolvimento econômico pode avançar sem depender da destruição da vegetação nativa. Segundo ele, a preservação ambiental também gera benefícios econômicos e contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas.

A pesquisadora do Inpe e cientista climática Luciana Gatti também destacou a importância da decisão política de combater o desmatamento. Para ela, os resultados refletem o esforço conjunto para proteger a Amazônia.

Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, classificou o resultado como um marco histórico, associado à atuação das instituições e às políticas ambientais. Ela alertou, porém, que a continuidade da redução depende da manutenção dessas iniciativas.

Na avaliação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o avanço mostra que o fortalecimento das ações de fiscalização pode contribuir para a conservação dos recursos naturais e para o cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo Brasil. O diretor-executivo da entidade, André Guimarães, defendeu que a proteção da floresta se torne uma política permanente de Estado, independente dos ciclos eleitorais.

Desafios para conter o desmatamento no Cerrado

Apesar da queda histórica, o Cerrado apresenta particularidades que dificultam o combate à destruição da vegetação nativa. O Código Florestal permite que propriedades rurais desmatem parte de sua área, desde que obtenham autorização dos órgãos ambientais competentes. Os limites permitidos são, em geral, maiores no Cerrado do que na Amazônia.

Por isso, uma parcela significativa da vegetação suprimida no bioma está em propriedades privadas e pode ocorrer dentro dos limites previstos pela legislação. Como essas situações não são necessariamente ilegais, não podem ser combatidas apenas com multas e embargos destinados a punir infrações.

A redução mais acentuada do desmatamento no Cerrado depende, portanto, de outras medidas, como incentivos econômicos à conservação da vegetação nativa e critérios mais rigorosos para a concessão de autorizações ambientais pelos estados.

Pará concentra maior área desmatada na Amazônia

Mesmo com a redução, o Pará permaneceu na liderança do desmatamento na Amazônia, com 1.130 km² de vegetação destruída entre agosto de 2025 e julho de 2026. O número corresponde a 33,9% do total registrado no bioma, mas representa uma queda de 45,3% em relação aos 2.064 km² do ciclo anterior.

Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 849 km² desmatados e redução de 46,7%. Em seguida está o Amazonas, com 525 km² e queda de 46,4%. Juntos, os três estados concentraram aproximadamente 75% da área desmatada na Amazônia.

Roraima foi o único estado entre os que tiveram aumento, ainda que pequeno: a área passou de 285 km² para 286 km², alta de 0,4%.

Nos demais estados, as estimativas foram de 252 km² no Acre, 149 km² em Rondônia, 128 km² no Maranhão e 8 km² tanto no Amapá quanto no Tocantins.

Como funciona o monitoramento

O Prodes utiliza imagens de satélite de maior resolução e análises detalhadas para calcular a área de vegetação nativa efetivamente destruída a cada ano, considerando o período de agosto a julho. O sistema identifica principalmente o chamado corte raso, quando ocorre a remoção completa da vegetação, em áreas a partir de 6,25 hectares.

Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), também desenvolvido pelo Inpe, funciona como ferramenta de alerta para orientar a fiscalização. Ele identifica mudanças na cobertura vegetal com maior rapidez, mas seus dados não são diretamente comparáveis aos do Prodes, que constitui a referência oficial para a taxa anual de desmatamento no Brasil.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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