4 de junho de 2026

O balanço da Rússia para a Rio +20

Por A.Alvaro Guedes

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Diário da RússiaIVAN BLOKOVA Rússia, da Rio-92 à Rio+20A crise ainda não está no meio ambiente, mas na cabeça das pessoas
07/06/2012 10h30

Nos próximos dias estará sendo realizada no Brasil a Conferência Rio+20, em que serão discutidos os problemas ambientais globais. Nesse contexto, alguns dias atrás eu levantei o relatório que a União Soviética preparou nos anos de 1990 e 91 sobre o que precisava ser feito da parte dela para a reunião da Rio-92. Então, eu analisei o que está acontecendo atualmente com a Rússia em comparação com aquilo que acontecia 20 anos atrás. Segundo os números que constam no relatório atual e no relatório antigo, no nosso país não aconteceram mudanças significativas, talvez com uma única exceção. Atualmente se encontra menos chumbo no ar, pois os aditivos de chumbo foram eliminados. O resto basicamente se encontra no mesmo nível.

Eu até diria que em parte dos parâmetros a situação piorou bastante. Por exemplo, em meados e no final dos anos 90 nos reservatórios de água potável o número de amostras que não cumpriam as normas era de cerca de 15%, e atualmente de cerca de 30%. Mas, se observarmos o país em geral, até em Moscou, onde a água passa por rigoroso controle de qualidade, cerca de 5% da água não correspondem às normas, enquanto no país como um todo esse índice é de 15%.

Isso afeta diretamente as pessoas. Por exemplo, está crescendo a quantidade de cidades onde o nível de poluição está acima do admissível, ou seja, onde a concentração média anual de poluentes ultrapassa em pelo menos 1% o índice aceitável. A quantidade de cidades que estão poluídas e onde, de acordo com as normas, não dá para viver, só aumenta.

Também podemos falar do desmatamento. Realmente, o ritmo do desmatamento na Rússia diminuiu. Mas se vocês analisarem onde as árvores estão sendo cortadas, vão observar que o desmatamento mais intenso acontece próximo às áreas mais habitadas. Isso significa que nessas áreas as florestas serão destruídas mais rapidamente. É o que acontece agora.

E, falando das florestas, não há como não lembrar as áreas atingidas pelos incêndios florestais. Se considerarmos as estatísticas dos últimos 20 anos, a área atingida por incêndios aumentou mais de duas vezes. Mas o aumento mais acentuado aconteceu depois de 2006, quando o país adotou um novo Código Florestal. Por isso eu teria cuidado com as tentativas de adoção de novos códigos florestais no Brasil.

Também aumentou a quantidade de crimes ecológicos na Rússia: comparando com 20 anos atrás, eles cresceram 10 vezes. Nesse aspecto, não houve melhorias especificas no país. Em vez disso, há uma tendência de agravamento da situação. Isso é uma coisa muito preocupante, pois a taxa de crimes ecológicos que eu citei não é somente um indicador de dano real que está sendo feito em relação à natureza, mas é um indicador de como as pessoas começaram a tratar o meio ambiente. Se julgar pelos números, a mesma coisa acontece com as autoridades, porque os números de atos ilegais, que violam as leis ambientais, em 20 anos aumentaram 5 vezes. O que significa que o Governo começou a tratar o meio ambiente do mesmo jeito que o resto das pessoas.

E isso me faz pensar que a crise ainda não está no meio ambiente, mas na cabeça das pessoas, e isso é algo que precisa ser superado. Eu creio que a Rio+20 vai servir de bom impulso para essa mudança.

Tags:brasil, desenvolvimento sustentável, meio ambiente, rio+20, rússia

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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