16 de junho de 2026

A ousadia da Abril na Revista Realidade

Enviado por Assis Ribeiro

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Para quem quiser aprofundar na história da revista: O fotojornalismo [autoral] de uma revista

Revista Realidade: inovação no olhar sobre a realidade brasileira

Por Thaísa Oliveira

Da Facto

Capa da primeira edição da Revista Realidade, publicada em 1966. Ao lado, edição comemorativa da Revista Veja, de 2012, em evidente alusão à extinta publicação

Lançada em 1966, a Revista Realidade foi um projeto singular bancado pela Editora Abril. A afinidade de uma equipe reunida por propósitos semelhantes resultou em uma publicação ousada e revolucionária. A aceitabilidade pelo público foi igualmente provocadora: em quatro meses de produção, 450 mil exemplares eram vendidos mensalmente.

Influenciada pelo New Journalism estadunidense, o estilo literário associado à total liberdade criativa e produtiva dos jornalistas determinou o sucesso da revista em sua “Fase Áurea”, que perdurou até 1968. A escrita em primeira pessoa foi amplamente explorada, de modo que os jornalistas se integravam e participavam dos acontecimentos relatados.

As publicações priorizavam abordagens profundas, sem o tom imediatista e urgente que marca o jornalismo. Reportagens extensas eram produzidas durante longos meses. Descrições minuciosas de lugares, objetos e feições eram recorrentes também nas entrevistas, que se tornaram notáveis pela pouca ou nenhuma edição. As capas e o design irreverentes colaboravam ao seu estilo único. As fotografias eram utilizadas em caráter meramente ilustrativo e, muitas vezes, os fotógrafos deixavam-se perceber em seus trabalhos.

Mas uma fotografia em particular incomodou as autoridades militares. A edição de número dez “Mulher brasileira, hoje” se debruçou sobre o universo feminino. Uma das reportagens trazia a imagem de uma grávida na iminência do parto: pernas abertas e a cabeça do bebê à vista.  Ângulo conscientemente polêmico. Pouco depois que metade dos exemplares da edição peculiar chegou às bancas, viaturas do serviço de vigilância e ronda especial da polícia se apressaram em recolher a publicação. A justificativa era de que a revista afrontava a moral e os bons costumes da época.

A publicação recolhida: edição especial “A mulher brasileira, hoje”, de 1967. As revistas que escaparam do confisco chegaram a ser vendidas por um valor até cinco vezes maior

Com o endurecimento da censura prévia após o decreto do AI-5, as publicações foram abandonando os formatos originais. As fotografias em caráter de denúncia eram cortadas e as alfinetadas ao Regime tornavam-se cada vez mais sutis. Especula-se que dissidências internas foram também cruciais para a sua descaracterização e decadência. O último exemplar foi produzido em janeiro de 1973. Apesar disso, seus trabalhos antológicos se tornaram objeto de estudo e seu espírito inovador é lembrado até hoje como um marco divisor na produção editorial brasileira.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. Maria Luisa

    7 de janeiro de 2015 5:37 pm

    Nos somos Charlie!

    A Veja hoje não passa de um caso extremista do jornalismo. Se é que se pode chamar o que fazem de jornalismo. Jornalismo para mim é outra coisa, é outro nivel. 

    Lendo sobre a superficialidade que é o jornalismo da Veja, penso nos jornalistas assassinados essa manhã na redação de Charlie Hebdo por extremistas religiosos ( esses que não aceitam e não suportam viver com quem pensa diferente deles).

    A imprensa brasileira, ao praticar um jornalismo cada vez mais radical, superficial e regado em odio ao oponente, esta formando para futuro pessoas extremistas, que não saberão lidar com a diversidade, principalmente politica, religiosa e social. 

  2. josimar

    7 de janeiro de 2015 5:50 pm

    Veja a assinatura está sendo

    Veja a assinatura está sendo oferecida com 50% de desconto.. onde já se viu ?

  3. Malú

    7 de janeiro de 2015 6:06 pm

    Eu me lembro muito bem da

    Eu me lembro muito bem da revista Realidade. Saudade. Quanta diferença da atual Veja.

  4. Klaus BF

    7 de janeiro de 2015 6:54 pm

    Mulher Brasileira?!?!?!

    Mas já eram preconceituosos e desconhecedores da realidade. Fazer uma capa “A mulher brasileira hoje” com a foto de uma sueca é de lascar!

    1. anac

      8 de janeiro de 2015 11:23 am

      Já era o prenuncio do que

      Já era o prenuncio do que seria a Veja, que renega o povo brasileiro. O  embrião da Veja. Negar a REALIDADE. 

  5. altamiro souza

    7 de janeiro de 2015 10:14 pm

    a realida, como o próprio

    a realida, como o próprio nome indica, abordava assuntos que afetavam a todos;

    as ditas matérias humanas. gente falando de gente.

    só podia er boa.

    parecia literatura.

  6. Ari Silveira

    8 de janeiro de 2015 4:57 pm

    1976, não 1973

    O último número de Realidade circulou em janeiro de 1976.

  7. Ari Silveira

    8 de janeiro de 2015 4:57 pm

    1976, não 1973

    O último número de Realidade circulou em janeiro de 1976.

  8. Helio Simões Borgoni

    7 de junho de 2016 1:06 am

    revista realidade numero zero

    tenho a coleção completa inclusive a numero zero , que veio antes da n. 1 (Pelé)

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