Por Maíra Vasconcelos, de Buenos Aires
Buenos Aires, em frente à Casa Rosada, 1 de outubro, 2012.
Em frente ao palácio presidencial e depois das grades, no passeio de entrada, chamava a atenção o agito da agrupação que ali transitava. Além de uma enorme bandeira vermelha “Juventud Miles”, desfilavam camisas do principal movimento kirchnerista “La Cámpora”, alguns membros com seu adesivo no celular, outros com a bandeira laranja do Partido Humanista, e sem parar soavam vozes que gritavam músicas, ao estilo torcida de futebol, mas de conteúdo político.
A concentração de militantes respaldava o anúncio da presidente Cristina Kirchner, que naquele momento designava o presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (AFSCA), organismo criado pelo atual governo e responsável pela aplicação e controle da “Lei de Meios”, aprovada em 2009. A lei 26.522 de Serviços de Comunicação Audiovisual busca regular o setor de comunicações e se destaca por estabelecer um limite de licenças por cada grupo de empresas, o que faria com que os atuais monopólios (ao estilo do que impera, hoje, no Brasil) se adaptem ao disposto. Segundo a lei, a partir de 7 de dezembro deste ano, grupos como “Clarín” e “La Nación”,e entre outros, terão que começar o processo que tem sido chamado de desinvestimento. As empresas terão que colocar à disposição as licenças conseguidas previamente e que as caracterizam por monopólios.
Por isso, em frente à Casa Rosada, jovens com camisas “Unidos, organizados e solidários”, também outra que embaixo da imagem do ex-presidente Néstor Kirchner, dizia, “Frente Transversal, Nacional e Popular”. Uma militante emocionada, outras que diziam “companheira”.
Transcrevo, aqui, o diálogo que exprime a aflição dos atuais militantes em relação aos meios de comunicação, ou ao que possa parecer uma jornalista representante dessas empresas.
Após conversar muito brevemente com um dos militantes que ali cantava, um colega deles se aproximou:
– Desculpe, o que ele está falando?
– (Eu) Contava um pouco do que está acontecendo…
– Bom, para saber, tinha que haver entrado (no evento na Casa Rosada).
Assim, levou o colega pelo braço e saíram a cantar: “Vamos, vamos os soldados de Cristina”.
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