5 de junho de 2026

A falácia dos maus capitalistas rentistas versus os bonzinhos produtivistas.

Os neokeynesianos heterodoxos acordaram pela manhã e descobriram que existiam dois tipos de capitalistas, os chamados rentistas e os produtivistas. Agarrados neste sonho matinal criou-se uma legião de progressistas que se espalharam pelos partidos de quase esquerda, ou centro esquerda ou ainda liberais mas não todos e montaram teorias fantásticas como a de Bresser Pereira no seu artigo “Capitalismo financeiro-rentista” onde faz uma explicação geracional, como todo o capitalismo fosse criado em determinada época, mais ou menos pelo início do século XX e esgotado o espírito empreendedor no fim do mesmo século.
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Com explicações sofisticadas sobre os tecnoburocratas, rentistas e o capitalismo financeiro-rentista, se explica a degenerescência do capitalismo limpinho e cheiroso do pós-guerra, foi tomado de assalto pelos vilões rentistas que jamais existiram na história do capitalismo, ou pelo, menos não eram preponderantes.
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Pois bem, retomando ao velho Marx, que explicou a queda secular dos lucros em função do investimento, e ao mesmo tempo explicou que com mudanças tecnológicas notáveis (ou guerras e mais outros motivos) o capitalismo conseguia superar este impasse simplesmente colocando os setores tradicionais a falência ou transferindo-os para as colônias, e dando passagem a um novo bloco inovador, que no seu surto inicial aumentava o rendimento do capital.
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Nas décadas de 60 e 70 com a introdução dos computadores e com a indústria atrelada a isto, até uma bolsa de valores utilizada para negociar papéis deste novo horizonte foi criada. Porém como em outras épocas, como da invenção da máquina a vapor e a eletricidade este novo surto de prosperidade galgou patamares de rendimento do capital a níveis bem mais altos e depois foram enfraquecendo devido a vulgarização e a concorrência , as grandes empresas inovadoras vão cada vez concentrando mais, se tornando impérios monopolistas, e retirando do mercado a concorrência, vemos na inovadora indústria de computadores indo na direção de suas mães ou vovós (leiam também IS U.S. ECONOMIC GROWTH OVER? FALTERING INNOVATION CONFRONTSTHE SIX HEADWINDS).
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Para dar um exemplo concreto, a última fábrica de chips para computadores, a que está sendo construída pela fabricante de telefones Samsung, custará mais de uma centena de bilhões de dólares, tornando quase impossível que outros fabricantes o acompanhem. Os fabricantes de chips para processadores que eram há vinte anos mais de uma dezena, atualmente está reduzido a meia dúzia e diminuindo. Como a Samsung tem uma estrutura verticalizada de produção o lucro por unidade produzida cai vertiginosamente e é escondido nas vendas dos telefones e na “internet das coisas” que permitirão uma cadeia desde a TV até o celular.
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Uma coisa que temos que lembrar, os capitalistas colocam parte do seu dinheiro no rentismo não porque são mauzinhos ou preguiçosos, mas porque o lucro é maior.
Agora se tudo isto vai durar, é outro problema, mas o certo que com a política de diminuição dos custos de produção através da terceirização, da precarização e da sobre-exploração da mão de obra são todas faces da mesma moeda, a maximização dos lucros através do aumento da retirada da mais-valia.
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A crítica ao rentismo é algo quase que infantil, pois desde o tempo que se amarrava cachorro com linguiça o rentismo existia e variava a sua importância de época a época, mas como o velho Marx postulou, a queda do rendimento do capital tornará completamente inócuo qualquer tentativa neokeynesiana no mercado.
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