Braço direito dos Bolsonaro em São Paulo montou central de memes para atacar adversários

Reportagem da Folha mostra que deputado estadual paulista Gil Diniz (PSL) atuou na coordenação de central de fabricação e distribuição de dossiês e memes

Jornal GGN – Mais um nome ligado ao partido do presidente Jair Bolsonaro aparece como mentor de uma central de fabricação e distribuição de memes e fake news. Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (25) teve acesso a conversas de um grupo de WhatsApp chamado de “Gabinete Gil Diniz”.

Gil Diniz é deputado estadual em São Paulo pelo PSL. Ele é conhecido como “Carteiro Reaça”, ligado diretamente aos Bolsonaro como braço direito da família no estado paulista.

A Folha destaca que as mensagens que obteve foram trocadas pouco antes da eleição para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que aconteceu no dia 15 de março.

Parte das pessoas que participaram do grupo aberto no WhatsApp foram, mais tarde, nomeadas para trabalhar no gabinete de Gil Diniz na Assembleia.

No grupo eram debatidas propostas para criar memes, que são as famosas montagens com fotos e textos, e também dossiês para atacar adversários políticos.

Entre os casos relatados pela Folha estão ataques contra o deputado Cauê Macris (PSDB). O parlamentar concorreu contra Janaina Paschoal (PSL) na aleição da Mesa Diretora da Assembleia, vencendo a opositora.

Dias antes da eleição, Diniz enviou dois memes junto à seguinte mensagem para o grupo: “Amigo meu fez agora pouco, se alguém quiser usar nas redes, ajuda muito”.

Uma das montagens mostrava Macris discursando em um local com bandeiras do PT, trazendo o slogan #MacrisNão. Outro meme colocava o tucano como personagem vilão do desenho animado Scooby-Doo. Na montagem ele está amarrado pelo personagem Fred Jones que, com um rosto de reprovação segura em uma das mãos a prova do “crime”: uma bandeira do PT.

A reportagem da Folha surge em meio a um racha do PSL com denúncias de dentro do próprio partido sobre a existência de uma estrutura coordenada de “milícias digitais” sediada dentro do próprio Palácio do Planalto.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) é uma das que denunciam o esquema. Ela abriu a boca logo após Bolsonaro decidir tirá-la da liderança do governo no Congresso, como retaliação por ter apoiado a manutenção do Delegado Waldir (GO) como líder do PSL na Câmara dos Deputados.

Hasselmann disse que a rede de milícias digitais, coordenada pelos filhos do presidente Bolsonaro, teria 20 perfis no Instagram alimentando uma rede de cerca de 1.500 páginas.

Nesta quinta-feira (24) uma outra reportagem da Folha revelou também que a própria deputada utiliza dinheiro de sua cota parlamentar para pagar uma empresa que gerencia suas redes sociais, usadas como armas na guerra digital.

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