
Imagem: Reprodução
Por Michel Arbache, no Portal LN
O Jornal Nacional (1) de quinta-feira (29/06/2016) deu destaque para um estudo feito pelo Instituto Reuters – Universidade de Oxford – sobre a “confiança (sic)” do público em relação a mídia e que “o foco (sic) é a confiança do público numa época de notícias falsas, as fake news”.
Mais uma vez, a Globo contou uma meia-verdade que deixa no ar uma meia-mentira. Para começar, o estudo (anual) é sobre o mercado de notícias. Na introdução do estudo – 136 páginas em formato PDF (2) – publicado este ano, o diretor David Levy diz que o escopo são as preocupações sobre o financiamento do jornalismo no tempo em que as organizações de jornalismo se deparam com as novas plataformas de notícias – e que este estudo trata ‘também’ das “fake news” (notícias falsas). Assim, é rebaixar demais o sentido e a abrangência do estudo deixando o telespectador entender que ele só faz medir a confiança do público em relação ao veículo X ou Y no contexto da praga das fake news.
A notícia do JN diz também que o “estudo cita o Portal G1 e o jornal O Globo como veículos de informação (sic) que criaram equipes para verificar a veracidade das notícias publicadas na internet”. É curioso como o G1, com sua duvidosa novidade do “É ou não é” (3), tenha entrado em destaque no estudo no “combate às fake news” quando já existem sites que atuam nisso há mais tempo, como “E-farsas” (desde 2002) ou “Boatos.org” (desde 2013) e, claro, a chamada blogosfera que tenta fazer contraponto às mentiras e boatos espalhados pela mídia – como é o caso deste espaço, que costuma desmentir o próprio JN (4). Por ironia, uma matéria (5) da Globo dá dicas para o público saber se uma notícia é “fake”. Uma das dicas (procedentes, aliás) é verificar a ausência de link para fonte de informação. E a página do JN com o estudo (da Reuters – Oxford) não traz o link para o mesmo, de modo que o internauta precisa pesquisar até encontrar não só o site da Reuters Institute, mas também o estudo em si. No hiperlink do JN “Universidade de Oxford”, você é conduzido para… a notícia do JN! Ou seja: ser uma empresa de mídia é ser “A” Verdade, o que isenta o veículo de apresentar as fontes da notícia. É aí que mora o perigo.
Correspondente da Reuters é “da casa”, Globo.
Em tempos de internet, é um perigo o veículo jogar a notícia como se não houvesse amanhã. Se foi estranho um estudo aparentemente sério jogar o Grupo Globo (!) com uma referência elogiosa, a estranheza se desfaz quando pegamos o nome do correspondente da Reuters no Brasil, Rodrigo Carro: é colunista do Valor (leia-se Globo) (6). Assim sendo, com todo respeito ao correspondente, qual o seu grau de isenção para concluir que a mídia no Brasil tem tanta credibilidade se estudos recentes apontam algo bem diferente? (7). A despeito deste detalhe, a melhor definição para o trabalho de Rodrigo Carro pode ser a comparação com o seu colega Alejandro Rost, correspondente na Argentina. Este fez o dever de casa e apontou a grande concentração de mídia, no caso, referente ao Grupo Clarín – o que foi fundamental para a vitória à Presidência de Mauricio Macri, que, ainda segundo o estudo, tenta revogar itens da Ley e Medios, um modelo de democracia, segundo a ONU (8), que visa acabar com o monopólio das telecomunicações. E os gráficos que apontam o domínio do Grupo Clárin tanto na mídia tradicional – TV, rádio e jornal – quanto na plataforma online são similares aos que apontam o Grupo Globo com igual domínio no Brasil. Ou seja: a diferença entre as pesquisas no Brasil e na Argentina é a explicação do fenômeno do monopólio da informação que, no caso brasileiro, está ausente no estudo – mas muito presente na realidade.
Fontes:
1- Jornal Nacional de 29/06/2017 – “Brasil é segundo país com a maior confiança na mídia, diz estudo”:
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/06/brasil-e-segund…
2- Estudo completo do Instituto Reuters – U. Oxford (PDF):
https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/wp-content/uploads/Digi…
3- É ou Não É – site “anti fake news” do G1 (Globo):
http://g1.globo.com/e-ou-nao-e/
4- Exemplo de quando o Jornal Nacional deu asas às fake news e foi desmentindo neste espaço:
https://jornalggn.com.br/noticia/os-cabelos-na-coreia-do-norte-e-o-v…
5- “G1 ajuda internautas a checar fatos para não cair em notícias falsas.”
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2017/04/g1-ajuda-inte…
6- Rodrigo Carro – LinkedIn:
https://br.linkedin.com/in/rodrigo-carro-b2b02a26
7- Estadão – 28/10/2016 – “Confiança no Judiciário é de apenas 29% da população” – Confiança nos jornais: 37%; confiança nas emissoras de TV: 33%
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/confianca-no-jud…
8- “Ley de Medios da Argentina – legislação democrática que deveria servir de modelo para as telecomunicações no mundo” – Frank La Rue, correspondente da ONU dos Direitos Humanos para Liberdade de expressão e de opinião, em pronunciamento na Casa Rosada, sede do governo argentino:

Luciano Prado
1 de julho de 2017 12:08 pmQual o nome que se dá a isso?
“…a estranheza se desfaz quando pegamos o nome do correspondente da Reuters no Brasil, Rodrigo Carro: é colunista do Valor (leia-se Globo)…”
WG
1 de julho de 2017 12:20 pmPara comprovar a manipulação
Para comprovar a manipulação da informação, pela organização criminosa dos Marinho, uma edição de seu jornal diário basta.
Juliano Santos
1 de julho de 2017 1:24 pmEssa do link para a matéria
Essa do link para a matéria original, onde o leitor pode conferir a veracidade, cair no site do próprio JN foi sensacional. A Globo é auto-referente, além dela nada é confiável, tudo é nebuloso. Impressionante.
Bom, se eles querem ficar nesse auto-engano, por enquanto está funcionando. A classe política é refém, e o brasileiro é muito menos politizado que o argentino. Só que há limites para tudo.
Luciano Prado
1 de julho de 2017 2:17 pmAlimento para a boiada.
Sabe o pior?
Mesmo depois de se mostrar e escancarar as manipulações, falcatruas surge o otário com “argumentos” para embalar sua própria imbecilidade.
E a Globo só cevando o ruminante.
Jose mestre Carpina
1 de julho de 2017 1:26 pmUma coisa é apenas uma coisa….
Comparar notícias de qualquer órgão jornalístico com “fake news” geradas em geral por robôs, nerds, grupos tendenciosos ou terroristas é uma coisa…
Agora, comparar as notícias geradas por Blogs Jornalísticos , os ditos ” sujos” é brincadeira de mau gosto !!
É querer misturar alho com bugalhos !!
romulus
1 de julho de 2017 2:22 pmGlobo SEMPRE manipula
Aqui, outro exemplo:
ATENÇÃO: NÃO SEJA ENGANADO! MORO E DALLAGNOL – E A GLOBO! – FORAM DERROTADOS NO STF
Ou:
(título alternativo)
“Tempos estranhíssimos: foi necessária a boca ~suja~ de Gilmar Mendes para lavar a alma do Estado democrático de Direito no STF”
Por Romulus
– Além da decisão do STF ser um NADA (“conteúdo”?)…
– Esse NADA não se aplica a…
– … NINGUÉM!
– Sensacional, não?
– Em resumo, o acórdão é uma…
– … declaração de intenções (!)
– Perfeitamente inócuo juridicamente, mas com uma mensagem “política” clara:
(1) “Os Ministros do STF são um bando de frouxos”;
(como bem disse Lula, grampeado por… Moro!)
Que…
(2) decidem… ~não~ decidir (!);
E que…
(3) enfrentarão o pepino das delações caso a caso (opa!), à la carte, sem definir uma regra geral ~clara~.
Sabe qual a hashtag que isso tudo aí chama??
#Acordão!!
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http://www.romulusbr.com/2017/06/atencao-nao-seja-enganado-moro-e.html
Manu bhz
1 de julho de 2017 2:42 pmNão sei como 80% das pessoas
Não sei como 80% das pessoas podem ver na globonews como mídia de maior credibilidade, se nem 2% da população tem acesso a este canal.
Oylas pereira dos santos
1 de julho de 2017 3:08 pmpesquisa do crédito da Rede Globo
Esses canalhas são enganadores até na hora de desenganar. Quer dizer que o representante deste instituto que investigou a credibilidade da Globo trabalha nas organizações Globo?! e a cara nem fica vermelha…
Ray Nyman
1 de julho de 2017 6:43 pmmanipulação
porque, infelizmente, a maioria da população brasileira é alienada pela própria televisão de tal maneira, que as tornam céticas e incapazes de produzir seu próprio censo critico.
Rei
1 de julho de 2017 7:28 pmGloboception: Manipulando notícias sobre manipulação de notícias
Agora temos uma Matrix dentro de outra Matrix… a imprensa manipulativa vai começar a manipular estudos sobre a manipulação das notícias e a fornecer ferramentas que ajudam o usuário a fugir da manipulação…
O Brasil vai se tornando cada dia mais complexo em termos de manipulação.
Marcos K
1 de julho de 2017 7:40 pmSabe aquela frase do Lincoln
Sabe aquela frase do Lincoln “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”?
Pois é. A Globo conseguiu estragar até essa frase, porque ela consegue fazer quase todos de idiotas o tempo todo….
Daniel Cardoso
1 de julho de 2017 9:12 pmDica de leitura.
O livro, Controle da opinião pública: um ensaio sobre a verdade conveniente autor Nilson Lage, mostra as várias formas de controle e manipulação da informação! É uma boa leitura.