O maior fake news foi a criação do fantasma do fake news, por Luis Nassif

O país tem imensa dificuldade em analisar fenômenos novos, de ruptura. Há uma emulação atrasada das discussões que ocorrem nos grandes centros, com pouca análise e enorme vontade de protagonismo por parte de autoridades.

É o que explica as manifestações virulentas do Ministro Luiz Fux – um penalista no sentido mais restrito do termo – ameaçando com o fogo do inferno os geradores de fake news, apresentado por ele como a última grande ameaça à democracia. Fux convocou Ministério Público Federal, Polícia Federal, Gabinete de Segurança Institucional para a grande frente destinada a fazer busca e apreensão nas casas dos geradores de boatos, antes que eles fossem divulgados. Ou seja, instituir a censura prévia.

Os jornais entraram na mesma onda. Por aqui mostramos que a campanha contra os fake news foi deflagrada por uma pesquisa fake propagada por blogs ligados à Atlantic Council – um escritório de lobby nos Estados Unidos – com a intenção de controlar o conteúdo nas redes sociais.

Veja, a propósito, o “Xadrez do jogo político dos fakenews”.

Nos últimos dias, duas manifestações relevantes mostraram o engodo por trás da dramatização do fenômeno.

A primeira delas foi em uma palestra exemplar do Procurador Geral Eleitoral Humberto Jacques de Medeiros.

Ele identificou dois fenômenos, um velhíssimo, outro recente. O fenômeno velho é o da mentira, tão antigo quanto a civilização. Lembrou ele que a proclamação da República foi acelerada pelo boato de que a sucessão da coroa seria para um príncipe francês, o Conde D’Eu, marido da princesa Isabel.

Quando surgem novas mídias há uma desorganização no mercado de informações. Mas nada que não possa ser combatido pelos mecanismos jurídicos tradicionais – crimes contra a honra, direito de resposta etc. Discursos de ódio são de outra natureza, que nada tem a ver com o direito à informação e à opinião. Ódio não é opinião, é expressão. E a liberdade de expressão tem seus limites, principalmente quando o ódio incita a condutas ilícitas.

O fenômeno novo, diz ele, é o discurso de ódio contra as opiniões divergentes, no qual a manobra mais ostensiva consiste em recorrer ao vocábulo fake news, por si só uma manifestação de ódio. Hoje em dia, pode-se desqualificar qualquer informação com o carimbo de fake news.

Entende ele que a campanha contra fakenews visa, no fundo, impor a censura às ideias e opiniões.

Uma coisa é o perfil falso em redes sociais e o discurso de ódio, que nada tem a ver com o mercado de notícias. Outra coisa são as opiniões e discussões que devem ser as mais abertas e plurais possíveis, porque este é um princípio da civilização. Esse termo, fakenews,  pode desqualificar o trabalho jornalístico sério. Basta impingir o carimbo de fake news.

A resposta às notícias falsas não pode ser uma resposta violenta. Mas com mais informação, mais empoderamento do eleitor, do destinatário das mensagens.

Entende ele que os discursos polarizadores mais tradicionais são os discursos de ódio. Faz com que toda a cidadania se concentre em certos assuntos, queira saber a opinião do candidato exclusivamente sobre aquele tema, deixando de lado a discussão de propostas.

A segunda manifestação foi de David McCraw, vice-presidente do The New York Times – jornal que na década de 1870 protagonizou uma das primeiras manipulações políticas nas eleições, em parceria com uma nova tecnologia que surgia, o telégrafo sem fio.

Sobre as leis contra os fake news: Acho que essas leis serão distorcidas e usadas contra a verdade. Na maioria dos países em que leis foram implementadas, elas foram pensadas para calar os oponentes”.

Sobre o controle a checagem de notícias falsas pelas redes sociais: Mas é importante que as plataformas sejam transparentes. Como eles tomaram essas decisões? Como identificaram essas contas falsas? Porque é muito fácil para eles exagerarem e começarem a silenciar vozes com as quais discordam. Esse não deve ser o objetivo, a meta tem que ser uma discussão honesta, com variedade de discursos. Fico preocupado porque as plataformas não têm sido sempre abertas a explicarem como tomaram essas decisões. E precisamos saber para que possamos decidir se elas estão trabalhando para o melhor interesse da sociedade ou se tem uma agenda oculta. 

21 comentários

  1. Informação plural (mídia

    Informação plural (mídia plural e equilibrada); identificação, publicidade e divulgação das correntes  partidárias, políticas e dogmáticas das mídias plurais e das fontes informativas.

    Seria já um bom início.

    Fux nunca foi – em termo jurídico e técnico – um penalista e, por isso, desconhecendo criminologia diz besteiras…

  2. Nassifão essa história de
    Nassifão essa história de censura aos produtores de fake news é tiro no pé pq os próprios responsáveis por essa fiscalização/denuncia são os propagadores dela,vão se desmoralizar mais ainda pq o q verdadeiramente unirá a mídia independente (progressista e direita)será a censura proposta pelo suposto combate ao Fake news e ficará claro ao povão quem são os verdadeiros REIS DA MANIPULAÇÃO/DIFAMAÇÃO ou o dito Fake News, isso acabará com a melhor arma da mídia tradicional,esse debate eles sabem q será prejudicial ao seu modus operando e enterrar área o q resta de suas credibilidade,FakeNews está morto e enterrado a não ser q PROSTITUTOS MORALISTAS E ÉTICOS QUEIRAM RESSUSCITAR ISSO,SÓ PRA MOSTRAR QUEM MANDA e com isso dará o tiro de misericórdia nesta gente imoral !!!

  3. O ano era 1998 acabara de me

    O ano era 1998 acabara de me formar e não havia emprego nem pra puxador de carroça

    Mas se fosse assistir o jornal nacional ou qualquer programa da rede Globo na época o país estava uma maravilha, com raríssimas exceções

    A prática continua até hoje com a defesa das políticas do corrupto temer pela rede Globo após o golpe

    Se isso não for fake news eu não sei mais o que é, aliás, a “pós-verdade” praticamente se tornou uma religião para a imprensa brasileira

     

     

  4. bom post.

    Permitem que dê o meu pitaco.

    A CULTURA é a melhor defesa contra a fake news.

    Só que um povo com CULTURA ( ou pelo menos tenha apreço pela mesma) não se faz quando se cortam as verbas ano após ano.  Sem falar que custa dinheiro, tempo e vontade de cada um dos cidadões conscientes!

    Logo, não se pode esperar grande coisa dessas intenções…Não é para valer.

     

  5. Desde sempre, o Brasil

    Desde sempre, o Brasil antropofágico engoliu ideias no campo do Direito mas, tão somente piorando a coisa nvezes….se a antropofagia deu certo no campo da música, das artes e da literatura, na área juridica foi um fracasso: deu indigestão e uma bela diarreia em figuras bizarras como Fux….amigo arranca essa tua peruca postiça, assume tua idade: pegaria bem em você as belas madeixas brancas de Maria Betânia e isso não é uma observação negativa à cantora e muito menos a sua masculinidade tóxica: até mesmo pq ela estã cada vez mais linda: já vc, cada vez mais podre…

    Gente, vejam só o quanto a Bebntania tá linda

    https://www.instagram.com/p/BmPJS88g3bY/?taken-by=bethanicos

     

    Acho que tropecei no teclado…..foi a emoção….eu quis dizer Maria….Mr Be5^..

    ai..ai…fui

  6. Nassif, vc redescobriu a

    Nassif, vc redescobriu a roda. E não é crítica, não.

    “Desde que o mundo é mundo” abundam os boatos, a calúnias, a ameaça do comunismo ao nosso mundo de vida de fome hipercalórica.

    Os usos de técnicas militares na indústria civil me fazem lembrar da indústria de comida enlatada e de psicólogos estudando a indústria do boato junto com serviços de contrainformação norte-americana na segunda Guerra Mundial.

    Mas são várias as ameaças. Os smartphones estão fazendo tanto ou mais estragos do que os aparelhos de televisão (você ainda podia estar com sua família e fazer um comentário… que fosse motivo de discussão). Diminuição de horas de sono e a colonização sistemática dos tempos vazios, de silêncio.

    Vender notícia é a vida de muita empresa. Mas vender ideias que deterninam a vida das pessoas e ainda lhes dizer que elas têm “direito e liberdade de opinião” (não passa de ponta de um iceberg) dá mais dindin. 

  7. Robôs e imaginação

    E o controle da informação. Ninguém vai verificar os algorítimos do feicebook que controla o que é exibido para as pessoas e com fakes. Ou como o discurso fake é uma reprodução  do conteúdo de “opinião” da mídiona, com direito a ameaça “bolivariana” e mais. Oque gera os fake news é o controle da informação fechado e cartelizado.

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