Paulo Bernardo e a “pegadinha” que pegou na blogosfera

Quando o Ministro Paulo Bernardo explicou que estava passando um pente fino na proposta de nova lei das comunicações, para impedir que escapasse alguma bobagem, a intenção era clara. Em muitos outros momentos – Lei do Audiovisual, Conferência Nacional da Mídia, a própria Lei das Comunicações – a velha mídia pegava um ponto qualquer, uma palavra solta, tirava do contexto e armava o escândalo.

A intenção do pente fino não era questionar o conteúdo da proposta de Lei das Comunicações legada por Franklin Martins, explica ele, mas analisar o que poderia ser utilizado como «pegadinha» por parte da mídia.

Justo na entrevista em que procurava se calçar contras as «pegadinhas», Paulo Bernardo falou em «bobagem». Era a pegadinha que faltava.

Hoje, os jornalões saíram com chamadas, insinuando que o Ministro estava criticando o autor do estudo, Franklin Martins. Conseguiram criar um enorme alarido em toda a blogosfera. Uma colunista da velha mídia ligou para ele perguntando qual tinha sido a reação de Franklin Martins. Resposta: ele sabe como vocês atuam.

Criou-se uma situação paradoxal.

Dias atrás, Paulo Bernardo esteve no Sindicato dos Bancários explicando de viva voz as intenções do governo em relação ao tema. No entanto, bastou uma «pegadinha» da velha mídia para a discussão degringolasse. Os críticos da velha mídia esqueceram da palestra ao vivo do Ministro e passaram a tratar como verdade absoluta a «pegadinha».

Explica Paulo Bernardo que esteve hoje com Dilma Rousseff e que a agenda continua do mesmo modo. Primeiro, leitura detalhada do projeto, discussões internas no governo e debate aberto com a sociedade. Antes de remeter para o Congresso, nova discussão interna para uniformizar o entendimento do governo em relação à matéria.

Será mantida a proposta de regulação da mídia tal qual apresentada por Franklin: sem nenhum tipo de controle prévio de conteúdo, mas com uma Agência regulando o percentual de produção independente, produção nacional e, a posteriori, os conteúdos que ferem a constituição e o código penal.

Não se mexerá na questão do capital estrangeiro. Para produção jornalística permanecerá o máximo de 30%. Mas Paulo Bernardo admite não ter como controlar, por exemplo, o trabalho de um Terra, de uma Reuters.

Lembra algo que testemunhou esta semana em Foz do Iguaçu. Uma emissora argentina alcança ouvintes brasileiros. Passou a vender comerciais para lojas do lado brasileiro. As emissoras brasileiras foram reclamar mas o Ministro constatou que nada podia ser feito: era uma emissora argentina, legalizada, vendendo publicidade para lojas brasileiras.

Ou seja, se uma BBC, Reuters ou Terra pretender vender publicidade no Brasil, não haverá como impedi-los. 

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