
Um novo ato falho da Veja?
por Fábio de Oliveira Ribeiro
Em novembro de 2015 escrevi um artigo sobre o ato falho da Veja https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/a-veja-e-seu-ato-falho-estampado-na-capa-por-fabio-de-oliveira-ribeiro. Volto ao assunto por causa do novo ícone que ilustra a capa e a matéria da revista sobre a primeira audiência de Lula na Justiça Federal em Curitiba revela duas coisas interessantes
http://veja.abril.com.br/politica/moro-x-lula-o-primeiro-encontro-cara-a-cara/.
A primeira é a falta de isenção de Sérgio Moro. Em qualquer país civilizado, o juiz deve manter uma posição equidistante entre a acusação e a defesa. A isenção do juiz deixa de existir quando ele é parte da disputa. Ao enfrentar o autor ou o réu como se fosse parte do processo, como sugeriu a Veja, o juiz revela sua parcialidade. Todavia, a imparcialidade de quem distribui Justiça é essencial à validade e eficácia das decisões judiciais.
Quando o juiz tem ou demonstra ter um interesse pessoal (econômico, ideológico ou polĺitico) na solução do caso o processo é nulo, pois todo cidadão tem direito a um julgamento justo por um Tribunal isento. É isto o que diz textualmente o item 1, do art. 8o., da Convenção Americana de Direitos Humanos
“1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.” https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.convencao_americana.htm
Referida norma tem força de Lei no Brasil em virtude do disposto no art. 5o., da CF/88:
“§ 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.”
Ao colocar frente a frente Moro e Lula, a Veja sugere que o primeiro é parcial e não deveria estar julgando o segundo. Este é o primeiro aspecto interessante do ícone. O segundo é bem mais sutil.
Lula (tratado como culpado pela Veja) é amigo do povo brasileiro e foi acusado de ter ganho um apartamento Triplex, mas o imóvel está em nome de terceiros e a posse dele nunca foi transferida ao ex-presidente petista. Sérgio Moro (tratado como um impoluto paladino da justiça pela Veja) já foi várias vezes fotografado confraternizando com inimigos políticos de Lula que respondem, devem responder ou responderão por crimes financeiros extremamente graves. Dentre estes podemos citar José Serra, Fernando Capez, Aécio Neves e Michel Temer.
Ao representar Moro x Lula sozinhos frente a frente a Veja se esqueceu de atribuir a cada um o que é seu. Ao lado de Lula deveria estar representado o POVO BRASILEIRO e o Triplex que NÃO lhe pertence e ao lado de Sérgio Moro as AMIZADES BANDIDAS que ele cultiva com os inimigos políticos de Lula. Através de uma omissão a Veja induz o respeitável público a erro. Nem Lula, nem Moro podem ser separados dos contextos a que eles pertencem. O antagonismo político entre ambos, evidenciado até pela história documental e fotográfica, não poderia ser ignorado pela revista. A Veja só ve e mostra aquilo que lhe interessa?
Jorge Luis
7 de maio de 2017 5:42 pmÉ obrigatório acrescentar as
É obrigatório acrescentar as capas da Veja e IstoÉ ao processo contra Moro na ONU.
JB Costa
7 de maio de 2017 5:54 pmBoa lembrança.
Boa lembrança.
Sidnei Brito
7 de maio de 2017 5:50 pmE as cores?
E o azul do PSDB na face de Moro, então?!
Henrique Barros
7 de maio de 2017 10:32 pmDragão vs Anjo
Isso e mais a máscara de Lula ter ares de Dragão e a de Moro de anjo.
Ansioso por um governo que coloque essa pseudo-imprensa no seu devido lugar.
E não precisa nem regular a mídia por lei. Basta fechar a torneira de publicidade e propagando do governo por 6 mesinhos.
Não sobra uma pra contar estórias.
JB Costa
7 de maio de 2017 5:51 pmA Capa da VEJA não deriva de
A Capa da VEJA não deriva de um ato falho, mas bem pensado. Pelo lado útil, o incremento das vendas; já pelo agradável, excitar ainda mais o imaginário dos seus leitores com relação a essa pseudo disputa entre um Juiz e um réu. Um verdadeiro absurdo, como bem esclarece o texto, que se somam a leva que assola o país.
Renato Lazzari
7 de maio de 2017 6:09 pmTalvez essa capa tenha o
Talvez essa capa tenha o efeito contrário de incrementar vendas. Exceto pelos muito ignorantes, ninguém gosta de juiz tomando parte. E será que essa é uma disputa que pode ser chamada de “pseudo”? Digo, será que nada no desempenho das responsabilidades de Moro aponta para uma disputa verdadeira? Por exemplo, enquanto juiz, Moro é respeitoso a Lula como o é a outros presidentes e ex-presidentes?
Acho que a revista prega para convertidos, apenas.
Renato Lazzari
7 de maio de 2017 6:00 pmPois é, caro Fábio, o juiz
Pois é, caro Fábio, o juiz Moro, com essa capa, ganha o direito de processar a revista por difamação. Onde já se viu chamar um juiz de parcial, de ser contra o réu dessa forma? O próprio Moro, questionado pela defesa de Lula, recusou-se a declarar-se suspeito…
Será que, a bem da justiça, alguém pode processar a revista, senão em nome de Moro, em nome de todos os juízes brasileiros, quiçá até do Direito como aquisição civilizatória humana? A acusação de parcialidade de juíz é gravíssima.
Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de maio de 2017 6:24 pmBem lembrado.
Moro adquiriu o
Bem lembrado.
Moro adquiriu o direito de processar civil e criminalmente a revista Veja.
Se ele não fizer nada significa que ele concorda com a revista e, portanto, que ele realmente é PARCIAL como a defesa de Lula e vários jornalistas, blogueiros e juristas tem dito.
Renato Lazzari
8 de maio de 2017 1:25 amSerá que só Moro? Eu pouco
Será que só Moro? Eu pouco sei de Direito mas penso que se eu fosse juiz não gostaria de ter a imagem dos juízes como pessoas contra os réus. Quem sabe uma causa no valor do espaço, na revista? Ou ainda algo que imponha à firma “Abril” o dever de informar que nem todos os juízes cometem ilegalidades com as que Sérgio Moro está cometendo. Como você bem lembrou, há jornalistas, blogueiros e juristas brasileiros e estrangeiros, além daquele órgão da ONU, da imprensa internacional e de associações como – não sei se existe – juízes pela democracia (nos moldes dos Psicanalistas pela Democracia).
Se Moro aceitar a pecha de “contra o réu” pode não resultar em boa coisa para ele. Um patrimônio indispensável a um juiz é credibilidade, que ele mesmo alega ter quando recusa declarar-se inapto para julgar Lula.
Fábio de Oliveira Ribeiro
8 de maio de 2017 9:11 amBem lembrado.
Houve um tempo
Bem lembrado.
Houve um tempo em que os juízes eram bem mais agressivos em defesa da sua imagem de isenção e honestidade.
Eu mesmo fui processado criminalmente por causa de uma crônica ridicularizando juizes.
http://www.conjur.com.br/2004-mai-12/cronica_nao_ataque_pessoal_juiza_osasco
Renato Lazzari
8 de maio de 2017 2:15 pmVamos ver se Moro se expressa
Vamos ver se Moro se expressa como ultrajado ou lisonjeado.
Como se sente não há dúvida: lisonjeado. O sonho de juiz personalista e vaidoso é derrubar poderosos bem antes de praticar o Direito em sua melhor forma. É como se ele sentisse: “Eu sou a lei.”
(Acho que já vi esse sentimento em algum lugar…)
EDELSON CARLOS AFONSO PINTO
7 de maio de 2017 8:16 pmCapa de Veja
Não só a capa de VEJA, como também a de ISTO É pecaram pela idéia. Parabéns pela matéria
hugo1
7 de maio de 2017 9:38 pmO tom jocoso da capa é para
O tom jocoso da capa é para atenuar a surra que Moro vai levar de Lula, na terça.
Imaginei que a capa dessa semana seria a mais séria e a mais sóbria de todos os tempos, no entanto o tom de fantasia, serve pra despistar o inevitável. Lula está absolutamente seguro e convicto de suas posições. Quando ele afirma que quer que haja uma transmissõ ao vivo de seu depoimento, deixa bem claro que não tem nada a esconder.
A capa de veja, transnforma o depoimento numa batalha de luta-livre, uma luta encenada em que o “mocinho” não precisa acertar nehum golpe de verdade para derrotar o “vilão”, mas a plateia se diverte mesmo assim, mesmo sabendo de toda a encenação. É tudo o que o leitor de veja precisa.
Naldo
7 de maio de 2017 9:48 pmSerão bons anexos ao processo
Serão bons anexos ao processo da ONU,
maisn uma jabuticaba nacional, o processo em que o juiz é adversario da parte, surreal……