
Já tive algumas pinimbas musicais com meu amigo Ruy Castro. Uma delas foi sobre a bossa nova. Em seu livro magistral – pelos achados históricos – julguei que ele foi muito na conversa de Ronaldo Bôscoli, de tratar a bossa-nova como o início da criação. Antes só havia bolerão e música dó-de-peito e veio a bossa nova e zerou tudo e deu início à música brasileira refinada, conforme a visão de Bôscoli.
Discordei bastante. Entendia a bossa nova como uma sequência lógica da música brasileira, que vinha do samba, do samba sincopado, do samba choro e do samba canção, passou pelos violonistas da Nacional, pelos conjuntos vocais dos anos 40 (cuja importância para João, Ruy expôs magnificamente), por Johhny Alf. A João Gilberto não coube sequer a invenção da batida, que já era praticada por Garoto. Mas teve o mérito da grande síntese, trabalho culturalmente definitivo.
Briguei muito com o Ruy sobre o samba-canção, que considerava mais rico musicalmente do que a produção da bossa nova – restrita a pequeno espaço de tempo – e sobre o bolero, um gênero sofisticadíssimo que influenciou o samba-canção e seduziu um dos pais musicais da bossa, Luiz Bonfá.
No lançamento do livro de sua esposa, em São Paulo, acertamos os ponteiros. E o reconhecimento da importância do samba canção veio no último livro de Ruy.
No encontro tive a oportunidade de lhe falar sobre minha maior inveja: o fato dele, Ruy, ter sido o primeiro a escrever, na imprensa, sobre Rosa Passos, tratando-a como o João Gilberto feminino. E é mesmo. Aliás, com todo respeito pelo mestre, que inventou esse modo da voz ajudar a compor o sincopado, Rosa Passos levou a arte a um nível inigualável.
mcn
26 de dezembro de 2015 1:24 pmPassei por aqui pra dizer que
Gosto de Rosa Passos.
Rui Daher
26 de dezembro de 2015 1:54 pmMe tirou da boca,
conforme ia lendo seu texto chegaria em Rosa = João. Não há dúvida.
Cris Kelvin
26 de dezembro de 2015 3:01 pmImpressão semelhante…
… ao ler o ótimo trabaho de Ruy Castro, “Chega de Saudade”, que prima pela pesquisa, mas peca em juizos de valor, como se a a MPB só tivesse valia só a partir da Bossa Nova…
Quanto a boa Rosa Passos, tenho dúvidas sobre a comparação. Na minha opinião, acho mais para uma Fátima Guedes atenuada, arredondada. Mais próxima de JG, ainda considero Nara Leão, cantando de forma simples, natural, sem afetação.
joel lima
26 de dezembro de 2015 4:37 pmAcho Rosa Passos ótima
Acho Rosa Passos ótima cantora, mas não consigo colocá-lo junto de João. Acho que João não só é mestre, mas ele também chegou a níveis que Rosa não chegou. Há músicas que João canta ( pra que discutir com madame, águas de março – pra mim, a melhor versão dessa música -, eu quero um samba, falsa baina e eu vim da bahia …) que me dão um frisson que nunca cheguei ouvindo Rosa Passos.
José Robson
26 de dezembro de 2015 5:42 pmCom Yo Yo Ma
José Robson
26 de dezembro de 2015 6:21 pmCom Yo-Yo Ma
[video:http://youtu.be/5qpFMOVCzSk%5D
joao
26 de dezembro de 2015 11:32 pma critica
caracas!
infelizmente nao conseguimos sair do vira lata e encarar cada um como cada um, independemente, sempre queremos uma referencia ou um padrao para margiar algum ponto. Joao era joao. Rosa eh rosa e Rosinha de Valencia era de Rosa de valencia. A musica brasileira e seus musicos. Para ser uma nacao precisamos ser diferentes e fazer diferencas e nao nivelar ao conhecimento de referencia para avancar,, liderar criando autonimias diversos e diferentes caminhos e pessoas. So avanca e se conquista espacos com diferencas que assim abrimos caminhos com homens e ciencias brasileiras. O Brasil e os brasileiros nao sao uma matriz local, cultural e padrao unico e sim somos milhares trabalhando, construindo e abrindo espacos para nossa cultura.
cassio guimaraes
27 de dezembro de 2015 1:07 amJohhny Alf? Perfeito!
Johhny Alf? Perfeito!