13 de junho de 2026

Lembranças do Festival de Casa Branca de 1969

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Fuçando em coleções antigas, encontrei um disquinho de 1969, de Carlos Molin, com acompanhamento do Conjunto de Carlinhos Mafazolli tendo Poly como “convidado de honra”. Nele, uma faixa, “Frevo Gamado”, de minha autoria, interpretada por Molin e pela Mônica, nossa cantora, que tinha um agudo afinadíssimo.

Foi uma edição do Festival de Casa Branca, organizado pelo 2o Sargento Moacir. Premiava a melhor canção geral e a melhor canção de atiradores. Levei ambos.

O Festival me garantiu 30 dias de licença no Tiro de Guerra de Poços para participar de vários outros festivais, incluindo um da TV Tupi.

No começo dos anos 50, Molin tinha se convertido em um cantor mirim prodígio da rádio Nacional. Gravou algumas canções que foram sucesso, incluindo uma do Capiba. Depois, radicou-se na região.

O Festival foi importante por várias razões, uma das quais foi uma jurada, repórter da revista Realidade, dirigida por Luiz Fernando Mercadante – que foi casado com minha tia Zélia.

Quando mencionou o vencedor do festival, o Luiz Fernando se surpreendeu: “É meu sobrinho”. A última vez que o havia encontrado fora ainda na minha infância. Pela minha tia, veio o recado:

– O Fernando disse que, assim que vier para São Paulo, fale com ele, para ser encaminhado a alguma redação.

No final do ano prestei vestibular, passei na USP e fui cobrar a promessa. A proposta inicial, no Jornal da Tarde, não deu certo porque no 1o semestre não consegui vaga na parte da manhã.

A segunda foi na revista Veja, onde comecei oficialmente no jornalismo em 1o de setembro de 1970, indicado por Fernando para o redator chefe Luiz Garcia e o chefe de reportagem Talvani Guedes.

No ano passado, fui à Unicamp, na homenagem ao Carlos Vogt. Na mesa do almoço me surpreendi quando um rapaz cantarolou o frevinho. Era de Casa Branca e, na época, segundo me disse, a disco foi muito executado nas rádios locais.

Nos anos seguintes, elaborei um pouco mais as composições. Mas o jornalismo já tinha falado mais alto.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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