Para comemorar o 200 º aniversário do nascimento de Giuseppe Verdi , o Teatro Bolshoi escolheu a peça “Don Carlo”, a mais longa e mais desafiante, tanto musicalmente como dramaticamente, das obras do aniversariante. Poderia ser “Rigoletto”, “Il Trovatore” ou “Aida”, por serem as obras mais conhecidas do compositor, tomando assim o caminho relativamente indolor.
“Don Carlo” abre hoje (17/12/2013) à noite, no Palco Principal do Teatro Bolshoi a curta temporada de seis apresentações.
Verdi escreveu “Don Carlo” originalmente para um libreto francês, comissionado pela Ópera de Paris, contendo cinco atos, incluindo uma sequência de balé, item obrigatório na Grande Opera parisiense da época, e obviamente, fazendo sua estreia com enorme sucesso, em 1867.
O libreto logo foi traduzido para o italiano, sendo o título original “Carlos” alterado para “Carlo”, aparecendo nos palcos de ópera da Europa e dos Estados Unidos. Perturbado pelos relatos que recebia sobre cortes e rearranjos que estavam sendo feitos em produções da ópera, Verdi, decidiu criar uma versão italiana definitiva, retirando o primeiro ato e o balé. Depois de revisado, sua reestreia foi em Milão, em 1884.
A versão original em francês- há muito tempo negligenciada- tem desfrutado de certa popularidade nos últimos tempos, mas a versão de 1884 é a mais vista nos palcos de hoje, sendo esta a versão esperada que o Bolshoi apresente nesta semana.
“Don Carlo” é baseado no drama de Friedrich Schiller “Don Karlos”, que teve sua estreia em Hamburgo exatamente 80 anos antes do aparecimento da ópera de Verdi. Sua narrativa das intrigas políticas e paixões particulares, que aconteceram em meados do século 16, na corte do rei Felipe II da Espanha, não leva a sério o fato de ser histórico. Longe de ser um campeão heroico da liberdade e um amante ardente, como retratado tanto no teatro como na ópera, o verdadeiro Don Carlos, filho primogênito e herdeiro do rei Felipe II, era fraco fisicamente, repugnante e mentalmente instável, sendo enviado por seu pai para a prisão, onde morreu com a idade de 23 anos, de acordo com descrições da época.
Veja mais sobre a apresentação do Bolshoi aqui.
Devo destacar aqui o dueto‘Dio, che nell’alma infondere’- Ato II
Carlos, para fugir das dificuldades que passava, foge para longe de seus deveres principescos e vai à Floresta de Fontainebleau, para conhecer sua prometida, Elizabeth de Valois. Por ironia do destino, os dois se enamoram e declaram adoração mútua, porém chega a notícia que o tratado havia mudado. Elizabeth teria de casar com o pai de Carlos, o rei Felipe II da Espanha. Por fidelidade a seu povo e pela necessidade desesperada de paz entre os dois reinos, Elizabeth consentiu, e Carlos se desesperou.
Carlos volta para a Espanha e se esconde no mosteiro de San Yuste, onde seu avô, Carlos V dedicou sua vida à oração depois de abdicar ao trono. Sozinho, neste lugar sagrado, escuro e opressivo, Carlos se sente ameaçado pelo canto distante dos monges e pela austeridade dos pronunciamentos de um monge que tem uma impressionante semelhança com seu avô.
Rodrigo – Marquês de Posa e único amigo de Carlos – vem para ajudá-lo e dissipa todos os fantasmas de Carlos. Corajoso, forte e sincero, o herói idealista de Verdi tem absoluta fé no poder e bondade de seu amigo. O Marquês descobre a causa da aflição de Carlos e o instrui para silenciar seu coração em devoção a uma causa nobre: libertar o povo de Flandres da agressiva ocupação espanhola. “Vou seguir-te, meu irmão”, canta Carlos, tranquilo e sincero – e imediatamente um sino soa anunciando a aproximação do rei Filipe e sua nova rainha. O coração de Carlos bate forte- ‘Elisabetta!”-, Mas, firmemente, Posa entoa com os metais: “Peça a Deus a força dos bravos”.
E então acontece o sensacional dueto. ‘ É Deus quem acende o amor e a esperança em nossos corações’. Carlos e Posa cantam uma marcha prometendo fidelidade à causa e à amizade.
- Dio Che nell’alma infondere
Rolando Villazon, tenor mexicano e Thomas Hampson, barítono estudinense.
Klassik am Odeonsplatz, München, 06.07.2013.
Chor des Bayerischen Rundfunks
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Dirigent: Yannick Nézet-Séguin
http://www.youtube.com/watch?v=-z5OIKn_j3U
lucianohortencio
18 de dezembro de 2013 11:55 amCaro Nome – Bidu Sayão
[video:https://www.youtube.com/watch?v=AgoSOXcXeto%5D
Luiz Antonio Antunes Machado
18 de dezembro de 2013 12:37 pmVerdi
O papel preponderante de Giuseppe Verdi na história da ópera e do espetáculo de forma geral é um capítulo a parte na história das artes. Verdi, iniciando sua carreira sob a influência dos mestres do “bel canto”, especialmente Donizetti, Bellini, Rossini, Pacini, Verdi adquiriu um estilo dramático envolvente. Sua participação no plano ideológico é também muito importante, tendo um papel incisivo no “risorgimento”, movimento político para a unificação da Itália.
Um detalhe interessante para aqueles que desprezam os “mais maduros”: Muitos especialistas e melômanos consideram “Otello”, sua obra-prima, em termos dramáticos e de continuidade teatral, uma parceria vitoriosa com o músico e libretista Arrigo Boito, e Verdi nesta época tinha 74 anos de idade !!!