4 de junho de 2026

O cantor e compositor Moacir dos Santos

Moacir dos Santos: no berço do tango, brasileiro tem vida retratada em documentário

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Maíra Vasconcelos, exclusivo para o blog

A vida do cantor, compositor e bailarino de carnaval, Moacir dos Santos, 68, ganhou as telas do cinema argentino. Após um ano da estréia do documentário em Buenos Aires, realizado pelo cineasta Tomás Lipgot, Moacir pode alcançar seu sonho de músico. Com 30% do CD* gravado, e se conseguem a verba necessária para terminar o álbum, a expectativa é de lançamento em dezembro deste ano.

Há 35 anos, Moacir chegou a Buenos Aires. Com o sonho de abandonar a pobreza vivida em Santos, onde nasceu, e a desestabilidade familiar com a mãe alcoólatra, buscou em terras portenhas seguir a carreira musical. No Brasil, as tentativas frustradas, após apresentações na Rádio Clube de Santos, também o motivaram a buscar novos rumos.

Suas letras escritas há mais de 20 anos, e registradas por ele quando chegou ao país, na Sociedade Argentina de Autores e Compositores de Música (Sadaic), foram trazidas à luz. Duas canções são exibidas no filme, os sambas, “Confete e Serpentina e “Marcha do Travesti”.

O documentário Moacir continua na estrada e segue em apresentações pelo interior da Argentina. Também foi exibido em festivais internacionais de cinema independente e latino-americano.

No Brasil, esteve em cartaz no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e São Luis; também em Havana (Cuba), Santiago (Chile), Bélgica e Bordeaux (França), Leipzig (Alemanha).

Moacir alcançou premiações na França e na Argentina. No Festival de Encontros com o Cine Latinoamericano, em Pesssac, recebeu o Prêmio de Melhor Documentário Independente. E em Concordia, levou a menção ao Personagem Principal.

O diretor Tomás Lipgot, argentino do Sul do país, há 12 anos em Buenos Aires, já dirigiu dez curtas-metragens. Após a produção de “Casafuerte”, “Fortalezas”, “Ricardo Becher, Recta Final” e “Moacir”, Lipgot prepara seu quinto longa-metragem, dessa vez, de animação.

O brasileiro-argentino

Em 1977, Moacir escapou rumo a Buenos Aires, e como ele mesmo diz, “cheguei de ônibus, foi como se entrasse triste (no país)”. Ele passou quase 15 anos internado, com diagnóstico de esquizofrenia paranoide, no Hospital Neuropsiquiátrico J.T. Borda (1989-2004), de onde foi resgatado por Tomás Lipgot. Chegou ao “Borda” levado por vizinhos. Notaram que Moacir não saia de casa. Ele surtou, exatamente, durante as crises político-econômicas de 1989/2001 vividas pela Argentina, ressaltou Tomás Lipgot.

Ao realizar “Fortalezas” (2010), filme sobre a vida de grupos marginalizados em distintas instituições de reclusão social, Lipgot percorreu os corredores de uma prisão, um asilo, um leprosário, e nos espaços de aspecto cinza e enferrujado do “Borda”, encontrou a voz e personalidade únicas de Moacir.

Hoje, reabilitado e inserido à sociedade, Moacir aluga um quarto, em um hotel familiar, em Buenos Aires e se mantém com uma pensão mensal do Estado argentino e um subsídio habitacional do governo municipal.  

Moacir define-se “um brasileiro-argentino”. Com pompa de artista, parece já estar preparado para enfrentar o possível êxito das suas canções. “Não me entusiasmo com o que naturalmente pode vir a ser um grande sucesso”, afirmou contundente.

Assim, lembraria o produtor musical Sergio Pángaro, “Moacir é um talento, mas não sabe. Ele sabe que é uma pessoa importante por alguma razão. E Moacir é um gênio”, exclamou Pángaro, argentino do Sul do país, músico e cantor, há 20 anos em Buenos Aires.


*Para ajudar Moacir a grava o CD, acesse e colabore: http://idea.me/proyecto/193/eldiscodemoacir

Maira Vasconcelos

Maíra Mateus de Vasconcelos – jornalista, de Belo Horizonte, mora há anos em Buenos Aires. Publica matérias e artigos sobre política argentina no Jornal GGN, cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. Também escreve crônicas para o GGN. Tem uma plaqueta e dois livros de poesia publicados, sendo o último “Algumas ideias para filmes de terror” (editora 7Letras, 2022).

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados