A arrepiada do cavaquinho e a onda provocada nas Escolas de Sambas é “igual a transa: quando começa tem ir até o fim (…) de preferência acelerando até o final”.
Os vídeos conduzidos, magnificamente, pelo Mestre Henrique Cazes, percorrem uma bela viagem ao som do cavaquinho nascido em Braga, no Porto, Portugal.
Músico, pesquisador, professor, cavaquinista e compositor, resgata trajetória secular do intrumento, que não se restringe ao choro ou ao samba – Foto de Marília Figueiredo / Diário de Pernambuco.
A Pequena Viola de Braga – o Braguinha dos Viscainos – é o menor instrumento, mas é o que tem o maior número de afinações.
O cavaquinho viajou de Portugal para o Brasil, para Cabo Verde e chegou aos Estados Unidos, ao Havai, onde é chamado de ukelele.
“O cavaco é fácil de carregar de lá prá cá e, por isso, foi trazido pra cá e levado para o Hawai, pra Indonésia, pra Goa, na Índia, e prá África.”
Henrique Cazes é o condutor do roteiro sobre a historiografia do instrumento que ele, desde sempre, tem se ocupado para aproximar Portugal e Brasil através dos elementos culturais mais comuns aos dois: a língua e o cavaco.
Nos vídeos, Paulinho da Viola fala da sua palhetada cirúrgica e de outros bambas do cavaco, “cuja pegada faz a diferença de um instrumentista do outro”.
“As três correntes do cavaquinho foram capitaneadas por Carlinhos do Cavaco (com a sua levada de banjo e afinação de bandolin que marcaram as gravações da Clara Nunes), o Manoel do Cavaco (dono de uma palhetada mais calangueada) e o Canhoto (especialista do samba canção com levada mais de choro) e depois o Almir (com levada de banjo).”
“O cavaquinho é muito sensível, dá mais problemas e não permite erros construtivos, enquanto o violão, com espessura maior, pode ser, eventualmente, reparado porque as alterações influenciam menos.”
“Um milímetro a mais ou a menos nas especificações de construção do cavaquinho alteram, definitivamente, a qualidade do instrumento.”
Um dos mais famosos temas da música popular brasileira foi composto por Nazareth, em 1914, como uma polca para piano.
O cavaquinho entrou nas rodas de choro e nos repertórios de bandolinistas e cavaquinistas em uma fase posterior.
É a partir daqui que começa a viagem do cavaquinho, um instrumento cuja história se confunde em vários continentes.
O Maestro Zé Menezes, aos 8 anos tocou o seu cavaquinho para o lendário Padrinho Padre Cícero Romão Batista, de Juazeiro: – “Se tem jovem, também tem velhos transviados”.
Joel Nascimento, Cabo Frio, Rio de Janeiro: – “Desenvolvi a minha técnica disputando velocidade com o pandeirista”.
Angelo Budega: – “O cavaquinho, instrumento tão nobre trazido pelos portugueses, dentro do Brasil atuou muito no processo de formação da nossa música”.
Apanhei-te Cavaquinho
“O andamento do cavaquinho em Brasileirinho foi gravado em 130 e o andamento do samba enredo, na Avenida, está em 160.”
A influência da Música Portuguesa na Música Brasileira
“lá em casa tem um tiro liro liro” / “na mInha casa todo mundo é bamba”
No começo de 2009, quando comemorou seus 50 anos de vida, 23 de cavaquinho, Henrique Cazes se lembrou de uma conversa que tivera 15 anos antes com Radamés Gnattali, na casa deste, em Penedo. Do potente rádio da sala saía o som de um piano que, pela excelência, chamou a atenção dos dois. “Pode apostar que este pianista tem mais de 50 anos”, disse o maestro, logo explicando que é a partir dessa idade que o instrumentista atinge sua maturidade técnica e emocional. Cazes não guardou o nome do pianista, mas a observação de Gnattali ficou.
“Comecei a pensar mais em meu trabalho como solista”, diz ele, como se consciente de que sua dedicação ao cavaquinho tivesse seguido por vários outros caminhos: o de autor de um método adotado aqui e no exterior (já na 14ª edição), o de historiador no livro Choro, do quintal ao Municipal; o de âncora deApanhei-te, cavaquinho, série de documentários para a TV portuguesa; o de acompanhante ou produtor de discos de outros artistas; e o de mestre em entnomusicologia pela Escola de Música da UFRJ, defendendo tese sobre rodas de choro.
O novo CD que está lançando é parte do pensamento voltado para o solista, já agora num estágio mais maduro. Seu conceito está bem definido no título: Uma história do cavaquinho.
Empolgado por ter o maestro Ernani Aguiar criado na UFRJ o Curso de Cavaquinho em nível de bacharelado, primeiro no mundo sobre o instrumento, Cazes prepara-se para a primeira execução, talvez em abril do ano que vem, do Concertino para cavaquinho e orquestra”, escrito recentemente por Aguiar. [ Diario de Pernambuco ]
jns
29 de dezembro de 2013 6:19 pmA Pequena Viola de Braga
A arrepiada do cavaquinho e a onda provocada nas Escolas de Sambas é “igual a transa: quando começa tem ir até o fim (…) de preferência acelerando até o final”.
Os vídeos conduzidos, magnificamente, pelo Mestre Henrique Cazes, percorrem uma bela viagem ao som do cavaquinho nascido em Braga, no Porto, Portugal.
Músico, pesquisador, professor, cavaquinista e compositor, resgata trajetória secular do intrumento, que não se restringe ao choro ou ao samba – Foto de Marília Figueiredo / Diário de Pernambuco.
A Pequena Viola de Braga – o Braguinha dos Viscainos – é o menor instrumento, mas é o que tem o maior número de afinações.
O cavaquinho viajou de Portugal para o Brasil, para Cabo Verde e chegou aos Estados Unidos, ao Havai, onde é chamado de ukelele.
“O cavaco é fácil de carregar de lá prá cá e, por isso, foi trazido pra cá e levado para o Hawai, pra Indonésia, pra Goa, na Índia, e prá África.”
Henrique Cazes é o condutor do roteiro sobre a historiografia do instrumento que ele, desde sempre, tem se ocupado para aproximar Portugal e Brasil através dos elementos culturais mais comuns aos dois: a língua e o cavaco.
Nos vídeos, Paulinho da Viola fala da sua palhetada cirúrgica e de outros bambas do cavaco, “cuja pegada faz a diferença de um instrumentista do outro”.
“As três correntes do cavaquinho foram capitaneadas por Carlinhos do Cavaco (com a sua levada de banjo e afinação de bandolin que marcaram as gravações da Clara Nunes), o Manoel do Cavaco (dono de uma palhetada mais calangueada) e o Canhoto (especialista do samba canção com levada mais de choro) e depois o Almir (com levada de banjo).”
“O cavaquinho é muito sensível, dá mais problemas e não permite erros construtivos, enquanto o violão, com espessura maior, pode ser, eventualmente, reparado porque as alterações influenciam menos.”
“Um milímetro a mais ou a menos nas especificações de construção do cavaquinho alteram, definitivamente, a qualidade do instrumento.”
Um dos mais famosos temas da música popular brasileira foi composto por Nazareth, em 1914, como uma polca para piano.
O cavaquinho entrou nas rodas de choro e nos repertórios de bandolinistas e cavaquinistas em uma fase posterior.
É a partir daqui que começa a viagem do cavaquinho, um instrumento cuja história se confunde em vários continentes.
O Maestro Zé Menezes, aos 8 anos tocou o seu cavaquinho para o lendário Padrinho Padre Cícero Romão Batista, de Juazeiro: – “Se tem jovem, também tem velhos transviados”.
Joel Nascimento, Cabo Frio, Rio de Janeiro: – “Desenvolvi a minha técnica disputando velocidade com o pandeirista”.
Angelo Budega: – “O cavaquinho, instrumento tão nobre trazido pelos portugueses, dentro do Brasil atuou muito no processo de formação da nossa música”.
Apanhei-te Cavaquinho
“O andamento do cavaquinho em Brasileirinho foi gravado em 130 e o andamento do samba enredo, na Avenida, está em 160.”
[video:http://youtu.be/RUcplYiu5oE%5D
[video:http://youtu.be/j1j2pcEkr4g%5D
[video:http://youtu.be/YEMJwv5hAo0%5D
[video:http://youtu.be/GIgAUHzmEiQ%5D
A influência da Música Portuguesa na Música Brasileira
“lá em casa tem um tiro liro liro” / “na mInha casa todo mundo é bamba”
No começo de 2009, quando comemorou seus 50 anos de vida, 23 de cavaquinho, Henrique Cazes se lembrou de uma conversa que tivera 15 anos antes com Radamés Gnattali, na casa deste, em Penedo. Do potente rádio da sala saía o som de um piano que, pela excelência, chamou a atenção dos dois. “Pode apostar que este pianista tem mais de 50 anos”, disse o maestro, logo explicando que é a partir dessa idade que o instrumentista atinge sua maturidade técnica e emocional. Cazes não guardou o nome do pianista, mas a observação de Gnattali ficou.
“Comecei a pensar mais em meu trabalho como solista”, diz ele, como se consciente de que sua dedicação ao cavaquinho tivesse seguido por vários outros caminhos: o de autor de um método adotado aqui e no exterior (já na 14ª edição), o de historiador no livro Choro, do quintal ao Municipal; o de âncora deApanhei-te, cavaquinho, série de documentários para a TV portuguesa; o de acompanhante ou produtor de discos de outros artistas; e o de mestre em entnomusicologia pela Escola de Música da UFRJ, defendendo tese sobre rodas de choro.
O novo CD que está lançando é parte do pensamento voltado para o solista, já agora num estágio mais maduro. Seu conceito está bem definido no título: Uma história do cavaquinho.
Empolgado por ter o maestro Ernani Aguiar criado na UFRJ o Curso de Cavaquinho em nível de bacharelado, primeiro no mundo sobre o instrumento, Cazes prepara-se para a primeira execução, talvez em abril do ano que vem, do Concertino para cavaquinho e orquestra”, escrito recentemente por Aguiar. [ Diario de Pernambuco ]