«Último Beijo», de Zequinha de Abreu, era das músicas preferidas de minha mãe, dona Tereza. Gostava tanto que em uma das minhas primeiras vindas a São Paulo, acho que tinha 9 anos, tratei de ir sozinho da rua São Paulo – onde me hospedava na casa da tia Maria Seixas – à rua Direita, para comprar a partitura na casa Bevilacqua.
Tirei a música e toquei para dona Tereza, que se debulhou em lágrimas.
Na época, conhecia a valsa de uma gravação de Roberto Fioravanti, um seresteiro paulista.
Muitos e muitos anos depois, já nos anos 90, meu compadre Baiano cantou a valsa «Último Beijo», de Roberto Martins e Jorge Faraj – que havia sido gravado por Carlos Galhardo, o cantor que minha mãe mais gostava. Aí deu um tilt no cérebro e trouxe lado do fundo as lembranças dela cantando essa valsa para seus filhos – eu, mais três irmãs (a caçula Lourdes ainda não havia nascido).
No arquivo do Instituto Moreira Salles consegui as seguintes versões de Último Beijo:
Uma gravação orquestral muito bonita da valsa do Zequinha, com arranjo do maestro Gaya.A valsa do Roberto Martins e do Faraj, com Carlos Galhardo, gravação de 1939.Uma gravação da valsa do Zequinha (onde aparece um tal de Príncipe dos Sonhos de parceiro) com Rubens Garcia. Gravação de 1962, com Rubens fugindo da melodia original.O piano maravilhoso de Fats Elpídio tocando a suposta valsa do Zequinha – mas que não é «Último Beijo», como informa a ficha do IMS. No acompanhamento, o violão de Dino.
Como o site do IMS não permite extrair as gravações – deveria permitir já que é domínio público -, gravei todas as faixas em uma só.
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