Pipoquinha e Martins: dois malucos geniais, por Aquiles Rique Reis

Pois bem, o álbum está aqui na minha mão. Cumplicidade (realização do Centro Cultural Choro Jazz, com apoio da Petrobrás) é o título.

Pipoquinha e Martins: dois malucos geniais

por Aquiles Rique Reis

Este CD que lhes apresentarei agora tem uma história diferente de tantos outros álbuns que até hoje eu comentei e indiquei a vocês, leitores.

Faz tempo, Antônio Ivan Capucho, o idealizador e produtor do Festival Choro Jazz, realizado anualmente em Fortaleza e Jericoacoara, me alertou sobre os caras.

Com o entusiasmo que a boa música lhe proporciona, Capucho me falou sobre dois jovens instrumentistas: o contrabaixista cearense Michael Pipoquinha (24) e o guitarrista brasiliense Pedro Martins (26).

Ainda emocionado com a apresentação dos jovens, seu desassombro era contagiante – impossível não compartilhar com ele o amor que nutre pelos belos sons. Capucho e eu temos empatia quando o assunto é a diversidade dos gêneros musicais e o talento dos músicos.

Perguntei-lhe se os “meninos” não lançariam um CD. “Não é pra já, não”, disse-me ele. Meio decepcionado por não poder ouvi-los logo, perguntei: “Quando, então, será possível ouvi-los?” Como produtor do álbum, ele foi lacônico: “Logo!”.

Pois bem, o álbum está aqui na minha mão. Cumplicidade (realização do Centro Cultural Choro Jazz, com apoio da Petrobrás) é o título.

Gravado e mixado por Thiago ‘Big’ Rabello, masterizado por Homero Lolito, nele a sonoridade da guitarra e do contrabaixo nos colocam no centro de um mundo sonoro. Improvisos e duos magistrais revelam-se ao longo do álbum.

Sobre o conceito que têm de música, assim falou Pedro Martins: “Eu e Pipoca começamos a tocar juntos de forma muito intuitiva, muito natural. Uma busca dos nossos espíritos, que fez a gente se encontrar. A gente nunca sentou pra definir nada do nosso som. A gente só fez tocar”. E como tocam! Sinceramente? Michael Pipoquinha e Pedro Martins são como dois insanos geniais.

Com participações especiais, os meninos fazem um trio instrumental com Mônica Salmaso: baixo, guitarra e voz (sim, a voz como instrumento, com Salmaso é assim). Os três “tocam” “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro). O baixo geme, a guitarra chora, Salmaso arrebata. Meu Deus do céu, o que é aquilo?!

Toninho Horta se juntou ao duo para abismar em duas de suas músicas: “Raul” e “Mr. Herbie”. O que acontece quando um doido se ajunta a dois malucos? Ora, a música explode em compassos alucinantes.

Juntando-se ao duo, Thiago ‘Big’ Rabello formou um trio cuja batera segura a onda de baixo e guitarra. Ouve-se sua batida, lá no fundo – o suingue dos improvisos de baixo e guitarra exclamam a satisfação de tê-la ao lado. É o tal negócio, o que acontece quando um  doido se junta a dois malucos? Pois é…

Imaginem a loucura se alastrando em meio a compassos aluados: é quando Hamilton de Holanda empresta a sua “A Vida Tem Dessas Coisas” a Pipoquinha e Martins. Os três criam e recriam o tema. Até a vida dá uma rápida fermata para se deliciar com aquelas três almas musicais.

Valeu a pena esperar. Cumplicidade é o espaço criado por Michael Pipoquinha e Pedro Martins para levar a música a momentos de insuperáveis convívios.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora