4 de junho de 2026

Porno para Ricardo, a banda punk rock cubana

Por Marcia

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Alemanha: jovens contestam imposição religiosa

Do Euronews

Banda punk Porno para Ricardo traz sexo e irreverência com tempero cubano


Efe, no Euronews

Ensaio dos Porno para Ricardo

Ensaio dos Porno para Ricardo

José Luis Paniagua
Havana, 13 mai (EFE).- Sexo e irreverência são sua principal bandeira, mas, diferentemente do Sex Pistols ou do The Clash, o punk do grupo Porno para Ricardo leva o carimbo de Cuba, país conhecido pelo conservadorismo cultural.

O nome não tem nada a ver com Porno for Pyros, formação fundada por Perry Farrell após o vocalista ter abandonado o Jane’s Addiction, e sim com Ricardo, um amigo do cantor do grupo, Gorki, com “uma libido bastante forte”.
A banda foi formada em 1998, mas, há apenas dois anos, ganhou notoriedade pública após incluir a canção “Felación” na trilha sonora do filme “Havana Blues”, do espanhol Benito Zambrano.

“Porno para Ricardo”, que já era conhecido no cenário underground de Havana, vive fora do ambiente da grande indústria fonográfica e mantém um repertório ousado, que inclui letras sobre o líder cubano, Fidel Castro, o funcionamento do mundo da música na ilha, os dirigentes do Partido Comunista e, é claro, sexo, muito sexo.

Irreverentes e sarcásticos, os quatro músicos do Porno para Ricardo imprimem tanta acidez às letras que os problemas não demoraram a aparecer.

Gorki cumpriu dois anos de prisão acusado de tráfico de drogas.

Segundo ele, foi detido “quando houve a caça às bruxas em torno da droga”, e deixou a cadeia por “coisas que aconteceram aqui e fora de Cuba”.

O cantor, de 38 anos, afirma que gosta de dizer as coisas “como elas são”, algo que impediu o acesso da banda à nata musical de Cuba e levou seus integrantes a sofrer outras conseqüências. “A primeira, obviamente, é a de que o grupo não pode tocar”, disse.

“(As autoridades) não são capazes de lhe dizer por escrito ou oficializarem que você está censurado. Em um país onde todos somos felizes, não pode existir um documento que diga que alguém está podre e proibido”, acrescenta Gorki.

O baterista, Renay, é engenheiro civil e trabalha em uma empresa de projetos de arquitetura, apesar de afirmar que seus colegas de trabalho nem imaginam sua faceta musical.

“Quem sabe é a segurança do Estado”, ironiza.

Gorki também disse que em Cuba se nasce “sabendo que você tem que calar a boca, isso está no ar”, e lamentou que “o povo ainda pensa que pode conseguir alguma coisa não se metendo em nada”.

“Os outros podem mentir, eu vou fazer a música que me interessa e falar sobre o que me inquieta”, afirma, consciente de que sua música não vai tocar na rádio cubana e de que as autoridades fonográficas do país não permitirão que a banda consiga seu espaço.

O vocalista lembra que, quando optaram por uma linha “bem aberta e explícita” em desacordo com o Governo, sabiam que cairiam no obscurantismo.

As autoridades “te apagam dos meios de comunicação de massa e já era. O povo, por exemplo, acredita que você existe somente se te vê na televisão, se te escuta no rádio ou se te vê tocar em algum lugar”, disse Gorki, que ironiza: “Eles parecem ter Harry Potter no Comitê Central” do Partido Comunista de Cuba.

O cantor reconhece, no entanto, que muita gente se aproximou do grupo porque “gosta de escutar o proibido”, e destaca que o ponto forte de sua música está no fato de sua crítica “não ser observada de ponto de vista trágico, mas de um ponto de vista irreverente, importunador, sarcástico”.

A banda, porém, sabe muito bem que o caminho que escolheram é o mais complicado, e reconhecem que em algumas ocasiões não tem dinheiro, mas acham que certas coisas na vida “são feitas ou não”.

Rebeldia em Cuba ao som de punk rock de Porno para Ricardo  

“Eu não gosto da política” diz uma das canções dos Porno para Ricardo, um dos mais emblemáticos grupos de punk rock de Cuba.

Criado em 1998 por Gorki Aguila, antigo obreiro num ateliê de serigrafia de Havana, o grupo tornou-se num dos símbolos da contestação ao regime de Castro. O grupo está proibido de dar concertos em Cuba, mas os vídeo clipes, difundidos na internet, criam sempre um frenesim. Aliás, como todas as obras contra Fidel Castro. Detido duas vezes, Gorki está sob constante vigilância. O simples anúncio de um novo álbum do grupo valeu a Gorki ser encarcerado de novo.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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