Vade retro Satanás!, por Luciano Hortencio

Sendo o nosso jornalggn.com.br um jornal interativo, capitaneado pelo musicista Luis Nassif e repleto de bambas em música, aqui trago o dobrado com as persistentes indagações, porém antes exortando: VADE RETRO SATANÁS!

Banda do Regimento dos Fuzileiros Navais interpreta SATANÁS de Francisco Braga.

O maestro Francisco Braga, autor do Hino à Bandeira, com versos de Olavo Bilac, compôs o dobrado SATANÁS, que recebeu gravação da Banda do Regimento dos Fuzileiros Navais em dezembro de 1931.

Chamou-me a atenção o título insólito do dobrado, resolvendo eu aperrear, mais uma vez, minha boa amiga a pianista e escritora Elvira Drummond, a fim de entender a correlação do título com a peça. Recebi resposta em um bate pronto:

“Amigo Luciano,

Perguntei-me o porquê do título SATANÁS e não cheguei a nenhuma conclusão que fizesse sentido. Seria alguma sátira com relação a essa formação, à época? Ou com relação a determinado grupo, em especial?

Nada parece fazer sentido com as informações atuais.

Sem dúvida, no trecho final, ele brinca com a tríade do acorde perfeito maior, que, sobretudo, caracteriza o caráter marcial do gênero dobrado. “Marcha, soldado”, nossa conhecida marchinha folclórica, segue também esse padrão, o que justifica sua associação.
Continuo intrigada com o título SATANÁS. Pesquisei em tudo que tenho por aqui e nada pareceu fazer sentido.

Passou-me a ideia (antes de ouvir) que ele brincaria com o trítono _ um intervalo considerado como a presença do diabo, na música, durante a Idade Média. Isso, porém não aconteceu.”

Sendo o nosso jornalggn.com.br um jornal interativo, capitaneado pelo musicista Luis Nassif e repleto de bambas em música, aqui trago o dobrado com as persistentes indagações, porém antes exortando: VADE RETRO SATANÁS!

Banda do Regimento dos Fuzileiros Navais – SATANÁS – Francisco Braga.
Disco Victor 33.497-A – matriz 65256.
Gravação de 15 de outubro e lançamento em dezembro de 1931.
Arquivo Nirez.
Coisas que o tempo levou.
luciano hortencio.