Viemos dizer bem alto que a injustiça dói, por Carlos Motta

por Carlos Motta

Uma das músicas mais tocadas e cantadas no carnaval pernambucano é “Madeira que Cupim não Rói”, do mestre Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, nascido em Surubim, 28 de outubro de 1904 e falecido no Recife, 31 de dezembro de 1997). 

É uma marcha-frevo de melodia simples, mas emocionante, como várias composições de Capiba.

Não sei por que, mas toda vez que a escuto, as comportas de alguma parte de meu cérebro se rompem e as lágrimas insistem em escorrer dos meus olhos.

 

“Madeira que Cupim Não Rói” foi feita como um desabafo pelo fato de o bloco carnavalesco de Capiba, o Madeira de Rosarinho, ter perdido o concurso para o Batutas de São José, em 1963.

O mestre, inconformado, compôs a música, que, para surpresa de todos, foi apresentada pelo bloco no desfile das vencedoras. 

A letra é poesia pura, e se pensarmos bem, reflete também, para muitos, o sentimento de se viver neste Brasil Novo, onde a injustiça cresce a cada dia, alimentada por uma porção da sociedade que não se conforma em ver uma ínfima parte de seus imensos privilégios serem trocados por uma vida um pouco melhor para milhões de pessoas para as quais a esperança sempre foi um sonho distante.

Essa beleza pode ser ouvida na voz de outro grande artista pernambucano, Claudionor Germano: 

Coisa linda! 

 

Madeira do rosarinho

Venha à cidade sua fama mostrar

E traz, com o seu pessoal, seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho

Vem só dizer

E com satisfação

Queiram ou não queiram os juízes

O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos cantando esta canção

Viemos defender a nossa tradição

E dizer bem alto

Que a injustiça dói

Nós somos madeira de lei que cupim não rói.

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