
A bolha imaginária de Alice
Por Francisco Diogo Magnani
O Mercado Imobiliário desacelerou, mas não sofreu nenhuma ruptura abrupta como tenho acompanhado há alguns anos por especialistas do setor, muito pelo contrário: o segmento continua aquecido e a queda é apenas um equilíbrio da supervalorização que vivenciamos desde 2004 até hoje. Dessa forma, vejo que ao falarmos em bolha estamos tratando de um assunto muito subjetivo, a desaceleração não significa necessariamente uma quebra nas vendas, mas um olhar mais estratégico para os segmentos que pedem maior investimento.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), a previsão de alta de 15% foi mantida, ou seja, uma previsão de liberação de R$ 125,6 bilhões. Isso porque se espera uma calmaria após todos os eventos que o Brasil sediou em 2014. Com um olhar mais crítico e profundo em torno dos últimos acontecimentos no Brasil como o Mundial, o Carnaval e a chegada das eleições, é natural que esses fatores ajudassem na desaceleração do mercado imobiliário, mas não limitam ou impedem projeções de crescimento em médio e longo prazo, sendo Itaquera e toda a Zona Leste a cereja do bolo para quem pensa em investir.
Em Itaquera, a população predominante é a Classe C, que tem maior poder de compra e hoje é reconhecida como a nova classe média do Brasil, o que resulta nas vendas mais concentradas nos residenciais econômicos. A Zona Leste de São Paulo – região de grande potencialidade, que hoje abriga o Arena Corinthians e conta com grande público do futebol – atrai compradores na busca por ofertas mais acessíveis.
Ainda de acordo com a Abecip, possibilidades existem da continuidade no crescimento da renda familiar, da baixa inadimplência do setor (já que em 2013 o crédito imobiliário fechou com o menor percentual do sistema bancário, correspondendo a 1,8%), que também se manteve em 2014. A Copa deixou um legado para quem pensa em construir e para quem pensa em comprar.
É necessário focar na base da pirâmide e nos itens de maior necessidade: os imóveis de preços mais baixos. Mesmo com a economia não tão favorável, a oportunidade de retorno de investimento ainda existe. Imóveis deticket menor é a nova exigência de mercado porque existe uma possibilidade do potencial consumidor assumir um financiamento sem risco e com retorno positivo. Dessa forma, é assegurado o volume de vendas, onde existe realmente uma demanda do consumidor que, por sua vez, possui uma renda salarial que atende a oferta.
Os dados do Departamento de Economia e Estatística do SECOVI-SP (Sindicato da Habitação) são claros: o mercado imobiliário computou queda nos últimos meses, fechando o segundo semestre com declínio de 41,4% em relação ao mesmo período de 2013. No entanto, é obvio que depois de um grande “boom” econômico, sentiríamos uma retração, mas as construtoras que investiram em Itaquera terão, sem dúvidas, um crescimento gradativo daqui a alguns anos.
Há quinze anos era quase inimaginável um apartamento de 50m² com sacada, opção de living ampliado e cozinha americana, hoje é uma necessidade. O brasileiro ficou mais exigente e com o benefício de financiamento bancário para compra de imóveis que, por sua vez, é altamente criterioso, aumentou o poder de consumo, sendo dever das construtoras e incorporadoras se atentar aos nuances do mercado imobiliário para atender e balancear a oferta e a demanda.
Quando falamos em bolha imobiliária, estamos falando de um mundo paralelo como no filme Alice no País das Maravilhas, simplesmente não faz sentido. Precaução não é sinônimo de crise.
* Francisco Diogo Magnani é presidente da MZM Incorporadora e Construtora
Aleandro Chavez
22 de setembro de 2014 8:23 pmQuando vejo que o “presidente
Quando vejo que o “presidente da MZM Incorporadora e Construtora” escreveu um artigo pra defender que não existe bolha, é porque de fato existe bolha.
Quando os estudos mostram queda de preço em relação à inflação, ou mesmo queda nominal, estão se baseando nos preços anunciados. Se verificarem os preços reais de venda, com descontos em relação ao preço anunciado, verão que a queda já é muito maior.
Um outro aspecto é que as construtoras hoje são um veículo em alta velocidade descendo uma ladeira: não podem parar. Ao lançarem ações na bolsa em anos recentes, se entupiram de terrenos. Caso parem de construir, a pirâmide desmorona.
Seria mais honesto admitir que há sim uma bolha e pressionar o setor a fazer uma desaceleração controlada.
J. Alberto
22 de setembro de 2014 8:31 pmTraduzindo pro português:
Traduzindo pro português: continuarão oferecendo quadrados apertados a preços abusivos e escorchantes. Paga quem quer.
Lembrei da farra do carro zero: carroças a preço de ouro que as pessoas insistem em comprar…
PS: O imóvel popular é pra inglês ver… Alguém conhece algum lançamento de grandes proporções de imóveis populares??? E olha que na RMSP eu sou andeiro viu, do centrão até os cafundós da cantareira, extremo leste e sul… E não vejo nada que custe menos de 400 (!!!) salários mínimos…
Lineu Ignacio
22 de setembro de 2014 9:10 pmbolha
..que é isso ?
Politica social do governo federal veta essa bolha.
São especuladores.
Cdeia neles.
LC
22 de setembro de 2014 9:21 pmÉ isso aí Aleandro
O problema é que só o mais esperto vai fazer a chamada desaceleração, e provavelmente sobreviver. Vai ter peixe grande quebrando, podem ter certeza. Sei que o caso paulista é um pouco menos grave, mas aqui na Zona SUL do RJ tem margem p/preço cair tranquilamente 40%, e ainda vai estar salgado. Já é unânime isso, ninguém mais acredita que os preços de imóveis no Brasil não estejam sobrevalorizados. O problema é quem vai ser o esperto que vai sair na frente e dar um desconto grande p/se livrar do mico.
Até na China, que é a máquina de crescimento hoje, os imóveis começam a ter queda nominal.
Se vocês querem um regrinha de bolso, bem simplória, aí vai: se o preço de compra estiver acima de 200 aluguéis (rendimento mensal de 0,5%), NÃO COMPREM DE JEITO NENHUM !!!! ISSO P/QUEM JÁ TEM O DINHEIRO TODO DA COMPRA NA MÃO. SE FOR SE FINANCIAR EM 30 ANOS, PENSEM 500 VEZES.
Acho que essa regra não bate no caso brasileiro em 90% das ofertas de imóveis.
PS: na realidade, acho até que a regra deveria ser 130 aluguéis (rendimento mensal de 0,8% para compensar o IR do proprietário). Enquanto isso, espero ver o preço sem alteração nos próximos cinco anos…
A.Matheus
24 de setembro de 2014 1:47 pmRisível
Toda vez que encontro um texto na internet dizendo que não existe bolha, vejo que o autor é ligados às construtoras ou corretores. É muito desespero. Aleandro Chavez foi bem sagaz ao fazer a analogia com um veículo em alta velocidade descendo a ladeira. As construtoras serão vítimas da sua atitude irresponsável. Desde abril até hoje (setembro), quando comecei a procurar imóveis, a queda no tipo de imóvel q procuro já superou 10%, em alguns casos até 20%. Muitos imóveis encalhados.
Se fizermos contas simples, veremos que é muito mais negócio aplicar o dinheiro em investimentos seguros (fundo de renda fixa, por exemplo) do q comprar um imóvel e alugá-lo. Os mercadores de ilusões (corretores e imobiliárias) partem da falsa premissa que os imóveis se valorizarão “ad eternum”. Não existe nada na história da humanidade que se comporte com altas crescentes por tempo indeterminado. Nem precisa ser economista para saber disso.