4 de junho de 2026

2015: o ano dos pastores e dos seres que pastam

Este ano foi um ano maravilhoso em todos os sentidos, exceto pela falta de sentido das ações dos fundamentalistas religiosos e políticos.

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Em junho Malafaia atacou uma fábrica de perfumes por causa de um comercial de televisão http://economia.ig.com.br/empresas/2015-06-02/em-video-malafaia-propoe-boicote-ao-boticario-va-vender-perfume-pra-gay.html. O resultado foi desanimador. As vendas do Boticário aumentaram após a intolerante pregação do novo anacoreta sombrio http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/06/vendas-de-o-boticario-aumentam-apos-boicote-evangelico.html.

O capitalismo malafaiano não é liberal, mas teocrático e anti- sodomita. Tudo que ele rejeita não pode gerar lucro, nem produzir dízimo. Curiosamente ele não rejeita o dinheiro que recebe dos seus seguidores que compram o perfume proibido ou que trabalham na referida empresa. Suponho que por um efeito mágico ele mesmo seja contaminado pela sodomia que diz detestar.

Em dezembro um anônimo rasgou páginas de um livro de Chico Buarque numa livraria e deixou nele uma mensagem de ódio http://www.correiodobrasil.com.br/livro-de-chico-buarque-alvo-do-odio-fascista/. É muito provável que este ataque aumente as vendas da obra. Eu mesmo pretendo adquirir um volume de O irmão alemão para protestar contra o ataque feito contra a cultura brasileira.  

O capitalismo deste anônimo também não é liberal. Ele pretende impedir a editora de produzir livros que julga passíveis de censura e causou prejuízo à livraria que exibiu a obra ao público para vendê-la com lucro. Portanto, ele não rasgou  apenas um livro do Chico Buarque. Simbolicamente, este fascista também rasgou o dinheiro alheio e a liberdade econômica prescrita na CF/88. O que ele mesmo dirá se alguém rasgar o dinheiro dele na rua?

Há uma evidente mimese entre as duas condutas. Tanto Malafia como seu duplo anônimo querem limitar a liberdade alheia, querem produzir prejuízo ao “outro”. O processo de exclusão e destruição do outro (economicamente no caso de Malafia) e fisicamente (no caso do livro rasgado) é evidente e preocupante.  Ambos fornecem exemplos a serem seguidos. Não seria o caso de proibir a arrecadação do dízimo e de criminalizar a destruição de livros em livrarias?

Não acredito que se possa reprimir a natureza. Ela produz e continuará a produzir esquizofrênicos que tem delírios religiosos. Malafia não deve ser proibido de arrecadar dinheiro de pessoas mais estúpidas do que ele mesmo. Em algum momento os próprios adeptos dele se encarregarão de torná-lo vítima da violência econômica que ele prega.

O imbecil que rasgou um livro de Chico Buarque não deve ter a honra de ser tratado como um criminoso ganhando para si um tipo penal específico. Um homem perigoso escreve livros para combater seus inimigos. Um medíocre só pode mesmo destruir o que nunca será capaz de produzir. O adversário de Chico Buarque deve afundar no anonimato, de onde nunca conseguirá sair.

Não me causa espanto que estes dois episódios tenham ocorrido justamente num ano em que o PSDB seu braço desarmado (a imprensa) tenham amargado tantas derrotas. Os tucanos e seus “canetas” perderam a eleição, não conseguiram evitar a diplomação e posse de Dilma Rousseff e fecharam o ano com sua tentativa de golpe de estado via Impedimento impugnada nas ruas e contestada pelos maiores juristas do país.  A vitória do PT se tornou maior, mais digna e aprazível justamente em razão do recalque manifesto dos derrotados.

Os líderes tucanos, Malafia e o destruidor anônimo de livros conseguiram transformar 2015 no ano mais feliz da República. É impossível sucumbir ou deixar de rir do sofrimento dos derrotados, dos fascistas ignorantes e dos pastores esquizofrênicos que reprimem suas tendências sodomitas. O bom senso que prevaleceu nas urnas não poderá deixar de se manifestar e prevalecer aos seres que pastam. E que continuarão pastando porque somos tolerantes.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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