A estratégia de manipulação da mídia

Como o leitor comum de conteúdo midiático é abocanhado a partir da informação manipulada

O fato da imprensa de massa ser partidária para um só lado não é uma constatação nova. Algumas considerações faço a seguir.

Definição de mídia de massa:

Os conglomerados de mídia são aqui entendidos como jornais, revistas, rádio e TV com grande alcance de público. Falando dos chamados “jornalões”, em São Paulo, os dois maiores são o Estadão e a Folha. Devido à tiragem ampla de exemplares impressos e, consequentemente, ao maior alcance do público, são notadamente os mais notórios em termos de audiência. Rádios como CBN ou Jovem PAN, têm pautas similares. Ainda sobre concessões públicas, especialmente a rede Globo, é o maior veículo televisivo que se enquadra no bolo midiático.

Tais veículos possuem um direcionamento histórico notadamente de direita. São os componentes da mídia tradicional consolidada com o passar dos anos. A cúpula desses veículos sempre teve seus direcionamentos contrários a qualquer mnemônicos que fizessem menção a iniciativas populares, como movimentos sociais e governos de esquerda.

São, via de regra, repetidores do noticiário dos conglomerados de mídia estadunidenses quando tratam de assuntos de dimensão internacional. Ocorre que esses veículos tradicionais fizeram seu nome em tempos em que a informação podia ser monopolizada e manipulada sem que houvesse espaço para o contraditório. São os mesmos veículos que se mantiveram durante a ditadura sem serem muito incomodados com a censura.

Essa sensação de credibilidade que os veículos tradicionais transmitem até hoje, vem desta mesma época que eles eram “de facto” a fonte primordial e quase exclusiva da informação. Assim, foram paulatinamente sendo considerados como os provedores “oficiais” da informação. A reputação conquistada por esses meios de comunicação se deu por meio desse processo que, por um longo período manteve-se inalterado.

Curioso é que em tempos em que o acesso à informação é facilitado pela geração e transmitissão praticamente instantâneas, a absorção dela parece se tornar cada vez mais rasa e simplificada. De um lado a miríade de dados disponíveis é um fenômeno notável, ao passo que a assimilação valorada destes é cada vez mais tarefa intrincada.

A via de mão única e porquê a opinião é manipulada

Os leitores dos jornais estão acostumados a ler as manchetes e as notícias de modo passivo, apenas absorvendo o conteúdo ali publicado. O mesmo ocorre quando ouvem ao rádio e assistem à TV. Por se tratarem de canais unilaterais de transmissão (modelo transmissor – receptor), se estabelece de imediato e inquestionavelmente qual lado vai fornecer a versão oficial dos fatos. Dificilmente o cidadão médio vai exercer o senso crítico ao obter a informação dessa forma. Isso implicaria ao espectador um trabalho intelectual adicional ao se buscar confirmar a validade da notícia ou se informar sobre temas e aspectos adjacentes a ela.

Por um longo período essa era a única maneira como o espectador mediano se informava. E esse processo de aquisição de informações permanece e prevalece até hoje. Os mesmos indivíduos que se acostumaram a se informar exclusivamente pelos meios tradicionais, ainda procedem deste modo e compõem a massa vultuosa dos consumidores de informação. Muitos ainda preferem ter a edição impressa em mãos, se sentar de frente à TV ou ligar o rádio para obter a notícia.

Diante do exposto, vem desse processo simples de obtenção da informação a sensação de incontestabilidade da notícia. O veículo tradicional, a partir dessa passividade do leitor ou espectador, se assenhora da interpretação da verdade e impõe a versão oficial dos fatos.

A confirmação do evento da Internet como fonte de informação ainda é muito recente. E é inegável esse predisposto haja vista os veículos tradicionais perderem paulatinamente os leitores das versões impressas de suas publicações. O que se percebe hoje é que a Internet proporciona três novas possibilidades ao leitor ou espectador, a saber:

1 – A contestação: muitos portais dos veículos tradicionais possuem espaço para comentários onde o leitor pode expressar seus juízos acerca do publicado. Embora nesse espaço haja uma seleção prévia dos comentários a evitar excessos e abusos de linguagem, normalmente os veículos permitem que comentários de cunnho ideológico, desde que seguindo certas regras de conduta, sejam aceitos e publicados;

2 – A busca por alternativas à versão da mídia. Embora a grande imprensa aja em uníssono quando tratam de certos assuntos, uniformizando a pauta do noticiário, há um crescente número de veículos oriundos exclusivamente da Internet que oferecem um contraponto ao que se tinha como oficial;

3 – A busca por embasamento acerca de aspectos contíguos ao noticiário. Um exemplo disso é a possibilidade de se informar como atuam os Três Poderes e sua história. O que é a figura do Procurador Geral da República, as atribuições do STF, do Senado; nesse caso específico trata-se de reunir informações com o propósito de obter conhecimento, que, diferente da informação simples, é um tipo mais elaborado e compilado de instrução.

O noticiário político, os manipulados e o modus oprandi da manipulação

O poder de penetração da mídia e do modelamento da opinião pública é um aspecto de extrema importância. E se a observa especialmente na retransmissão em ciclo de notícias. São comuns a citação de matérias da revista Veja e de jornais em veículos de rádio e TV, criando um ciclo que se retroalimenta. Com a paulatina e constante concentração da pauta em certos temas e figuras do cenário político (e em detrimento de outros), a uniformização da agenda e quando se repisa e superdimensiona qualquer fato novo que surja acerca dos mesmos temas, se mantém viva a pauta que a esses veículos interessa.

A estratégia da imprensa

Grosso modo, a mídia se vale de 6 artifícios para manipular a opinião pública:

1. Omissão: quando deliberadamente não divulga fatos inconvenientes a ela;

2. Desproporcionalidade: quando, para fatos semelhante, há diferentes abordagens. O uso de eufemismos para quando os alvos do nociário são aliados e o uso de palavras fortes enfáticas quando do contrário, são bons exemplos;

3. Distorção: quando dá uma versão falaciosa a um fato verdadeiro divulgado;

4. Meia-verdade: quando divulga parcialmente o fato, mutilando partes do todo;

5. Desinformação: quando mescla parcelas de fatos verdadeiros com mentiras ou assertivas improváveis ou pouco prováveis;

6. Mentira deliberada: quando simplesmente falta com a verdade;

Quando se aborda incansavelmente certos aspectos e se oculta outros, têm-se a errônea e artificial noção de que os assuntos que são noticiados com tal veemência são a verdade absoluta. As demais figuras e personagens omitidos, ainda que ajam de modo semelhante e ofereçam material para ser noticiado, passam ao largo do bombardeio negativo. Cria-se aí um tipo de maniqueísmo, um senso comum de que existem duas forças opostas, um bom e outro mal, e de que o lado moralmente inaceitável é o que a imprensa propaga e divulga.

Esse comportamento unilateral e parcial da imprensa de massa, aliado ao poder de abrangência e de forjar a opinião pública em sentido único, acaba por criar um público que instintiva e inconscientemente, aceita inquestionavelmente e repete os mesmos preceitos e direcionamentos que a mídia inculca. O efeito da propaganda negativa que a mídia cria não é evento perfeitamente isolável, embora perceptível. É um procedimento que visa criar um modo de pensar artificial e duradouro nos espectadores medianos. Os efeitos dessa introjeção são um fenômeno sentido a longo prazo. E, no atual estágio que se encontra, parece não haver mais retorno, cristalizado e concretizado que está.

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