A ética fuxiana do bode expiatório, por Carlos Andreazza

    Para colunista, Fux exonerar o servidor que fez reserva de vacinas à Fiocruz foi "exercício covarde de onipotência típico dos que se sabem inalcançáveis"

    Foto: Nelson Jr./SCO/STF

    Jornal GGN – O ato do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de exonerar o servidor que pediu a reserva de vacinas para a Fiocruz, foi um “exercício covarde de onipotência típico dos que se sabem inalcançáveis”. A análise é de Carlos Andreazza, em coluna para O Globo, nesta terça (05).

    Para o colunista, o servidor acabou “pagando” pelo ato de Fux, “pego em flagrante” em decisão que, como ressaltou Andreazza, apenas o presidente do STF poderia tomar – a solicitação para que o laboratório reservasse 7 mil doses da vacina contra a Covid-19.

    “Respeito rigorosamente a hierarquia administrativa do Supremo Tribunal Federal. Nesses onze anos no STF, nunca realizei nenhum ato administrativo sem a ciência e a anuência dos meus superiores hierárquicos”, foi a resposta do funcionário, demitido. “Elegante”, para o colunista.

    Destacando que o documento para a reserva das doses foi assinado pelo diretor-geral do STF, Edmundo Veras dos Santos Filho, e não pelo servidor “mais fraco”, e uma entrevista dada pelo próprio ministro do Supremo, cinco dias antes da demissão do servidor, também comprova que Fux era completamente consciente da medida.

    “Nós, por exemplo, fizemos um pedido, de toda forma delicada, ética, um pedido, dentro das possibilidades, que, quando todas as prioridades forem cumpridas, de que também os tribunais superiores — que precisam trabalhar em prol da Covid — tenham meios para trabalhar. E, para isso, precisa vacinar. Não adianta vacinar os ministros e não vacinar os servidores. A difusão da doença seria exatamente a mesma”, havia dito, no dia 23 de dezembro, assumindo a responsabilidade também do pedido.

    “Que tal? Que tal essa ética?”, questionou Carlos Andreazza. “Nós é nós. Né? Nós somos. O “nós fizemos um pedido” o inclui. Nós pedimos. Certo? Nós só são os outros — quando o bicho pega, e o bafo da sociedade esquenta o cangote — na ética fuxiana do bode expiatório”, completou.

    Leia a coluna na íntegra.

     

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