Por Marco St.

Não é fácil assistir o filme “O mapa das estrelas” (Maps to the Stars), dirigido por David Cronenberg, com roteiro de Bruce Wagner. Estrelado pela fabulosa Juliane Moore, que ganhou prêmio em Cannes pela atuação no filme, interpretando uma atriz decadente, e também pelo sempre ótimo Jonh Cusack, entre outros.
O filme não poupa nada e ninguém. Mostra uma Hollywood recheada de personagens amorais, imorais e desprezíveis. Nenhum limite é respeitado. Todas as transgressões são tratadas como naturais.
A obra incomoda. E é essa uma das virtudes dos filmes de Cronenberg – responsável por um dos melhores filmes dos últimos anos, o sensacional “Senhores do Crime”, sobre a Máfia russa em Londres.
Ao final de O Mapa das Estrelas, a sensação que nos percorre é de mal estar, irritação até. O filme é brilhantemente feito, tem atuações maravilhosas dos atores, mas ele nos conta várias histórias ruins de pessoas que vivem e estão presas supostamente em um mundo paralelo de fama, dinheiro e poder. As pessoas são o que são, não há o que explicar. Não esperem por nenhuma lição de moral no filme. Longe disso.
O único momento de “felicidade” do filme é quando a personagem de Moore comemora sua contratação para um papel em uma produção de cinema. E essa contratação só ocorre porque o pequeno filho da atriz original havia morrido em um trágico acidente…
As pessoas são más. Quando a gente observa o que se fala nas redes sociais como o Facebook, onde o ódio, a violência, o preconceito, a mentira e a inveja são pratos servidos todos os dias pelos “humanos”, percebemos que a realidade mostrada no filme não nos é tão distante assim. É muito atual e muito próxima de cada um de nós..
Não é só Hollywood que é feia.
https://www.youtube.com/watch?v=xd9t2lYF9Vg
Jair Fonseca
29 de março de 2015 4:20 pmÓtimo cineasta.
David Cronenberg sempre se salientou por revelar o mal-estar que se entranha num mundo aprentemente “normal”. Em seus primeiros filmes, dos anos 1970, mostra o lado sombrio e monstruoso do tranquilo, limpo e civilizado Canadá, seu país natal. E faz isso friamente, rigorosamente. Veja-se o início de Shivers, seu primeiro longa, que mimetiza a propaganda de imóveis, e o final terrível de Rabid.
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