A morte pede passagem

Hoje pela manhã tomei café da manhã no mesmo lugar. A balconista, que já conheço a algum tempo, falou mal do Bolsa Família.

– Os mesmos que atacam o Bolsa Família são os que recebem ou querem receber Bolsa Milionário –  disse.

– É verdade ela responde. Se os políticos roubam tanto, deve sobrar um pouco para o povo – foi o que ela disse.

– Hoje os políticos roubam bem menos e há combate a corrupção. Vários foram presos e tem vários tucanos pilantras na fila a caminho da prisão.  Estes que atacam o governo ficaram ricos desonestamente durante o governo FHC. Naquele tempo milhares de nordestinos morriam de fome. Hoje isto não acontece mais. FHC, por exemplo, é o único professor na história do planeta a comprar um apartamento na avenida mais chique de Paris por 11 milhões de euros.

– A crise…

Interrompo a balconista:

– A crise destes perversos que querem maltratar os brasileiros pobres é que a Petrobras faturou 20 bilhões este ano e eles não conseguiram meter a mão neste dinheiro. 

Então um homem atrás de mim interfere na conversa. Diz ele:

– Lula é o chefe mor dos ladrões. Eu quero que ele morra.

Sem me virar para o fascista e sem alterar o tom de voz digo ao tal:

– Lula está lá em São Bernardo. Vá lá e mate ele se tem coragem.

– O Lula tem que morrer. E para seu conhecimento eu sou de São Bernardo – a irritação do meu interlocutor é perceptível.

– Então você sabe onde ele mora e pode ir lá matar ele. Faça isto.

O sujeito sai do bar rosnando e eu continuei tomando café tranquilamente. A única maneira racional de lidar com um fascista é confrontá-lo com o abismo que existe entre o ódio do seu discurso e o ato que o mesmo enuncia. Quando não produz nem medo nem ódio, o discurso fascista perde totalmente sua eficácia. Como mera realidade discursiva, o ato violento não deve produzir qualquer reação hostil. Além disto, se for praticado o ato trará consequencias jurídicas e penais para seu autor. Se a morte cruza o seu caminho e pede passagem… deixe ela passar, rindo.

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2 comentários

  1. Gostei. Eu meio que faço isso

    Gostei. Eu meio que faço isso quando alguém critica o bolsa-família. Minha sugestão é sempre essa: tá achando moleza viver com bolsa-família? Então peça demissão e vá se cadastrar no programa. 

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