
Por ncultura
Há os que afirmam que sim, há os que afirmam que não e há quem tenha sérias dúvidas…
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A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa. Porque derivada do latim, existe em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.
A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: saudade é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mesmo no campo semântico, no entanto, há correspondente, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”).
É um sentimento que existe em árabe, na expressão alistiyáqu ”ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nosso “saudade”, tanto quanto o latim.
Luís de Camões
Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saüdade
Quero que seja sempre celebrada.
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Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dῦa(1) outra vontade
Que nunca poderá ver-se apartada.
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Ela só viu as lágrimas em fio,
Que, duns e doutros olhos derivadas,
S’acrescentaram em grande e largo rio.
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Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.
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(1) dῦa: de uma
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Fonte: Cleonice Berardinelli, “Cinco séculos de sonetos portugueses de Camões a Fernando Pessoa”, Casa da Palavra, 1ª ed., Rio de Janeiro, 2013.
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