A sucessão municipal no PT-SP

Do Valor

Disputa municipal leva à divisão interna na bancada petista da Câmara

Caio Junqueira | De Brasília
22/02/2011

A divisão interna na bancada do PT na Câmara dos Deputados já começa a extrapolar os limites do Congresso Nacional e a ter seus movimentos influenciados também pelas eleições municipais de 2012. Com foco em São Paulo, o racha entre os petistas já aparece em outros Estados, como Pará e Rio Grande do Norte.

Estimulados pela indefinição de um nome para a concorrer à Prefeitura de São Paulo, quatro deputados paulistas se posicionam como pré-candidatos: o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia; o ex-presidente do PT e ex-ministro Ricardo Berzoini; e os ex-secretários municipais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini.

Berzoini, Chinaglia e Tatto são líderes de um grupo que tenta, nesta legislatura, disputar os postos e as candidaturas com o grupo que, nos oito anos do governo Lula, impôs suas opções e agora tentava dominar novamente as decisões da bancada e do governo.

NaseNa semana passada, Chinaglia, da corrente minoritária Movimento PT, conseguiu assegurar a relatoria-geral do Orçamento neste ano. Berzoini, de uma ala da Construindo Um Novo Brasil (CNB), garantiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça em 2012, após um embate com João Paulo Cunha (SP), que conseguiu o comando da comissão já para este ano. Berzoini e Chinaglia comandaram a resistência a João Paulo.

Como os dois, João Paulo tem pretensões eleitorais em 2012: quer ser prefeito de Osasco, na Grande São Paulo. Por essa razão, a vitória na CCJ foi importante para que possa, primeiro, enfrentar o desgaste pelo fato de ser réu no processo do mensalão. Segundo, porque precisa ganhar espaço em seu reduto eleitoral, uma vez que está estremecido com seu outrora fiel aliado Emídio de Souza, atual prefeito de Osasco.

Tatto e Zarattini também têm interesse em concorrer em 2012. Tatto, da corrente PT de Luta e de Massas, tem se aliado no jogo interno da bancada a Chinaglia e Berzoini, tendo sido um dos principais articuladores da campanha que derrotou o líder do governo, Cândido Vaccarezza, na disputa interna que acabou levando Marco Maia (RS) à presidência da Câmara. Em 2012, ele tentará novamente ser nomeado líder da bancada.

O que esse grupo da bancada da Câmara tenta é diminuir a imposição de nomes pela cúpula do PT, comandado pela CNB, seja na Câmara, no governo ou na sucessão paulistana. Querem que as decisões sejam fruto da “formação de consensos caso a caso”, no lugar da mera transposição do poder decisório do grupo hegemônico no PT.

Sem maioria no diretório municipal de São Paulo, Chinaglia, Berzoini e Tatto têm tentado ocupar espaços e ter participação decisiva na escolha do nome que será o candidato do partido a prefeito de São Paulo em 2012.

No critério de maioria partidária, Zarattini é o que se sairia melhor. Sua corrente, a Novo Rumo – a mesma de Vaccarezza -, tem mais de 35% do diretório municipal e pleiteia a relatoria do Plano Plurianual (PPA). O grupo de Tatto tem 22% do diretório, ao passo que o de Berzoini tem 20%, e o de Chinaglia, 5%.

No caso de não conseguirem o consenso, avaliam repetir a união de forças que atuou para eleger o novo presidente da Câmara. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, da Mensagem ao Partido, possui 10% do diretório municipal. Juntando-se a Tatto, Chinaglia e Berzoini, como fizeram para derrotar Vaccarezza, alcançariam a maioria.

O processo todo só será deflagrado, porém, se o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, ou a vice-presidente do Senado, Marta Suplicy, não quiserem concorrer. Ou mesmo se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não determinar que seja o nome de sua preferência. Ele já fez chegar aos líderes petistas que defende a escolha de um nome “novo”, como o do ministro Fernando Haddad (Educação).

Fora de São Paulo, o embate entre as correntes internas pela sucessão de 2012 também já foi iniciado. Cláudio Puty (PA), indicado para a Comissão de Finanças e Tributação, é ex-secretário de Governo do Pará durante o governo Ana Júlia, integra a Mensagem ao Partido e tem planos para disputar a Prefeitura de Belém em 2012. Precisa, porém, vencer a oposição interna do grupo do ex-deputado Paulo Rocha, da CNB, também do mensalão.

Fátima Bezerra (RN), do Movimento PT, deve ocupar a Comissão de Educação. Candidata derrotada a prefeita de Natal, tem dito não ter interesse em outra candidatura no próximo ano, mas seu nome está entre os mais cotados. 

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