
Sentada no ponto de ônibus esperando o dito passar, algumas dezenas de pessoas se aglomerava, ao meu redor. “Nossa, fim do ano está fogo, tudo isso de gente no ponto às três da tarde”.
E nada do ônibus vir.
Nem do meu, nem do de ninguém. “Aconteceu alguma coisa”. Eu e minhas apocalipses, constatando que não é normal não ter ônibus em meia hora de espera num ponto na região central de São Paulo.
Entre conversas que puniam o prefeito – sempre ele, nunca o governador! – os futuros passageiros se davam conta de algo maior. uma nuvem preta, grossa e feia subia no céu e anunciava: o fogo era literal. E próximo.
Acessei o Facebook em busca de notícias, já que o voz populi não dava conta de desapegar de discussão partidária, e caí no choro quando li que aquilo ali era o incêndio no Museu da Língua Portuguesa. E cadê a chuva que se anuncia dia após dia pra ajudar a abrandar? Cadê responsabilidade de preservação de patrimônio, depois do ocorrido infeliz sob o mesmo carrasco, o fogo, no MIS? Cadê ajuda, gente, que isso não pode acontecer…
Mais do que injustiça sócio-cultural, este incêndio acaba com uma exposição simbolica e pessoalmente relevante, a Câmara Cascudo, ordenada, dentre outra gente boa, pelo marido de um amigo meu. Participei com pitacos sobre ervas e fornecedores e infelizmente não compareci, deixando pra amanhã o que já não se pode fazer hoje.
Acaba não, mundão, leve de si quem não quer entender e mantenha aqui aqueles que o bem fazem, como a arte, os misticismos e as culturas. Acaba não, mundão, será que dá pra voltar atrás?
Acaba não, mundão. Nem antes nem depois do ônibus passar.
Jair Fonseca
21 de dezembro de 2015 9:10 pmPena. Mais um incêndio em
Pena. Mais um incêndio em mais um museu estadual de SP.
Quanto ao Câmara Cascudo, faz pouco tempo comprei uma de suas dezenas de obras: a História da alimentação no Brasil.
Wilson Ferreira
21 de dezembro de 2015 10:29 pmRecorrências
1. Incêndio do Liceu de Artes e Ofício
2. Incêndio no Memorial da América Latina
3. Incêndio no Museu da Língua Portuguesa
4. Incêndios recorrentes em favelas pela cidade de São Paulo
5. Secam as represas do sistema de distribuição de água do Estado
6. Museu do Ipiranga fechado sem data para reabrir
7. Escolas estaduais fechando
8. Trens e metros com problemas técnicos quase diários
9. Para depois o governador falar, nas poucas entrevistas que arrisca em dar entre esses eventos, que cada uma dessas recorrências será resolvida junto com os “parceiros” da iniciativa privada.
E depois falam que as teorias conspiratórias são coisas de gente louca.
luiz fazza antonio
21 de dezembro de 2015 10:51 pmIncêndio no MLP…..na Estação da Luz!
Triste e incrédulo liguei a TV aqui no miolo da Zona da Mata mineira, para presenciar o dantesco, o incrível fogo no MLP – Museu da Língua Portuguesa, ou seja, na Estação da Luz, repetindo 1946, ano em que nasci, ocasião em que talvez nem tivesse ainda chegado a este mundo….nasci em 04/04, para 28 anos após, engenheiro civil formado, aportar em São Paulo, contratado pela RFFSA para trabalhar na Estação da Luz…..e ali permanecer labutando por quase 9,5 anos.
Verdade que neste período de aproximados 9,5 anos, por determinação da empresa fui morar em Copacabana, visando fazer um Curso de Especialização em Operação e Comercialização de Serviços Ferroviários…concluído o curso, voltei ao trabalho na Estação da Luz….
Nesta tarde de grossas fumaças negras e cinzentas, tomando conta do céu já poluído de Sampa, rodou em minha mente um vídeo imaginário dos quase 9,5 anos de trabalhos na Luz….trens suburbanos lotados, algumas vezes fora do horário….chuvas torrenciais inundando as linhas e parando os trens….cargueiros noturnos, alguns diurnos, levando nossas riquezas agrícolas para o Porto de Santo….trens sobem…trens descem….trens param, alguns nem vão nem vêm…e a Estação da Luz, sempre ali….majestosa…imponente… classuda…atemporal…sempre ela a dominar a paisagem….
32 anos atrás retorno à minha terra mineira…ainda acompanhando trens que sobem e que descem….alguns param….cargueiros sempre….de passageiros, criminosamente foram extintos aí por 1996….logo depois, como turista volto à velha estação, agora diminuída em sua importância ferroviária, porém restaurado e adaptado seu interior, abriga o museu construído pela Fundação Roberto Marinho, inaugurada em 2006.
Lá voltando, acompanhado de esposa e filho, visitei os locais, salas inclusive, onde trabalhei nos anos 70/80….colegas engenheiros e funcionários antigos, encontrei poucos….muitos aposentados como eu mesmo….
Desligo a TV, o “filme imaginário” não sai de minha cabeça e, mais tarde, religando a TV vejo que em alguns pontos o fogo teima em arder…..na telinha e na minha memória….triste final de tarde/início de noite…